É o primeiro livro que leio sobre Jean Renoir. É uma biografia sucinta e competente, como é norma nesta coleção da Gallimard. Jean Renoir é apontado como o maior cineasta francês, quando muito do período clássico, anterior à Nouvelle vague. Dois dos seus muitos filmes estão entre os meus preferidos, The River (1951) e sobretudo La Règle du jeu (1939). Da leitura deste livro fica claro que o reconhecimento do seu talento e dos seus filmes, pelo público e pela crítica, não foi regular e aconteceu bem menos vezes do que se poderia pensar. Renoir batalhou muito para ganhar um lugar ao sol e não à sombra do pai, o pintor impressionista Renoir. Muitos dos seus filmes, quer de produção francesa, quer da fase americana, foram compreendidos e valorizados apenas por algumas (poucas) vozes, muitas vezes gratificados com escasso público. Parece-me que o reconhecimento mais alargado e consensual que tiveram tantos realizadores clássicos (Ford, Wyler, Hawks, Carné, etc.) só chegou a Renoir a posteriori, depois da obra feita. Talvez continue a ser um cineasta mais amado por um núcleo duro e restrito de cinéfilos do que por um público mais alargado, mas interessado no cinema. Paris 2018 (4/5)
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12.6.18
19.5.15
Helena e os Homens (Jean Renoir, 1956)
Jean Renoir foi um dos poucos realizadores que conseguiu traduzir no cinema a ideia de leveza, de alegria, de felicidade quase infantil a que os seres humanos deveriam dedicar-se mais. Renoir fez isso, por exemplo, nos filmes da parte final da sua carreira e com atrizes que eram lendas vivas: Ingrid Bergman e Anna Magnani (Le Carosse d'or, 1953). Deu-lhes papéis de mulheres sedutoras mas generosas e a nossa visão dessas atrizes mudou para sempre. Ingrid Bergman foi muitas vezes sofredora, angustiada, manipulada nos filmes de Rosselini e Hitchcock. Renoir apareceu com uma varinha mágica e transformou-a naquilo que se vê neste filme: uma mulher cuja influência sobre os homens é usada para a felicidade pessoal de vários deles e para o bem comum (muda o futuro da França). Um filme indispensável. Paris, Le Desperado 3,5/5
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