Fernando Faro é figura valiosa na cultura musical do Brasil. Viveu décadas fazendo amigos em toda a classe musical pelos ótimos programas de televisão que foi concebendo para enaltecer essa cultura. O que melhor conheço é o programa Ensaio, que está perpetuado em DVD, e cujo protagonismo é inteiramente do artista convidado. O programa consiste em uma longa entrevista com atuação dos artistas no estúdio. Nunca vemos o entrevistador. Adivinhamos as perguntas pelas respostas do artistas. São programas a que recorremos sempre. São a maior consagração que os artistas brasileiros podiam esperar do jornalismo. Espero que o trabalho de Faro inspire futuros trabalhos da televisão brasileira. Melun 04.2020 (4/4)
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25.7.26
António Um Dois Três (Leonardo Mouramateus, 2017)
REALIZADOR: Leonardo Mouramateus ARGUMENTO: Leonardo Mouramateus ELENCO: Mauro Soares, Deborah Viegas, Mariana Dias ORIGEM: Brasil e Portugal FILMAGENS: Lisboa ESTREIA: 28.03.2019 (Brasil) Filmes do Asfalto 13.06.2019 (Portugal)
Duas de Mim (Cininha de Paula, 2017)
Comédia um pouco acima das muitas comédias populares brasileiras que todos os anos são produzidas. Em Duas de Mim a atriz principal, Thalita Carauta, dá um show no papel de duas gémeas que começam por se ajudar e acabam rivais. Algumas cenas são muito engraçadas mas o argumento é rasteiro. Melun 11.2020 2,5/5
21.7.26
Pendular (Julia Murat, 2017)
Um casal de artistas, ele escultor, ela coreógrafa-dançarina, vive e trabalha num galpão abandonado, no centro de São Paulo. A vida e a arte entrelaçam-se, e o humor de ambos varia consoante o rumo que toma o seu projeto de vida. Ele quer um filho ela não, mas acaba por ficar grávida. A cena final, de reconciliação através da arte, é particularmente bela. Porto 2020 cinema Trindade 3/5
12.7.26
Um Tio Quase Perfeito (Pedro Antônio, 2017)
Uma comédia sobre a família para a família. Marcus Majella é um tio que está longe da perfeição, mantendo-se convenientemente afastado da irmã (Ana Lucia Torres) e dos sobrinhos a não ser quando precisa de ajuda. Não tendo onde morar, ele e a mãe (Letícia Isnard) ocupam a casa da irmã, afastam a babá e põem-se a cuidar das crianças quando a mãe delas se ausenta em trabalho. Previsivelmente o tio vai conquistar o amor das crianças, e mudar a sua própria vida. Melun 2021 TV 2/5
9.7.26
Não Devore Meu Coração (Felipe Bragança, 2017)
O que eu mais gosto deste filme é a sua ambição. Quer ser grande, quer ir mais além. Parte de uma história surrada, a de Romeu e Julieta (adolescentes como os personagens de Shakespeare), cujas famílias se odeiam. Essa animosidade assume neste filme uma herança secular que opõe os brancos brasilerios aos índios paraguayos na zona de fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O filme fica aquém da sua ambição, mas sobram cenas impressionantes, como as passadas no rio ou na estrada entre os motoqueiros. Paris 10.2017 FCBP 3,5/5
Bingo - O Rei das Manhãs (Daniel Rezende, 2017)
Bingo - O Rei das Manhãs conta a história de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo num programa matinal do canal SBT nos anos 80. Enquanto filme sobre os bastidores da televisão o filme é muito interessante, já no que respeita à vida pessoal do entertainer (antigo galã das pornochanchadas) as coisas não vão tão bem. Mas é mesmo assim um dos bons filmes brasileiros do ano passado. Realização de Daniel Rezende. Com Vladimir Brichta, Leandra Leal, Cauã Martins, Augusto Madeira, Ana Lucia Torre. O argumento é de Luiz Bolognesi. Paris, abril 2018 Festival Arlequin 3/5
Amor.com (Anita Barbosa, 2017)
Isis Valverde é o principal chamariz do filme, pelo menos para mim. É uma comédia romântica insossa. Uma blogueira de moda encanta-se com um nerd em tudo alternativo. Bom, os dois vão aprender a ultrapassar os preconceitos recíprocos relativos à forma de estar de cada um. VC 12.2020 Netflix 2/5
1.5.26
As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017)
As Boas Maneiras é um filme brilhante que marcará o ano cinematográfico. Um conto maravilhoso e de terror, passado em São Paulo, entre os bairros ricos e as favelas: uma mulher cuida de uma criança que não é sua e que se transforma em lobisomem. Foi Prémio Especial do juri de Locarno. VISTO: Paris 3.2018 NOTA: 4/5
Aos Teus Olhos (Carolina Jabor, 2017)
Um drama bem escrito e realizado sobre um jovem professor de natação acusado pelos pais de um aluno de ter tido um comportamento impróprio com o seu filho. Esta queixa alastra-se nas redes sociais e abala completamente o professor. Paris 04.2019 Arlequin FCBP 2,5/5
