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4.7.26

Robocop (José Padilha, 2014)

ROBOCOP (2014)
Ropocop (1987), o original de Paul Verhoeven, é um desses clássicos do cinema popular que é quase impossível ver novamente nas salas. É pena. Enquanto o cinema de autor nem precisa de cópias restauradas para aparecer nas salas, os grandes realizadores do cinema popular, como Verhoeven, Spielberg ou Cameron, nunca merecem o privilégio dos distribuidores e exibidores. É pena, repito, pois não há dvd ou blue-ray que valha o espetáculo de ver esses filmes nos grandes ecrãs. O brasileiro José Padilha estreou-se este ano em Hollywood com o remake de Robocop. Assegurou uma realização competente, mas sem chama. Ainda assim é um prazer ver este filme porque a história do polícia meio humano meio máquina continua a fascinar. Paris 03.2014    3/5

7.5.26

Jersey Boys (Clint Eastwood, 2014)

Bob Gaudio (música) e Bob Crewe (letras) criaram um jukebox musical sobre os Four Seasons, um quarteto de rapazes de New Jersey que nos deu pérolas pop dos anos 1960 como Sherry, My Eyes Adored You ou Can't Take My Eyes Off You. O musical estreou em 2005 e desde então percorre o mundo. Clint Eastwood, com a sua assinatura de prestígio, fez um filme baseado nesse musical e deu-lhe obviamente uma outra projeção. No entanto, trata-se de um dos mais fracos dos últimos filmes de Eastwood. Gostei do filme porque pude descobrir os rostos e as vidas por trás das canções fabulosas acima citadas. O rock-pop dos anos 1960 não está entre as minhas preferências, sobretudos nas interpretações originais de grupos vocais daquela época, mas reconheço que ao nível das composições já me sinto embalado. Há biopics melhores (inclusive de Eastwood) mas também os há bem piores. Paris 07.2014 NOTA:3/5

14.4.26

Love Is Strange (Ira Sachs, 2014)

Ira Sachs é um realizador já com alguns filmes reconhecidos, mas até agora vi dois, ambos de temática gay e escritos por Sachs e Mauricio Zacharias. Sãos muito bons. É um realizador que pode vir a dar-nos grandes filmes no futuro. Em 2012 vi Keep the lights on (2011) sobre o amor complicado, instável, entre dois jovens homens; este ano vi Love is strange (2014), uma belíssima história de amor que dura há 40 anos entre dois homens. Decidem então casar-se, mas o mais jovem deles fica desempregado por ter tomado essa decisão (trabalhava numa escola católica). O casal tem de vender o apartamento nova-iorquino e instalar-se provisoriamente e separadamente em casa de familiares. Ao fim de 40 anos, já casados, têm de dormir em sofás emprestados, longe um do outro. É a parte mais triste do filme, mas é muito comovente também porque  confirma que não podem viver um sem o outro. Também é um filme dedicado a Nova Iorque, às suas ruas e à sua luz, e suplanta o que Woody Allen tem feito ultimamente. Paris 11.2014 Odeon 4/5 

16.3.15

Inherent Vice (Paul Thomas Anderson, 2014)

Paul Thomas Anderson é um dos realizadores americanos mais ambiciosos. Como os escritores que tentam escrever o grande romance americano (e alguns acabam conseguindo), Anderson tenta com os seus filmes fazer um retrato abrangente da sua América. Desta vez adaptou um desses grandes escritores conterrâneos, Thomas Pynchon, e fez um filme forte, marcante e complexo. O problema é que o enredo é complexo demais, pois com duas horas de filme continuam a surgir personagens novas, cada uma mais excêntrica do que outras. E por vezes tive a impressão de que a tecla da excêntricidade faz cair o filme para um exibicionismo gratuito. Tal como o protagonista Joaquin Phoenix, excelente mas cabotino, que tem uma personagem difícil de compor. Mas gostei muito de ver o filme, apesar destes senões. Paris FQL 3,5/5

26.1.15

Listen Up Philip (Alex Ross Perry, 2014)


Um típico filme indie nova-iorquino, na linha de Woody Allen, em que a palavra está no centro da história. Aqui há narração off e as principais personagens são escritores. Como diz a publicidade, "muito inteligente". Mas é o tipo de filme que me cansa rapidamente, prefiro sem dúvida as grandes máquinas de Hollywood a este mundo fechado dos intelectuais da Grande Maçã. Se ao menos tivesse o humor de Woody... Paris 2,5/5

14.1.15

The Smell of Us (Larry Clark, 2014)

