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8.1.18
Henri-Georges CLOUZOT
QUAI DES ORFÈVRES (1947)
Quai des Orfèvres é um film noir francês espantoso. Na altura em que foi feito, o cinema noir americano era uma força avassaladora que marcou os cinéfilos, e que esteve mesmo na origem da cinefilia moderna. A tentação de imitar ou inspirar-se nessa corrente era muito forte e Quai des Orfèvres é disso um exemplo. Mas Clouzot faz uma obra que em alguns aspectos se desvia dessa fonte inspiradora. A interpretação fabulosa do trio de protagonistas (Suzy Delair, Louis Jouvet, Bernard Blier) e a atenção aos pormenores da vida noturna de Paris, da vida dos artistas do music-hall, desviam o filme para as águas da comédia e do musical, mais do que seria esperado num filme que tem no assassinato de um homem o motor da ação. Delair mata um velho que assediava jovens ambiciosas como ela, mas o seu marido (Blier) torna-se o principal suspeito do crime. Jouvet entra em cena para encontrar o criminoso. Pelo meio há a inevitável loira (Simone Renant) que, apaixonada por Delair, cala tudo o que sabe da noite fatídica. Suzy Delair canta duas canções assinadas por Francis Lopez, Albert Lasry e André Hornez. Clouzot obteve com este filme o prémio de melhor realizador no Festival de Veneza. Paris 01.2018 Champo 4/5
Le Salaire de la peur (Henri-Georges Clouzot, 1953)
Le Salaire de la peur é uma das glórias do cinema francês. Recebeu alguns dos mais importantes prémios do cinema: Palma de Ouro em Cannes, Urso de Ouro em Berlim, Prix Méliès, BAFTA. Vi-o pela primeira vez ontem, no Grand Action, num ciclo de filmes galardoados com a Palma de Ouro (Cannes 2014 está à porta). É fácil perceber por que o filme foi e é tão celebrado e foi refeito (remake) duas vezes pelos americanos. Há cenas que nunca tinha visto no cinema da primeira metade do século, mesmo no americano. O filme tem ambição universalista rara no cinema francês da época, geralmente tão provinciano. Ouvem-se várias línguas, confrontam-se várias culturas e tudo bate certo. A primeira parte (longa) do filme, em que são apresentadas as personagens principais sem que haja qualquer luz sobre o que está para vir, é uma maravilha de definição de personalidades e culturas díspares. A segunda parte, quando quatro homens são escolhidos para a perigosa tarefa de transportar nitroglicerina por estradas irregulares, é um tour-de-force de suspense poucas vezes visto no cinema. Talvez este filme tenha antecipado muitos dos filmes americanos que nas décadas seguintes investiram na força dramática de iniciativas de grande risco de vida enfrentadas por grupos de homens. Um grande clássico. Paris 05.2014 Le Grand Action 5/5
3.12.17
Miquette et sa mère (Henri-Georges Clouzot, 1950)
Os franceses gosta(va)m muito de filmes sobre teatro, talvez porque permitissem fazer brilhar as grandes estrelas do teatro na tela do cinema. Em Miquette et sa mère, dois jovens (Danièle Delorme e Bourvil) de diferente condição social pretendem casar-se mas o jovem é herdeiro de um marquês que pretende a namorada do sobrinho para ele. Miquette e a sua mãe entram para uma companhia de teatro e a partir daí o filme passa-se entre os bastidores e o palco, até que os dois apaixonados se juntam. Como aconteceu noutros filme, gostei da presença de Bourvil e achei insuportável a prestação de Louis Jouvet. Produção de Silver Films, Alcina e CICC (Raymond Borderie). Paris 2,5/5
15.11.17
Le Scandale Clouzot (Pierre-Henri Gibert, 2017)
Um documentário que aborda de forma original e livre a obra e a vida do grande cineasta Clouzot. Aproximar-se do homem, de feitio problemático, através do cineasta em ação. Paris 3,5/5
9.5.14
Le Salaire de la peur (Henri-Georges Clouzot, 1953)
Le Salaire de la peur (Henri-Georges Clouzot, 1953)
Le Salaire de la peur é uma das glórias do cinema francês. Recebeu alguns dos mais importantes prémios do cinema: Palma de Ouro em Cannes, Urso de Ouro em Berlim, Prix Méliès, BAFTA. Vi-o pela primeira vez ontem, no Grand Action, num ciclo de filmes galardoados com a Palma de Ouro (Cannes 2014 está à porta). É fácil perceber por que o filme foi e é tão celebrado e foi refeito (remake) duas vezes pelos americanos. Há cenas que nunca tinha visto no cinema da primeira metade do século, mesmo no americano. O filme tem ambição universalista rara no cinema francês da época, geralmente tão provinciano. Ouvem-se várias línguas, confrontam-se várias culturas e tudo bate certo. A primeira parte (longa) do filme, em que são apresentadas as personagens principais sem que haja qualquer luz sobre o que está para vir, é uma maravilha de definição de personalidades e culturas díspares. A segunda parte, quando quatro homens são escolhidos para a perigosa tarefa de transportar nitroglicerina por estradas irregulares, é um tour-de-force de suspense poucas vezes visto no cinema. Talvez este filme tenha antecipado muitos dos filmes americanos que nas décadas seguintes investiram na força dramática de iniciativas de grande risco de vida enfrentadas por grupos de homens. Um grande clássico. Paris 05.2014 Le Grand Action 5/5
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