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9.7.26

Carefree (Mark Sandrich, 1938)

Quero Sonhar Contigo/Carefree (Mark Sandrich, 1938)
Carefree é um dos meus filmes preferidos da dupla Fred Astaire-Ginger Rogers. É um filme que alia os méritos da screwball comédia dos anos 30 com a arte musical de Fred, Ginger e Irving Berlin. Tudo se passa no meio sofisticado dos americanos ricos e dos profissionais liberais: Ginger é uma estrela da rádio, Fred um psiquiatra que vai tratar dela e ainda cruzarmos com um juiz. Problemas de dinheiro eliminados, a história pode incluir uma dieta de lagosta com maionese, tardes a andar de bicicleta e dedicar-se ao tiro e jantares formais e luxuosos. Ginger troca de noivo é a história de Carefree, e essa troca de parceiro ("change partners" diz a canção de Berlin que Fred canta para Ginger) faz-se com muito humor (ri do princípio ao fim do filme) e muita dança e música de uma qualidade que não encontramos mais no cinema de hoje.  Paris: Le Desperado 2013 & 2015 (5/5)

28.8.24

William WYLER

Jezebel (William Wyler, 1938)
Paris 2023 Écoles Cinéma Club
Paris 2008 Cinémathèque
5/5

Jezebel (1938)
DVD L'Insoumise Edition Collector Turner 2007
DVDTECA

The Letter (William Wyler, 1941)
The Letter é um filme famoso nascido da colaboração entre William Wyler e a atriz Bette Davis. Ambos fizeram ainda Jezebel e The Little Foxes, filmes melhores do que The Letter. Neste, Davis mata o seu amante por ciúmes mas consegue ser absolvida por alegar ter sido seduzida pelo amante, amigo dela e do seu marido. Mas tanto o seu advogado como o seu marido descobrem a verdade. As três personagens não escapam ao peso da consciência e é esse o grande achado do argumento. No entanto, o que mais me seduz neste filme é Bette Davis, no apogeu da sua carreira, e a imagem de Hollywood sobre as sociedades menos desenvolvidas, cheias de mistério e fantasia (a ação do filme passa-se numa plantação de borracha, num país asiático colonizado). Davis, Wyler, Steiner, Tony Gaudio (fotografia) e James Stephenson (num papel secundário) foram nomeados ao Oscar. Paris 03.2017 Christine 3,5/5

Wuthering Heights (1939)
DVDTECA

The Heiress (William Wyler, 1949)
William Wyler realizou um dos meus filmes preferidos (Jezebel) e fez grandes filmes, mas não está entre os realizadores que mais prezo. Demasiado clássico e pouco autoral para o meu gosto. No entanto, muitos dos seus filmes são belíssimos e vejo e revejo-os sempre com prazer. Por acaso, nunca tinha visto A Herdeira, que considero agora um dos seus melhores filmes. Adapta Washington Square de Henry James e tem um quarteto de atores perfeito: Olivia de Havilland, Montgomery Clift, Ralph Richardson e Miriam Hopkins. Recebeu o óscar para melhor atriz (Havilland) e melhor música (Aaron Copland), entre as 8 nomeações que teve. A herdeira é uma (não muito) jovem mulher que vai resistindo ao casamento, acabando por permanecer solteira após uma perspetiva de casamento frustrada. Muito bom. Paris 12.2016 FQL  4/5

The Letter/1940 DVDTECA

Roman Holiday/1953  DVDTECA

The Best Years of Our Lives/1946 DVDTECA

The Children's Hour (1961)
DVD MGM HE 2004
DVDTECA

How to steal a million (1966) DVDTECA


DVDTECA: 

1DVD Jezebel (1938)

1DVD The Children's Hour (1961) + Wuthering Heights


28.9.22

Marcel CARNÉ

LES JEUNES LOUPS (1968)
Paris 09.2022 Le Reflet Médicis
Juliette ou la Clé des songes (Marcel Carné, 1950)

O realizador do meu filme francês preferido (Les Enfants du Paradis, 1945) fez filmes glaciais, difíceis e aborrecidos como este. É um filme de esteta, com uma fotografia e cenários belíssimos, sublinhados pela cópia nova posta agora nas salas. E Gérard Philippe é enorme. Paris 06.2021 FQL 2,5/5



