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27.7.26

Show Boat (James Whale, 1936)


REALIZAÇÃO: James WHALE ESTREIA: 14/05/1936 (EUA) 10/03/1937 MAGNÓLIA (Portugal)
Show Boat, o musical de Jerome Kern, deu origem a pelo menos duas adaptações no cinema, ambas boas mas que restam na sombra da genialidade da obra original feita para o teatro. Também o romance de Edna Ferber, em que todos os Show Boats se baseiam, teria caído no esquecimento sem o musical de Kern. A história de Ferber é uma metáfora da ascensão da arte americana ao lugar cimeiro entre as grandes culturas europeias. Tudo começa com uma troupe de artistas ambulantes que vão de terra em terra apresentar espetáculos nas cidades ribeirinhas do Mississipi. A atividade desta troupe é tão denegrida que a patroa não permite que a sua filha seja atriz. A segunda parte do filme voa sobre várias décadas. No final essa jovem tornou-se uma grande estrela dos teatros de Nova Iorque e Londres, retira-se e assiste à estreia da sua própria filha no teatro. Do Show Boat ao West End londrino, do teatro popular de feira ao teatro sofisticado internacional. Em poucas décadas a arte americana ascende de forma fulgurante, sempre com a família como suporte (mesmo que esta família seja bem problemática). Este filme seria inesquecível se tivesse um grande intérprete ou lenda do musical, mas aqui não há nada disso. Irene Dunne era uma enorme comediante da screwball comedy mas não tem o carisma de uma Judy Garland, por exemplo. E Irene é a melhor intérprete do filme, mesmo assim. Paul Robeson, cantor célebre no seu tempo, é um ator limitado mas canta de forma soberba Old Man River. 
Paris 31.05.2021 Cinémathèque 3,5/5

26.7.26

Star! (Robert Wise, 1968)

Estreia no Reino Unido: 18/07/1968

Biopic musical de Gertude Lawrence
"Star!" (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn) foi nomeada para o Oscar da melhor canção original
Tenho DVD GB com bonus Fox 2012

Centennial Summer (Otto Preminger, 1946)

REALIZADOR: Otto Preminger ARGUMENTO: Michael Kanin, baseado no romance Centennial Summer, de Albert E. Idell PRODUÇÃO: Otto Preminger (20th Century Fox) ELENCO: Jeanne Crain, Cornel Wilde, Linda Darnell FOTO: Ernest Palmer ESTREIA: 08.1946 (EUA) 19.05.1947 A TIA DE PARIS (Portugal) VIS 20.01.2025 Cinémathèque

CANÇÕES: The Right Romance, Up with the Lark, All Through the Day, In Love in Vain, Cinderella Sue, Two Hearts Are Better Than One (cortada do filme)

The Court Jester (1955)

Folheto da reposição do filme 20/12/2017

Danny Kaye é uma das grandes estrelas das comédias e dos musicais de Hollywood, e The Court Jester é certamente um dos seus melhores filmes. Gostei muito de o ver nesta comédia musical que vive sobretudo dos incríveis diálogos e das situações cómicas valorizadas por grandes atores (Cecil Parker, Edward Ashley, Glynis Johns, Basil Rathbone, Angela Lansbury, Mildred Natwick, Robert Middleton, Michel Pate, John Carradine). Penso tratar-se antes de mais de uma comédia s
washbuckler (capa e espada) com canções (de  Victor Schoen). O filme foi produzido, escrito e realizado por Melvin Frank e Norman Panama e trata de uma corte inglesa minada pela corrupção e pela ambição, que tem no trono um rei ilegítimo, que vai ser deposto por um bando de ciganos da floresta que têm com eles um bebé que é o verdadeiro rei. Danny Kaye infiltra-se na corte como bobo do rei e resolve as coisas à sua desconcertante maneira, por vezes sob o efeito do poder da feiticeira local. O filme foi felizmente reposto em versão restaurada na sala parisiense Ecoles 21, distribuído pela Swashbuckler Films. Paris 12.2017 Ecoles 4/5
Le Bouffon du Roi
Estreia versão restaurada
20 de dezembro de 2017
Distribuidor: Swashbuckler Films
Sala: Écoles 21 (Paris 4e)

Burlesque (Steve Antin, 2010)

REALIZADOR Steve Antin ARGUMENTO Steve Antin MÚSICA Christophe Beck ELENCO Christina Aguilera, Cher, Cam Gigandet, Stanley Tucci, Kristen Bell, Eric Dane, Alan Cumming GÉNERO Drama, Romance PRODUÇÃO De Line Pictures PALMARÉS Golden Globes: Prémio de melhor canção original ("You Haven't Seen the Last of Me"), nomeações para melhor filme musical ou de comédia e melhor canção original ("Bound To You")  ESTREIA 24.11.2010 (EUA) 30.12.2010 (Portugal)

CANÇÕES:
"You Haven't Seen the Last of Me", cantada por Cher, foi considerada a melhor nos Satellite Awards e nos Golden Globes.
"Bound To You", cantada por Christina Aguilera, foi nomeada para a melhor canção nos Golden Globes.

