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1.8.26

Il Vigile (Luigi Zampa, 1960)

Alberto Sordi é um italiano do povo que envergonha a sua família, pois recusa-se a trabalhar a não ser como agente de polícia. E consegue-o por tanto chatear as autoridades municipais. Mas as coisas não vão correr como ele e os seus esperavam... O argumento é do grande Rodolfo Sonego, que tanto contribuiu para o sucesso da commedia all'italiana. Paris 02.2016 Cinémathèque 3/5

4.1.22

Una storia moderna: l'ape regina (Marco Ferreri, 1963)

Saborosa sátira ao matriarcado à italiana. Uma jovem e bela mulher (Marina Vlady) seduz um solteirão machista (Ugo Tognazzi), que em breve será totalmente domesticado pela família da mulher. Paris 2021 Reflet Medicis 3,5/5

6.10.20

Il Maestro di Vigevano (Elio Petri, 1963)

Il Maestro di Vigevano é uma comédia sobre a classe docente, pouco retratada no cinema... Alberto Sordi e Claire Bloom formam um casal frustrado pela miséria que lhes impõe a profissão de Sordi, professor do ensino primário. Este está tolhido não só pela carreira e pela obediência cega que deve ao diretor da escola como também pelos preconceitos masculinos que o fazem vigiar de perto a mulher. Até quando vai aguentar? Paris 2020 Le Champo 3/5

8.6.19

Luigi COMENCINI 1970s

LO SCOPONE SCIENTIFICO (1972)
Reconheço que já gostei mais da comédia à italiana. E ver um exemplo tardio da mesma piora as coisas. Lo Scopone scientifico (1972) pertence à fase "feios, porcos e maus" em que o povo não tem qualquer emenda. De certa forma é uma reação à idealização do povo italiano presente no cinema italiano desde os heróicos anos 40. Um casal de desgraçados que vive num bairro de lata romano, tenta todos os anos depenar uma velha americana rica que tem o vício do jogo de cartas. Mas essa velha é Bette Davis, dona de um repertório de mulheres terríveis e implacáveis. Quem sairá depenado no final é o casal e todos os habitantes do bairro de lata. Abundam no filme, do princípio ao fim, as cenas de histeria coletiva, que tornam tudo demasiado grotesco para o meu gosto. Produção de Dino De Laurentiis. Com Alberto Sordi (prémio David di Donatello), Silvana Mangano (prémio David di Donatello), Bette Davis e Joseph Cotten. Paris 09.2016 FQL 3,5/5

LA DONNA DELLA DOMENICA (1975)
La Donna della domenica (1975) é um giallo (policial) de Luigi Comencini que adapta um romance dos especialistas do gênero Fruttero e Lucentini. Um arquiteto conhecido é assassinado, provocando um rebuliço entre os membros da classe alta de Turim (os industriais do Norte, como repetem os agentes encarregados da investigação). Liderando o inquérito para descobrir o assassino, Marcello Mastroianni segue tanto a intuição profissional quanto as artes de sedução de uma das suspeitas, Jacqueline Bisset. A história secundária mais interessante é a de dois homossexuais, um assumido (funcionário da Câmara Municipal) outro que não assume nunca a relação deles, apesar de (ou por) ser filho da burguesia industrial local, claramente conservadora. Este giallo é dominado pelo registo cômico e mesmo a morte do arquiteto perde a sua dimensão trágica quando no início do filme a vítima nos é apresentada como um perverso abominável que trata as mulheres abaixo de cão. Porém, o mesmo não se pode dizer do jovem homossexual que vai morrer quando descobrir o assassino. Ele expôs-se ao perigo para salvar a sua relação amorosa, para provar que o amante não tinha assassinado o arquiteto. Trata-se de uma história secundária comovente, cuja gravidade destoa do argumento principal, que segue a superficialidade própria das intrigas de Agatha Christie (no final todos os suspeitos encontram-se no mesmo local e seguirão juntos para a esquadra e lá permanecerão até se descobrir o assassino).  Paris 06.2016 Le Champo 3/5

IL GATTO (1977)
Dois irmãos (Ugo Tognazzi e Mariangela Melato) que não se suportam, tentam expulsar todos os inquilinos do prédio de que são herdeiros, para assim receberem uma fortuna. Comédia tardia da época de ouro do cinema italiano, sem a graça das comédias mais antigas. Nem os atores salvam a parada. Paris 06.2019 Le Champo 2/5
L'INGORGO (1979)
Una storia impossibile
Num mega engarrafamento romano as vidas pequenas das gentes de todas as classes. Não me lembro de ter visto tantas estrelas num só filme, todas aquém do que são capazes com argumentos mais interessantes. 3/5 VISTO: Paris 07.2015 Le Champo
Porto 11.08.2025 Trindade


10.2.19

Venga a prendere il caffè da noi (Alberto Lattuada, 1970)