Les Enfants du Paradis (Jill Forbes, 1997) 
BFI Film Classics Series
BIBLIOTECA 


Le Jour se lève (Marcel Carné, 1939)
Le Jour se lève, clássico do realismo poético, foi uma boa surpresa. Começa como um filme noir americano: um homem é morto por outro, que logo se fecha no seu apartamento e é cercado pela polícia e pela população que o observa da rua. Durante as horas que antecedem o seu suicídio, ele relembra o seu passado recente e as razões que explicam o crime cometido. Uma dupla mágica de intérpretes iluminam esta história de paixão: Jean Gabin e Arletty. Sem dúvida, os meus atores preferidos do cinema francês anterior à Nouvelle Vague. Paris 03.2016 Cinémathèque & Melun 16.01.2026 Les Variétés 3,5/5
Le Quai des Brumes (Marcel Carné, 1938)
Le Quai des Brumes é um clássico do cinema francês anterior à guerra. Não é dos meus preferidos, pois o tom é demasiado grave e postiço para o meu gosto. Só a interpretação nervosa de Jean Gabin dá alguma vida a este hui clos passional passado à beira-mar, com grandes diálogos de Jacques Prévert. TV 2004, Paris 2012 FQL & 03.2016 Cinémathèque 3/5

21.9.22

Dreiklang (Hans Hinrich, 1938)

Dreiklang (Hans Hinrich, 1938)
Outro bom melodrama realizado na UFA, com argumento de Douglas Sirk, antes da sua fuga para os EUA. Uma "mulher com passado" tenta em vão reconstituir a vida (social e amorosa), mas esse passado vai intrometer-se nos seus planos com um desenlace trágico. Paris 09.2022 Cinémathèque 3/5

25.12.19

Pygmalion (Anthony Asquith, 1938)

Este filme é merecidamente um clássico do cinema britânico. Quase tão bom quanto o famoso filme My Fair Lady com Audrey Hepburn (ambos inspirados na mesma peça de teatro). Em tempos vi alguns filmes de Anthony Asquith na televisão portuguesa, mas perdi-lhe o rasto. Pygmalion é um dos seus filmes mais famosos. Baseado na peça homónima (1913) de George Bernard Shaw (que resistiu muito a autorizar esta adaptação), o argumento do filme (consagrado com um óscar) inspirou diretamente o musical My Fair Lady (1958) da Broadway e o filme de George Cukor (1964). A estrela deste filme é Leslie Howard, que na altura estava prestes a tornar-se uma estrela mundial em Gone With The Wind (1939), mas a grande revelação é Wendy Hiller, no seu primeiro papel importante no cinema. Dois enormes atores britânicos dos anos 30/40. Um belo clássico. VC 07.2015 DVDTECA (4/5)
DVD: The Importance of Being Earnest (1952, DVD Carlton 2000 + Pygmalion (1938)

29.12.17

Bringing Up Baby (Howard Hawks, 1938)

Uma das grandes comédias da história do cinema, um exemplo perfeito da chamada screwball comedy, um dos meus filmes preferidos. Hawks foi genial em vários géneros: western, thriller, drama, musical e comédia. Esta é uma das suas pérolas cómicas e arrastou com ele as inesquecíveis interpretações de Katherine Hepburn, Cary Grant e dos atores secundários. O argumento é de Dudley Nichols e Hagar Wilde. Cinemateca Portuguesa, 1995 & Le Desperado, Paris 2013   5/5

8.12.17

Sacha GUITRY

Faisons un rêve (Sacha Guitry, 1936)
Um advogado (Sacha Guitry) seduz uma mulher casada (Jacqueline Delubac) essencialmente com o seu discurso amoroso inflamado. Acabam por passar a noite juntos, no apartamento dele, mas de manhã o pânico perturba a sua relação, sobretudo quando o marido (Raimu) bate à porta do quarto... Poderia ser apenas teatro filmado (adapta uma peça de 1916 do próprio Guitry), mas é bem mais do que isso. Jean Renoir e Sacha Guitry são os meus realizadores franceses preferidos dos anos 30/40. Sempre que posso vejo ou revejo os filmes de Guitry, que não são fáceis de encontrar. Com Raimu. Paris 10.2016 Le Desperado 3/5 DVDTECA

Le Roman d'un tricheur (Sacha Guitry, 1936)

Les Perles de la couronne (Sacha Guitry, 1937)

Remontons les Champs-Elysées (Sacha Guitry, 1938)

