Le Salaire de la peur (Henri-Georges Clouzot, 1953)
Le Salaire de la peur é uma das glórias do cinema francês. Recebeu alguns dos mais importantes prémios do cinema: Palma de Ouro em Cannes, Urso de Ouro em Berlim, Prix Méliès, BAFTA. Vi-o pela primeira vez ontem, no Grand Action, num ciclo de filmes galardoados com a Palma de Ouro (Cannes 2014 está à porta). É fácil perceber por que o filme foi e é tão celebrado e foi refeito (remake) duas vezes pelos americanos. Há cenas que nunca tinha visto no cinema da primeira metade do século, mesmo no americano. O filme tem ambição universalista rara no cinema francês da época, geralmente tão provinciano. Ouvem-se várias línguas, confrontam-se várias culturas e tudo bate certo. A primeira parte (longa) do filme, em que são apresentadas as personagens principais sem que haja qualquer luz sobre o que está para vir, é uma maravilha de definição de personalidades e culturas díspares. A segunda parte, quando quatro homens são escolhidos para a perigosa tarefa de transportar nitroglicerina por estradas irregulares, é um tour-de-force de suspense poucas vezes visto no cinema. Talvez este filme tenha antecipado muitos dos filmes americanos que nas décadas seguintes investiram na força dramática de iniciativas de grande risco de vida enfrentadas por grupos de homens. Um grande clássico. Paris 05.2014 Le Grand Action 5/5
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