Deliciosa comédia à italiana sobre um funcionário público cinquentão (Ugo Tognazzi) que decide, para assegurar o seu futuro, conquistar três irmãs solteironas, herdeiras de bens e de uma boa fortuna. Casa-se com a mais velha mas desfruta das três e por pouco a empregada juntava-se ao seu harem pessoal... Paris 2019 Le Reflet 3/5

6.9.17

Il vedovo (Dino Risi, 1959)

A comédia à italiana explora com frequência os sonhos e as angústias do macho italiano. Este sai por vezes diminuído, abalado, escarnecido pelas mulheres que ele supõe dominar. O Viúvo é disso um exemplo eloquente. O grande sonho de Alberto Sordi é ver-se viúvo, para poder ser o homem superior que ele pensa que é, e que a mulher o impede de ser. Uma comédia negra como poucas. Paris 2017 Le Champo 3,5/5

10.5.17

I complessi (1965)

Um excelente filme de sketches pouco conhecido da idade de ouro da comédia à italiana. E que atores! Nino Mandredi, Ugo Tognazzi, Alberto Sordi. Paris 2017 FQL 4/5
Nino Mandredi em
Una giornata decisiva, de Dino Risi

Ugo Tognazzi em
Il complesso della schiava nubiana, de Franco Rossi

Alberto Sordi em
Guglielmo il dentone, de Luigi Filippo D'Amico

3.10.16

Una vita difficile (Dino Risi, 1961)

Já estava um tanto cansado da commedia all'italiana, certamente por ter visto demasiados filmes que sublinham a traço grosso (e por vezes grotesco) a força do povo italiano. Nada como ver uma obra-prima de Dino Risi que opta por retratar a evolução de uma personagem (Alberto Sordi) e da sua relação com a mulher para voltar a interessar-me pela comédia all'italiana. Sordi é um resistente na segunda guerra, um partigiano comunista, jornalista na imprensa clandestina, que é salvo do fuzilamento por uma mulher. Depois da guerra, eles casam-se mas a fidelidade aos seus ideais mantém Sordi na pobreza, situação que desagrada à mulher e à sogra. Por amor, o jornalista acaba por enterrar os seus ideais e tornar-se capacho de um rico local. Até a mulher descobrir a situação humilhante a que conduziu o marido... Não me lembro de comédia melhor sobre as mudanças políticas no período em questão. Uma das melhores comédias que já vi. Paris 2016 Christine 4/5

24.8.16

Pane, amore e gelosia (Luigi Comencini, 1954)

No final do primeiro Pan, amore, os protagonistas Vittorio De Sica e Gina Lollobrigida encontravam a respetiva cara-metade mas, para que o par justificasse a continuação da série, teriam de voltar a encontrar-se frente a frente. Então os casais desfazem-se devido ao ciúme provocado por uma dança comprometedora entre Vittorio e Gina. Este segundo filme voa mais baixo do que o primeiro. VC 2016 (3/5)

Pane, amore e fantasia (Luigi Comencini, 1953)

Foi tal o sucesso de Pane, amore e fantasia, que involuntariamente iniciou uma famosa tetralogia que terminaria em 1958. Vittorio De Sica chega a uma aldeia para assumir o posto de autoridade policial máxima e, como os outros machos do local, perderá a razão quando conhecer a jovem Gina Lollobrigida. Commedia all'italiana aqui é isto: italianos e italianas excitados com a perda da honra em aldeias onde esta é constantemente vigiada por todos; milagres de pacotilha que excitam o povo e opõem-no à igreja; etc. Tudo isto poderia resultar num filme bem negro e crítico da pequenez católica, mas Comencini optou por carregar nas tintas e não deixar nenhum espectador sisudo. Bene ma non troppo. VC 2016 (3/5)

27.1.16

Gli Anni Ruggenti (Luigi Zampa, 1962)

Nunca tinha visto um filme de Luigi Zampa, mas à última hora resolvi ir à cinemateca ver o filme inaugural da retrospetiva do realizador italiano. Que grande descoberta! Gli anni ruggenti (1962) nem será o seu melhor filme, mas que grande obra satírica se revelou! Uma pequena cidade italiana no tempo de Mussolini prepara-se para receber um inspetor de Roma que chega para verificar se o Fascismo está bem assimilado pelas autoridades locais e pela população. Mas todos se enganam no homem e tomam um vendedor de seguros pelo agente fascista. Poucas vezes vi um filme em que a comicidade revela de forma tão inteligente as contradições e o absurdo de todo um projeto político. O filme é uma adaptação brilhante de uma conhecida novela de Gogol. Gli anni ruggenti é umas melhores comédias italianas que conheço. Paris 01.2016 Cinémathèque 4/5

3.7.15

Mariti in città (Luigi Comencini, 1957)

Inspirado no célebre filme Seven Year Itch (1955) de Billy Wilder, com Marilyn, Mariti in Città é uma comédia sobre o mês dos homens, agosto, quando ficam livres das mulheres que partem com as crianças para a praia. Por umas semanas voltam à saudosa vida de solteiro e às aventuras amorosas sem futuro. Um clássico da comédia italiana que vejo pela primeira vez. Paris 2015 FQL 3,5/5