VISTO Paris 20.05.2025 Le Brady Cineclube

The Phantom of the Opera (Joel Schumacher, 2004)

A principal qualidade da adaptação ao cinema do famoso musical de Andrew Lloyd Webber (1986), é precisamente dar a conhecer o musical de Webber, para aqueles que nunca puderam vê-lo em cena. A realização de Joel Schumacher é funcional, pois permite que os números musicais se sucedam de forma elegante e sem grandes ousadias técnicas na arte de filmar, que costumam perturbar a fruição da música. E a música de Webber é o melhor do filme, claro. Webber tem o génio melódico de Puccini, adaptado ao gosto musical dos dias de hoje (só não gosto quando os arranjos desviam as músicas para a seara do rock). Por fim, gostei particularmente da espetacular cena da queda do candeeiro, que teve de ser feita logo à primeira, pois a sala utilizada nas filmagens seria realmente destruída nessa cena. Tudo isso é explicado nos extras do dvd. VC 8.2017 DVDteca 3,5/5

9.7.26

42nd Street (Lloyd Bacon, 1933)

Estreia nos EUA: 23/02/1933

RUA 42
Estreia em Portugal: 14/03/1934
Cinemateca Portuguesa: 20/09/2010

42nd Street é um dos musicais mais importantes da história do cinema, a ponto de ter inspirado, 50 anos mais tarde, um musical da Broadway. Originalmente 42nd Street é um romance de Bradford Ropes, uma escritora e argumentista de Hollywood. A história é típica dos musicais do passado e do presente: a montagem de um espetáculo e a ascensão de uma nova estrela, que substitui à última hora a estrela escalada para a produção. O filme é um típico backstage musical e todas as pequenas histórias que animam as personagens apagam-se para o espetáculo brilhar. Como o filme se passa durante a Grande Depressão, o sacrifício coletivo impõe-se com uma força dramatúrgica própria. Nesse sentido, são impressionantes os ensaios do corpo de bailarinos, levados à exaustão, sob a autoridade do diretor e dos seus acólitos que nada fazem senão gritar. São cenas que vimos muitas vezes, como em A Chorus Line ou Fame. O que faz este filme ser tão maravilhoso que me levou a vê-lo com prazer duas vezes na mesma semana? Não é certamente o seu registo de comédia. Há alguns diálogos ou falas que pretendem fazer rir mas nem nos fazem sorrir. Alguns atores secundários são muito limitados. Valem pela sua fotogenia adequada ao papel mas suspeitamos que pelo mesmo motivo, pelo mesmo papel, vâo aparecer tal e qual em outros filmes. Nem Ginger Rogers escapa a essa pecha do cinema industrializado. O melhor do filme é quando vemos o musical pronto no final, com números musicais e coreografias encenados no palco, tudo concebido e filmado pelo mago Busby Berkeley. Inesquecíveis os travellings das pernas das coristas, sobretudo o que nos mostra o interior das coxas, filmadas como uma arcada de colunas de mármore... As canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras) são outros dos trunfos do filme, assim como as duas atrizes principais, a estrela consagrada (Bebe Daniels) e a novata que a vai substituir no espetáculo Pretty Lady e tornar-se a nova sensação da Broadway (Ruby Keeler). Os homens não têm grandes oportunidades de brilhar. Paris 02.2019 Sala Christine 4/5 
42nd Street (1933). Argumento de Rian James, James Seymour e Whitney Bolton. Coreografia de Busby Berkeley. Intérpretes: Warner Baxter, Bebe Daniels, George Brent, Ruby Keeler, Dick Powell, Ginger Rogers.
Canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras)
You're Getting To Be A Habit With Me (cantado por Bebe Daniels)
It Must Be June (cantado por Bebe Daniels, Dick Powell e coro) 
Shuffle Off to Buffalo (cantado e dançado por Ruby Keeler e Clarence Nordstrom, com Ginger Rogers, Una Merkel e coro)
Young and Healthy (cantado por Dick Powell, Toby Wing e coro)
42nd Street (cantado e dançado por Ruby Keeler, cantado por Dick Powell)