Quadrille (Sacha Guitry, 1938)
Sacha Guitry adapta para a grande tela a sua própria peça Quadrille, filmada no mesmo ano (1937) em que estreou no teatro de Orléans. O filme herdou os mesmos intérpretes da criação da peça: Sacha Guitry, Gaby Morlay, Jacqueline Delubac, Georges Grey e Pauline Carton. Trata-se de uma screwball comedy à francesa, tão boa quanto as originais americanas. Um ator célebre de Hollywood visita Paris e consegue seduzir uma grande atriz de teatro francesa, que ia ser pedida em casamento pelo seu amante de vários anos. A crise instala-se entre o casal e exprime-se por alguns dos diálogos mais inteligentes e espantosos do cinema francês. E que dizer dos atores, que só por este filme merecem toda a nossa paixão? Um grande filme e um grande texto de teatro de Sacha Guitry. Paris 12.2017 Ecoles 4,5/5
Désiré (Sacha Guitry, 1938)
Deliciosa comédia sobre as tensas relações entre patrões e criados: a dada altura, o criado Désiré põe-se a sonhar todas as noites com a a sua patroa e esta com Désiré. Eles não sabem, mas outros ouvem-nos e isso gera os maiores constrangimentos. Mais uma vez, Guitry adapta para o cinema a sua própria peça (de 1927) com a sua trupe habitual (Guitry, Jacqueline Delubac, Pauline Carton) e a grande Arletty. Produzido por Serge Sandberg (Cinéas). Paris 12.2017 Ecoles 4/5
Donne-moi tes yeux (Sacha Guitry, 1943)

Le Comédien (Sacha Guitry, 1948)

Aux deux Colombes (Sacha Guitry, 1949)
Sacha Guitry, Suzanne Dantès, Marguerite Pierry

Guitry filma a sua própria peça com a graça habitual. Pensando que a mulher morreu num incêndio, um homem casa com a irmā dela. Mas a primeira esposa aparece-lhe em casa bem viva 20 anos depois... Talvez o melhor do filme seja o início, quando Guitry apresenta de forma original e espirituosa a sua equipa, que se prepara para fazer o filme. Paris 12.2017 Ecoles 21 & Cinémathèque 23.11.2025 Nota: 3/5

Toâ (Sacha Guitry, 1949)

REAL Sacha Guitry ARG. Sacha Guitry, baseado na sua própria peça ELENCO Sacha Guitry, Mireille Perrey, Robert Seller, Lana Marconi, Jeanne Fusier-Gir  PROD. Films Minerva ESTREIA 28.10.1949 (Paris)  VISTO Cinémathèque 20.11.2025 Nota: 3/5

Tu m'as sauvé la vie (Sacha Guitry, 1950)
REAL Sacha Guitry ARG. Sacha Guitry, baseado na sua própria peça ELENCO Fernandel, Sacha Guitry, Lana Marconi, Jeanne Fusier-Gir PROD. Films Minerva ESTREIA 20.09.1950 (Marseille)  VISTO Cinémathèque 23.11.2025 Nota: 3/5

Si Versailles m'était conté... (Sacha Guitry, 1954)
ARG.REAL. Sacha Guitry ELENCO Sacha Guitry, Georges Marchal, Claudette Colbert, Jean Marais, Micheline Presle ESTREIA 15.02.1954 (França) 9.11.1954 (Portugal) VISTO Paris 15.11.2025 Cinémathèque

Sacha Guitry et la Malibran
(Geori Boué, 2012)
Ed. la tour verte 2012
BIBLIOTECA

Sacha Guitry (Découvertes Gallimard, 2007)
A vida de Guitry esteve sempre intimamente associada ao seu trabalho (de ator, dramaturgo, realizador, encenador) pois não só o seu pai era um famoso ator (Lucien Guitry, um dos grandes do seu tempo), como Guitry se casou com mulheres que se tornaram atrizes das suas peças e dos seus filmes. O desgaste dos seus muitos casamentos teve provavelmente a ver com a excessiva dependência dessas mulheres/atrizes em relação a Guitry. Aliás, em alguns casos essas atrizes são hoje recordadas e celebradas apenas pelo trabalho que fizeram com Guitry. É apaixonante ver como Guitry permaneceu no centro da vida cultural francesa durante 50 anos aproximadamente, e a sua estrela só empalideceu no imediato pós-segunda guerra, quando foi preso e acusado de ter manifestado simpatias pelo regime nazi instalado em França. Mas nos anos 1950 ele voltaria à mó de cima, tornando-se um realizador mais popular e celebrado do que antes. Como é habitual na coleção Découvertes da Gallimard, o trabalho dos autores é impecável. Natal de 2017, Póvoa de Varzim e novembro de de 4/5

20.8.17

John CROMWELL

OF HUMAN BONDAGE (1934)