O último filme de Larry Clark está a ser o acontecimento cinematográfico da rentrée do novo ano. Os Cahiers dedicam-lhe 1/3 do número de janeiro. É acontecimento em França não só porque é uma excelente obra de cinema mas também porque Clark saiu pela primeira vez dos EUA para filmar. E escolheu Paris. Clark filma a juventude de famílias desafogadas que se reúne na rive droite, no espaço do Palais de Tokyo, para andar de skate e fazer tudo o que lhes dá na telha. Inclusive para se prostituir. Vemos então jovens angélicos a sair com velhos ricos que só pagam com maços de notas de 100 euros. Um desses encontros termina com uma orgia de violência, o suicídio de um dos jovens e um carro queimado. Estamos no centro da capital, não nas mal-afamadas cités.
Clark, como grande fotógrafo que é, explora novos caminhos para a imagem no cinema, integrando muitas gravações de telemóvel, captadas com diferentes graus de nitidez pelos próprios jovens do grupo, o que reforça a visão da juventude a partir do seu interior, sem juízos externos. Clark também não recua na apresentação do sexo explícito e perturbante, sobretudo quando se passa entre adolescentes e velhos. Glorificado pela sua estética, o cinema de Clark é mais crítico do que se pensa. A câmara de Clark quer retribuir em beleza toda a sensualidade e beleza efémera destes jovens efebos mas o que eles fazem com esses atributos inspira ao espectador sentimentos dúbios. Um grande filme (mas longe de me despertar o entusiasmo que tenho por outras obras menores). Paris 2015 Odeon 4/5

15.11.14

Annabelle (John R. Leonetti, 2014)

Um filme de terror eficaz, que tem provocado muitos distúrbios nas salas francesas por adolescentes sobreexcitados. Marcou o ano neste género de filmes, mas não é mais do que um razoável, mas eficaz, filme de terror. Eu tive de fechar os olhos em várias cenas, porque sou muito impressionável apesar de gostar deste género de filmes. Paris  2014 (2/5)

4.11.14

Hilla Medalia: The Go-Go Boys: The Inside Story of Cannon Films (2014)

Mais um documentário marcante sobre cinema. Estreou há dias nas salas francesas e bem merece a honra da grande tela, apesar de a maior parte dos filmes de que fala o documentário, da empresa Cannon, navegarem no oceano pimba da produção cinematográfica. Mas vamos por partes. Os dois protagonistas desta história real são dois primos israelitas, Menahem Golan e Yoram Globus, que depois de terem marcado a indústria de filmes de Israel nos anos 60 e 70, resolveram com audácia conquistar Hollywood. Foram eles que produziram, ainda em Israel, a série de filmes que marcou a minha idade da parvalheira: Gelado de Limão! Estes filmes fizeram grande sucesso entre os rapazes do início dos anos 80 em Portugal e particularmente na Alemanha.
Em Hollywood a Cannon Films marcou uma era, não se imaginando os anos 80 sem o que estes senhores fizeram. Resolveram fazer filmes em grande quantidade (mais de 40 por ano) e de vários géneros, mas quase sempre massacrados pela crítica. Fizeram ou marcaram as carreiras de Chuck Norris, Charles Bronson ou Jean-Claude Van Damme, tiveram o primeiro sucessso com Breakin', sobre o emergente breakdance, foram reis dos exploitation movies da época, mas pouco a pouco passaram a visitar Cannes apresentando lá os poucos filmes que resistem bem ao tempo: Runaway Train e Shy People de Andrey Konchalovsky, Love Streams, de John Cassavetes, King Lear, de Jean-Luc Godard, Fool For Love de Sam Shepherd, BarFly de Barbet Schroeder. Em 1993 a produtora faliu mas os valentes homens regressaram a Israel e impuseram-se de novo no cinema.
Um documentário fascinante. Paris 4/5
Gelado de Limão, filme israelita cult de 1978

22.6.14

Jonathan Nossiter: Résistance naturelle (2013)


Jonathan Nossiter regressa com um segundo documentário dedicado a uma das suas paixões, o vinho, depois de Mondovino (2004). Em Résistance naturelle (2013) acompanhamos as lutas de alguns viticultores italianos por uma cultura do vinho mais atenta à história dessa mesma cultura (ação do homem sobre a natureza), e resistente às determinações do grande capital que acabam por minar a pouca confiança que resta nos consumidores relativamente aos produtos produzidos pela terra. Paris 2014 MK2 Beaubourg 2.5/5

27.5.14

Walk of Shame (Steven Brill, 2014)

Black Out Total, título francês
A comédia americana dos últimos anos tem dado várias oportunidades às mulheres para brilharem através do riso, o que rompe de algum modo com a forte tradição masculina da comédia. Tem havido alguns bons filmes, mas este não é um deles. Elizabeth Banks protagoniza uma espécie de After Hours (Scorsese) mais virado para o efeito cómico, mas com pouca imaginação. Paris 2014 (2/5)

6.3.14

Pompeii (Paul W. S. Anderson, 2014)

Uma história de amor (entre um escravo e uma patrícia) petrificada nas ruínas de Pompeia. Romantismo garantido? Nem por isso: fogo mesmo só o do Vesúvio. Um filme-catástrofe que é em si quase uma catástrofe cinematográfica. Gladiator (2000), de Riddley Scott, é uma obra-prima absoluta ao pé deste filme de gladiadores passado em Pompeia. Um filme esquecível. Paris 03.2014 1,5/5