Lloyd Bacon, um realizador esquecido de Hollywood, assinou excelentes musicais para a Warner nos anos 30. Pelo menos dois merecem ficar como marcos da comédia musical: 42nd Street (1933) e Footlight Parade (1933). Ambos têm coreografia do grande Busby Berkeley e é em boa parte devido a ele que estes filmes são vistos com prazer e admiração ainda hoje. Os dois filmes também partilham os autores das canções: Harry Warren (música) e Al Dubin (letras).
42nd Street é o mais famoso dos filmes de Bacon/Berkeley e tem lugar cativo na lista dos grandes musicais. Trata-se de um musical de bastidores, pois apresenta a história da produção de um musical da Broadway, com espaço para as intrigas amorosas entre os artistas, para as cenas de ensaios e, claro, para a apresentação do espetáculo em causa e o seu inevitável sucesso. Mas o melhor continua a ser as coreografias de Berkeley e a sua tradução cinematográfica. VC 2015 DVDTECA Nota: 4/5

Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948)


 
Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948) é o primeiro filme em que Marilyn Monroe tem o papel de protagonista e, ainda longe de Niagara (1953), que a consagrou como estrela, ela incendeia a tela e deixa os homens com os olhos em bico. Que presença! Ela nasceu para a comédia musical e isso nunca foi desmentido, apesar de alguns bons (melo)dramas que fez depois.
O filme de Phil Karlson tem apenas 60 minutos, tem um argumento rasteiro como poucos e deve ter servido como entrada para um filme de maior prestígio. Mas ver Marilyn dançar e cantar é um prazer indescritível que me vai obrigar a ver mais vezes este filme menor. Paris 11.2014 & 2022 Cinemateca Francesa 3.5/5
Ladies of the Chorus (Columbia, 1948), em francês Les Reines du music-hall, comédia musical com Marilyn Monroe, Adele Jergens, Rand Brooks e Nana Bryant. As músicas de Lester Lee & Allan Roberts: Anyone Can See I Love You (Marilyn Monroe), Every Baby Needs a Da Da Daddy (Marilyn Monroe), I'm So Crazy for You (Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees), The Ladies of the Chorus (Marilyn Monroe, Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees, e outros) e You're Never Too Old (Nana Bryant).

KANSAS CITY CONFIDENTIAL (1952)
DVDTECA

THE SECRET FOUR (1952)
DVDTECA

Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948) é o primeiro filme em que Marilyn Monroe tem o papel de protagonista e, ainda longe de Niagara (1953), que a consagrou como estrela, ela incendeia a tela e deixa os homens com os olhos em bico. Que presença! Ela nasceu para a comédia musical e isso nunca foi desmentido, apesar de alguns bons (melo)dramas que fez depois.
O filme de Phil Karlson tem apenas 60 minutos, tem um argumento rasteiro como poucos e deve ter servido como entrada para um filme de maior prestígio. Mas ver Marilyn dançar e cantar é um prazer indescritível que me vai obrigar a ver mais vezes este filme menor. Paris 11.2014 & 2022 Cinemateca Francesa 3.5/5

Ladies of the Chorus (Columbia, 1948), em francês Les Reines du music-hall, comédia musical com Marilyn Monroe, Adele Jergens, Rand Brooks e Nana Bryant. As músicas de Lester Lee & Allan Roberts: Anyone Can See I Love You (Marilyn Monroe), Every Baby Needs a Da Da Daddy (Marilyn Monroe), I'm So Crazy for You (Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees), The Ladies of the Chorus (Marilyn Monroe, Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees, e outros) e You're Never Too Old (Nana Bryant).

Cabaret (Bob Fosse, 1972)

 
Cabaret (1972) é um dos meus filmes preferidos de sempre. É um filme único, que não se confunde com nenhum outro. É um musical que na origem foi um musical da Broadway. É um marco na história dos musicais no cinema. É um musical passado em Berlin de 1930, é um musical político até à medula.  Liza Minnelli teve aqui o passaporte para a eternidade, e por aqui aparece uma das mulheres mais bonitas que eu já vi: Marisa Berenson (que também entra em dois outros filmes da minha vida, Barry Lindon e Morte em Veneza). Que mais? Que comprei ainda no tempo do vinil a banda sonora deste filme. Pelo menos o refrão das canções sei de cor.  Que ver o filme em sala de cinema é mais uma razão para amá-lo. Primeiro foi na Cinemateca Portuguesa em 1987 (!) e agora (2013) no cinema parisiense Le Brady. Que merece 5/5.  