REALIZADOR: John Cromwell ARGUMENTO: Lester Cohen, adaptado do romance Of Human Bondage (W. Somerset Maugham, 1915) PRODUTOR: Pandro S. Berman, para a RKO Radio Pictures ELENCO: Leslie Howard, Bette Davis, Frances Dee, Kay Johnson, Reginald Denny, Alan Hale, Reginald Sheffield, Reginald Owen, Desmond Roberts   FOTO: Henry W. Gerrard MÚSICA: Max Steiner ESTREIA: 28.06.1934 (EUA) Não estreou em Portugal??? VISTO: DVD & Paris 18.09.2024 Écoles Club NOTA: 3.5/5 Bette Davis e Leslie Howard (no auge da sua beleza) são o melhor do filme e a carreira de ambos iria explodir depois deste filme. Mas a realização de Cromwell não permite a obra-prima de Maugham voar alto na grande teala.

SPITFIRE (1934)
A única razão para ver este filme hoje é Katherine Hepburn. Mesmo assim, é o pior filme que conheço dela e a sua escolha para o papel de uma mulher solitária que vive na floresta e é acusada de bruxaria pelos vizinhos é evidentemente um erro. VC 8.2017 DVDTECA 2/5

In Name Only (1939)
VISTO: Paris 2013 Le Desperado 4/5

O Fugitivo Desceu à Cidade / Algiers (1938)
VISTO: ?? DVDTECA

Made for each other (1939)
DVDTECA

23.1.17

George CUKOR 1930s

ROCKABYE (1932)
REALIZADOR: George Cukor ARGUMENTO: Jane Murfin, baseado na peça Rockabye (Lucia Bronder, 1924) PRODUÇÃO: David O. Selznick para a RKO ELENCO: Constance Bennett, Joel McCrea, Paul Lukas, Walter Pidgeon, Jobyna Howland, Clara Blandick, Walter Catlett, Virginia Hammond FOTO: Charles Rosher MÚSICA: Harry Akst, Jeanne Borlini, Nacio Herb Brown, Edward Eliscu ESTREIA: RKO Pathé 25.11.1932 (EUA) VISTO: Paris 30.09.2024 Cinémathèque NOTA: 2.5/5 O filme transpõe para a tela uma peça menor que expõe o estado da moralidade da época: o valor da familia acima da paixão, a reputação das mães solteiras que desejam adotar crianças, o meio artístico como pouco sério e pouco apropriado a criação de uma familia. É um drama, mas não faltam brilhantes cenas de comédia típicas daqueles anos. Maravilhosos Joël McCrea e Constance Bennett.



CAMILLE (1936)

A Dama das Camélias é Greta Garbo e essa é a grande razão para ver e amar este filme, pois não é dos melhores filmes de Cukor. Paris 01.2017 4/5

HOLIDAY (1938)
Holiday não é dos filmes mais marcantes de George Cukor, Katherine Hepburn ou Cary Grant (1938), mas é um filme interessante e representativo de um certo cinema de consciência social dos anos 30. Tratando-se de uma comédia romântica, não deixa de ter no seu centro a história de um homem desprovido de ambição capitalista, apesar dos seus evidentes talentos e das condições familiares que lhe surgem quando fica noivo de uma herdeira milionária.   Na origem deste filme está uma peça de teatro de Philip Barry, de 1928, e o argumento é dos notáveis Donald Ogden Stewart e Sidney Buchman. O título português é mais picante do que o original: A Irmã da Minha Noiva. Com Katharine Hepburn, Cary Grant, Doris Nolan, Lew Ayres, Edward Everett Horton. Reposição de uma cópia restaurada no cinema Filmothèque du Quartier Latin. Paris 02.2020: 3,5/5

THE WOMEN (1939)
Uma comédia divertidíssima, com um all-cast feminino (130 atrizes!). George Cukor era o realizador ideal, na época, para este tipo de filme, pois filmou com as maiores atrizes, que foram sempre valorizadas nos seus filmes. The Women passa-se entre a elite nova-iorquina, e a trama principal é a crise do casamento da personagem de Norma Shearer, cujo marido (que nunca vemos, pois nenhum homem aparece no filme) foi conquistado por uma vendedora de perfumes interpretada por Joan Crawford. O filme é falado a uma velocidade tal que há falas que os tradutores franceses simplesmente não traduziram. Há lutas entre mulheres (catfight), chiliques (desmaios) e muitas arranhaduras. Com Rosalind Russell, Paulette Goddard, Joan Fontaine, Lucile Watson, Mary Boland e Florence Nash. Paris 01.2017 Christine    4/5