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18.2.19

La Commare Seca (Bernardo Bertolucci, 1962)

Belo cartaz para a reposição nas salas francesas do primeiro filme realizado por Bernardo Bertolucci. Uma prostituta é assassinada num parque público romano. Sucedem-se os depoimentos de vários homens que passaram nesse dia pelo parque. Conhecemos a Roma periférica dos pobres e dos mandriões, dos malandros de toda a espécie, que encontramos tal e qual nos filmes de Pasolini da época (é dele a ideia do filme). Um olhar documental, quase todo filmado no exterior, atores não profissionais, benvindos ao cinema novo italiano dos anos 60. Mas o cinema velho de autor (Fellini, Antonioni, Rosselini, Visconti) estava igualmente numa fase de grande criatividade. Produzido por Tonino Cervi. Paris 2019 Reflet Médicis 3/5

6.1.15

Abel Ferrara: Pasolini (2014)

A maior e excelente surpresa do filme é a encarnação de Willem Dafoe. Soberbo. De resto, soube a pouco para um filme de Ferrara. O filme reconstitui os últimos dias de vida de Pasolini, inclusive o seu assassinato. Mas o filme também nos apresenta o pensamento e a imaginação literária de Pasolini através de sequências oníricas, que antecipam o seu destino imediato. Cruzamo-nos então com os seres mais importantes na vida de Pasolini: a mãe, Laura Betti (Maria de Medeiros), Ninetto Davoli. Se Ferrara está por vezes inspirado, também não consegue marcar-nos como nos seus melhores filmes. Paris 2015 La Bastille 3/5 

23.1.14

Pasolini Roma, a exposição (2013)

Pasolini Roma foi uma das melhores exposições que vi em 2013. É uma exposição que acompanha a vida e o trabalho de Pasolini na sua cidade de eleição. Ele foi obrigado a abandonar a sua terra natal, no Friuli, tendo-se exilado com a mãe em Roma. 
Sempre me interessei por geografias literárias, por achar que a arte (literária ou outra), não só tem uma geografia natural onde acontece mas que também é influenciada pela geografia físicia e humana dos lugares. A sociologia estudou já como muitas formas culturais só puderam surgir nas grandes cidades, nas metrópoles. Faltou a esta exposição um pouco de ambição teórica que pudesse equacionar o trabalho de Pasolini numa cidade como Roma. 
Mas o que é apresentado na exposição, para quem conhece a obra (sobretudo cinematográfica) de Pasolini, é muito interessante. São documentos pessoais ou profissionais que testemunham a atividade frebril de Pasolini (trabalha de dia como um monge, escreveu ele). Os lugares onde morou (chegou a morar no mesmo prédio dos Bertolucci), onde rodou os filmes passados em Roma, enfim onde conviveu com os mais importantes companheiros da sua vida (Moravi e Elsa Morante, Laura Betti e Ninetto Davoli). E também o encontro com duas mulheres excepcionais que deram origem a filmes míticos: Anna Magnani (Mamma Roma) e Maria Carlas (Medeia).
Pela primeira vez vi uma mesma exposição em duas cidades diferentes: em Barcelona (em agosto, de passagem pela cidade) e agora em Paris. Há elementos cénicos que aparecem numa cidade e que desaparecem na outra. E gostei mais de ver em Barcelona, pois o espaço era bem mais amplo e tinha muito menos gente.

21.10.13

Medea (Pier Paolo Pasolini,1969)



Finalmente vejo Medea no grande écran. O encontro de Callas e Pasolini resultou numa obra poderosa e desigual, mas cheia de momentos fulgurantes, em que a Voz comunica mais com o olhar e com o corpo do que com a voz. Uma exposição e uma retrospetiva na Cinemateca Francesa e a reposição de vários filmes em cópias restauradas: assim é homenageado Pasolini neste final de 10.2013 em Paris. 3,5/5