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6.6.22

Elia Kazan: A Biography (Richard Schickel, 2005)

Este é um dos melhores livros que li sobre cinema. Trata-se da biografia de referência de um grande realizador e também encenador americano. Os primeiros cinco capítulos (num total de 17) é dedicado à participação de Kazan no Theatre Group, nos anos 30, os seus anos decisivos de formação. Nesse grupo ele foi sobretudo ator, mas também encenador, e trabalhou com grandes dramaturgos da época: Clifford Odets, Robert Ardrey, Irwin Shaw, Paul Green. Leitura 06.2022

6.11.16

Elia KAZAN

A STREETCAR NAMED DESIRE (1951)
DVDTECA
MAN ON A TIGHTROPE (1953)
Man on a Tightrope é um filme pouco conhecido de Elia Kazan. Pelo menos em França, onde apenas foi estreado esta semana nas salas, numa versão restaurada, e mantendo o título americano. De facto, o anti-comunismo do filme pesou na decisão de não o distribuir em França nos anos 50. O filme baseia-se em factos reais e conta a história de um circo que consegue passar a fronteira da Checoslováquia comunista para o Ocidente. Essa passagem arriscada de um grupo de pessoas e animais nas barbas dos agentes checos é um dos grande momentos do filme. Trata-se, porém, de uma obra menor de Kazan devido, a meu ver, ao anti-comunismo simplista que a caracteriza. No início dos anos 50, na época da caça às bruxas, muitos filmes e profissionais do cinema tiveram de se curvar a esta agenda política de má memória. Paris 11.2016 FQL 3/5
Lee Remick e Montgomery Clift
Kazan revisita em WILD RIVER (1960) os anos do New Deal de Roosevelt. Montgomery Clift chega a uma pequena cidade do sul para assegurar o progresso material (a electricidade para todos) e social (salários e condições de trabalho iguais para brancos e negros). Encontra muita resistência das forças conservadoras, mas encontra também uma nova família (a viúva Lee Remick e os seus dois filhos). Belo filme, mas sem a intensidade dos clássicos Kazan dos anos 1950. Paris 05.2014 (4/5)

THE ARRANGEMENT (1969), em português O Compromisso, é um ponto fraco da filmografia de Elia Kazan, que adapta um romance seu com muitos elementos autobiográficos. É a história de um publicitário de sucesso que faz uma revisão crítica da sua vida profissional e pessoal. 
Uma narrativa não linear, uma forte influência da psicanálise, várias cenas de nudez (mesmo de Deborah Kerr) atiram facilmente o filme para o final dos anos 60. E Kazan não consegue brilhar ao adaptar o seu romance e ao tentar adaptar-se às grandes mudanças por que passava o cinema americano nesses anos. 
Mas temos direito a Kirk Douglas, Deborah Kerr e Faye Dunaway no trio protagonista, qual deles o melhor. Paris 01.2014 Le Desperado 3/5
Capa do programa da reposição no Champo

THE LAST TYCCON (1976) é filme é obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze, não por causa da sua qualidade, mas porque se trata de um filme sobre o cinema, que é um autêntico subgénero cinematográfico com muitas coroas de glória (Sunset Boulevard, La Nuit Americaine, Le Mépris). É a história de um produtor de cinema, um wonder boy, e de uma relação amorosa frustrada. É um bom filme, com um elenco impressionante, mas um pouco académico, se pensarmos que Elia Kazan o realiza e Harold Pinter assina o argumento.
Ailás, a ficha técnica deste último filme de Elia Kazan impressiona. Harold Pinter adapta The Last Tycoon de F. Scott Fitzgerald, Maurice Jarre assina a banda sonora, Sam Spielgel a produção, e uma plêiade de atores como Robert De Niro, Robert Mitchum, Jack Nicholson, Tony Curtis, Ray Milland, Dana Andrews e Jeanne Moreau, entre outros.
A Hollywood de 1976 em peso, mais as glórias do passado foram chamadas para esta homenagem ao mundo do cinema clássico. Bela homenagem.
E boa ideia do cinema Champo, um dos melhores de Paris, ao exibir um cópia digital do filme (na outra sala, estreou Dr. Strangelove, de Kubrick). Paris 01.2014 Le Champo 4/5