É a primeira vez que vejo um filme da produção industrial popular de alguns países da Africa central. Fui vê-lo por tratar-se de um musical, uma espécie de musical kizomba se é que tal existe. Na verdade, é uma co-produção entre a França e o Mali e a ação passa-se inteiramente em Paris. A história retoma Romeu e Julieta, ou melhor, West Side Story, na qual Laurent, um quadro francês da classe média alta, incentivado pelos amigos, pretende conquistar uma jovem africana que conheceu pela internet, mas acaba por apaixonar-se por ela. A oposição da família e do meio social em que cada um vive à relação dos dois é fortíssima e tem contornos racistas evidentes. O argumento peca por ser simplista e típico das piores telenovelas mas revela verdades da sociedade francesa que podem chocar os mais desprevenidos. Quais são as maiores qualidades do filme? Alguns caracter actors, como o dândi africano que aparece com os fatos mais incríveis que eu já vi e acima de tudo, as sequências musicais, que são bem conseguidas. Paris 09.2017 Sala Espace Saint-Michel 2,5/5
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26.7.26
14.3.21
Cherchez la femme (Sou Abadi, 2017)
Uma comédia simpática que evita a caricatura ao tratar do integrismo islâmico entre os jovens. De regresso a França, um jovem muçulmano (William Lebghil) fecha a irmã (Camélia Jordana) em casa e o namorado desta (Félix Moati) para poder vê-la tem de passar-se por mulher com burka integral. Se não fosse uma comédia seria penoso ver a destruição de uma família por um vírus religioso maléfico. Melun 2021 TV 2/5
8.4.18
Madame Hyde (Serge Bozon, 2017)
Uma professora de Física, com evidentes problemas de relacionamento com os seus alunos, é atingida por uma estranha força elétrica que a faz mudar de atitude na escola. Comédia fantástica? A única coisa que gostei no filme foi Isabelle Huppert. De resto, foi penoso ver esta Madame Hyde. Paris 2018: 2/5
15.3.18
La Ch'tite famille (Dany Boon, 2017)
Dany Boon interpreta um designer famoso que se apresenta publicamente como sendo órfão (a companheira precisa, para a imprensa, que ela é a única família do designer). Mas eis que na vernissage de uma exposição do casal da moda (saem na capa da Paris Match) chega a família Ch'tite do designer: a mãe, o irmão, a cunhada e a sobrinha (o pai ficou a tomar conta da casa na aldeia). É fácil imaginar que o cómico da história vai depender em boa parte do confronto entre o mundo conquistado do designer, snob, frio e sofisticado, e o mundo da sua família de origem, simplório e boçal, que ele renegou há muitos anos. Tudo cai na caricatura fácil; o filme é para esquecer. Paris 1/5
18.1.18
Ami-ami (Victor Saint Macary, 2017)
Depois de romper com a namorada, Vincent (excelente William Lebghil) decide dividir um apartamento com a sua melhor amiga (Margot Bancilhon). Mas pouco depois apaixona-se por outra mulher (Camille Raza) e decide esconder esta paixão porque sente que traiu a sua amiga. Claro que esta comédia romântica faz lembrar outras americanas do mesmo género, mas o filme de Victor Saint Macary é particularmente bem sucedido, devido à inteligência do argumento e à grande interpretação do protagonista William Lebghil. Paris Bercy 3,5/5
1.10.17
Un beau soleil intérieur (Claire Denis, 2017)
Un beau soleil intérieur é o que deseja Juliette Binoche, uma pintora atraente que procura desesperadamente o grande amor, ou pelo menos um amor pleno, a tempo inteiro, e não os casos que multiplica com homens casados e até com o ex-marido. A protagonista chora muito, o tema é grave, mas o tom é de comédia melancólica, o que só valoriza o filme. A cena final, com Gérard Depardieu a fazer de vidente, é um achado. Paris 10.2017 Odéon 3/5
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