Pasolini Roma foi uma das melhores exposições que vi em 2013. É uma exposição que acompanha a vida e o trabalho de Pasolini na sua cidade de eleição. Ele foi obrigado a abandonar a sua terra natal, no Friuli, tendo-se exilado com a mãe em Roma.
Sempre me interessei por geografias literárias, por achar que a arte (literária ou outra), não só tem uma geografia natural onde acontece mas que também é influenciada pela geografia físicia e humana dos lugares. A sociologia estudou já como muitas formas culturais só puderam surgir nas grandes cidades, nas metrópoles. Faltou a esta exposição um pouco de ambição teórica que pudesse equacionar o trabalho de Pasolini numa cidade como Roma.
Mas o que é apresentado na exposição, para quem conhece a obra (sobretudo cinematográfica) de Pasolini, é muito interessante. São documentos pessoais ou profissionais que testemunham a atividade frebril de Pasolini (trabalha de dia como um monge, escreveu ele). Os lugares onde morou (chegou a morar no mesmo prédio dos Bertolucci), onde rodou os filmes passados em Roma, enfim onde conviveu com os mais importantes companheiros da sua vida (Moravi e Elsa Morante, Laura Betti e Ninetto Davoli). E também o encontro com duas mulheres excepcionais que deram origem a filmes míticos: Anna Magnani (Mamma Roma) e Maria Carlas (Medeia).
Pela primeira vez vi uma mesma exposição em duas cidades diferentes: em Barcelona (em agosto, de passagem pela cidade) e agora em Paris. Há elementos cénicos que aparecem numa cidade e que desaparecem na outra. E gostei mais de ver em Barcelona, pois o espaço era bem mais amplo e tinha muito menos gente.