7.5.26

Calamity Jane (Gerard Butler, 1953)

Comédia musical passada num contexto típico do western, centrada num cabaret-saloon. Doris Day é uma cowgirl de modos masculinos com muitos amigos entre os homens mas nenhum amante. Ela vai aprender a ser feminina quando contrata artistas de cabaret. Só o carisma de Doris Day e Howard Keel justificam hoje o interesse por esta comédia do oeste que respondeu à moda da época. Vila do Conde 2019 3/5
Produção de William Jacobs (Warner), argumento de James O'Hanlon, com Doris Day e Howard Keel. Oscar for Best Song: Secret Love (Sammy Fain e Paul Francis Webster).
As canções (Sammy Fain e Paul Francis Webster): Calamity Jane: The Myth, The Woman  The Legend / The Deadwood Stage (Whip-Crack-Away!) / I Can Do Without You / It's Harry I'm Planning to Marry / Just Blew in from the Windy City / Hive Full of Honey / Keep It Under Your Hat / My Heart Is Higher Than a Hawk (Deeper Than a Well) / A Woman's Touch / The Black Hills of Dakota / Secret Love.

27.4.26

Invitation to the Dance (Gene Kelly, 1956)

Invitation to the Dance (1956) foi um projecto longamente acarinhado por Gene Kelly. Depois de ter sido protagonista de dois dos maiores filmes musicais de sempre, An American in Paris (1951) e Singing in the Rain (1952), foi trabalhar para a Europa e dedicar-se a um filme totalmente dançado, sem ação dramática. As filmagens foram realizadas nos estúdios da MGM de Londres e passaram por numerosos problemas. O filme tem três episódios: "Circus" (música de Jacques Ibert), "Ring Around the Rosy" (música de Andre Previn) e "Sinbad the Sailor" (música de Rimsky-Korsakoff) e contou com grandes nomes do ballet da altura, como Igor Youskevitch, Claude Bessy ou Tamara Toumanova. Estreou anos depois de ter sido realizado, pois a MGM previa dificuldades na sua exploração comercial. Foi um flop histórico, de facto.
Edição francesa: Coleção "Les trésors Warner. La collection TCM" (2012)
Ainda hoje Invitation to the Dance revela problemas em chegar ao público, apesar da sua reconhecida qualidade. Existe uma edição em VHS de 1983 (!), uma edição em CED (antepassado do DVD) e há poucos anos a Warner decidiu disponibilizá-lo em DVD para quem o encomendasse (made-to-order DVD). O DVD oficial é recente. Em França está editado na coleção "Les trésors Warner. La collection TCM" de 2012. Coleção que publicou muitos filmes inéditos em DVD. O filme nunca foi restaurado.
CED VideoDisc (1980s)

Royal Wedding (Stanley Donen, 1951)

Royal Wedding não é uma das mais famosas produções da equipa de Arthur Freed (MGM), mas como resistir aos encantos desta comédia musical? Alan Jay Lerner assina a história, o argumento e as letras das canções compostas por Burton Lane, Nick Castle coreografa as danças e a dupla Fred Astaire e Jane Powel faz maravilhas ao interpretar um par de irmãos dançarinos que são convidados a atuar em Londres na altura de um casamento real. Este par famoso em breve irá desfazer-se quando os irmãos conhecerem na viagem os seus futuros conjuges, ecoando desse modo a história da comédia musical americana no teatro (os irmãos Fred & Adele Astaire), como no cinema (Fred Astaire & Ginger Rogers). VC 2017 DVD 
 Royal Wedding (Stanley Donen, 1951)
NT

Kiss of the Spider Woman (Bill Condon, 2025)

REALIZAÇÃO Bill Condon  PRODUÇÃO Matt Geller, Barry Josephson, Greg Yolen, Tom Kirdahy  ARGUMENTO Bill Condon, Terrence McNally, Manuel Puig ELENCO Tonatiuh, Diego Luna, Jennifer Lopez, Tony Dovolani, Josefina Scaglione, Bruno Bichir, Aline Mayagoitia, Kevin Michael Brennan, Thomas Canestraro, Eduardo Ramos, David Turner, Odain Watson, Lynn Favin, Debra Cardona, Christian Galvis, Maile Makaafi, Will Fitz, Alec Preston, Judy Rotardier ESTREIA 26.01.2025 (F. Sundance)  9.10.2025 O BEIJO DA MULHER ARANHA (Portugal) 18.02.2026 (França) VISTO Paris 20.02.2026 Les Halles
Cartaz da estreia francesa