Arábia (2017)
Filme de Affonso Uchôa e João Dumans
Arábia é um filme sobre um homem comum, que deixou na Terra pouco mais do que um caderno onde conta a sua vida marcada pela solidão e pela exploração no mundo do trabalho. O filme tem passado tão despercebido entre os cinéfilos quanto o seu protagonista entre os poucos seres humanos que com ele se cruzaram ao longo da vida. O filme é de 2017 e estreou no Brasil em abril de 2018. Sendo um drama, não há nada aqui de dramático ou mostrado como tal, como nos habituámos a ver no cinema. Cristiano, assim se chama o protagonista, tem um olhar distanciado sobre si próprio, talvez por manter o tal caderno-diário do seu destino. O espectador é que tem de interpretar e dar sentido ao que vê, e decidir sobre o peso do drama da vida de Cristiano. Escrito e realizado por Affonso Uchôa e João Dumans. Paris: 2018 Arlequin & 2022 Reflet Medicis 4/5
Rio Mumbai (P. Sodré e G. Mellin, 2017)
Este filme aposta tudo na história que narra. Mas, para o meu gosto, esta história não tem pés nem cabeça. Um homem entra lentamente num estado de letargia, entrando noutra dimensão temporal que, saber-se-á mais tarde, se relaciona com a leitura que fez na juventude de uns trabalhos de um amigo astrofísico. O protagonista só compreenderá o seu problema quando contactar uma espécie de guru... na India (onde mais poderia ser?). Muito cedo me desinteressei pelo que se passava na tela, já que nem a forma de narrar desperta o mínimo interesse. Realização de Pedro Sodré e Gabriel Mellin. Paris Arlequin 11.2017 2/5
30.4.26
Corpo Elétrico (Marcelo Caetano, 2017)
REALIZADOR: Marcelo Caetano ARGUMENTO: Marcelo Caetano ELENCO: Kelner Macêdo/Elias, Lucas Andrade/Wellington, Welket Bungué/Fernando, Ana Flavia Cavalcanti/Carla, Ronaldo Serruya/Arthur, Henrique Zanoni/Anderson FILMAGENS: Itahaém, São Paulo PALMARÉS: Prêmio APCA de melhor filme do ano, Prémios Guarani (nomeado para melhor filme e argumento original) ESTREIA: Vitrine Filmes 17.08.2017 (Brasil) 16.05.2018 (França) VISTO: Paris 06.04.2018 L'Arlequin NOTA: 4/5
Depois de Mektoub, My Love, de Abdellatif Kechiche, surge outro excelente filme sobre a sensualidade e a sexualidade da juventude. Em Mektoub, Amin testemunha deleitado mais do que participa na troca de afetos entre os seus amigos; em Corpo Elétrico, Elias multiplica as experiências sexuais com vários parceiros, experiências que depois narra e evoca com evidente prazer sensual. Também em Mektoub o corpo era elétrico: o início do filme mostrava uma tórrida relação sexual entre dois jovens, aliás testemunhada pelo protagonista numa curiosa cena peeping tom. O olhar e a palavra também contam e muito nas experiências sensuais a que os jovens deste filme se lançam. O filme de Kechiche passa-se no período de férias, sem os constrangimentos que o trabalho normalmente impõe ao espírito e ao corpo. O filme de Caetano filma, pelo contrário, o trabalho numa oficina de costura, onde trabalha o protagonista Elias mas também um dos seus amantes, entre outros amigos. Entre o trabalho e o prazer (bebida, festa e sexo) oscila a vida de Elias, mas há outros exemplos de relacionamento no filme: o casal de namorados muito jovens que deseja mais do que tudo casar, o jovem imigrante africano para quem a família está acima de tudo o resto, o grupo de drag queens que nunca se separam. Mais do que narrativo, Corpo Elétrico é filme de atmosfera, um filme de personagem. Gosto cada vez mais desses filmes.
Gabriel e a Montanha (Felipe Barbosa, 2017)
O cinema brasileiro não sai muito para o mundo, talvez porque o Brasil é um país-continente, feitos de várias e distintas culturas. Por essa razão é de saudar o segundo filme de Felipe Barbosa, que depois de um belo filme de interiores (Casa Grande), faz um filme nas belas paisagens de Africa. E escolheu uma história muito pessoal: o destino trágico do seu amigo de infância Gabriel Buchmann. Este universitário (interpretado por João Pedro Zappa) viajou por muitos países e morreu perdido numa montanha. A realização de Barbosa é impecável e foi consagrada em Cannes com o prêmio revelação da Semana da Crítica. Este filme ecoa um outro filme brasileiro, que também vi há anos no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, e de que muito gostei, em que um jovem entra na floresta amazônica e de lá não consegue sair com vida. Paris 11.2017 FCBP 4/5
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