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28.7.26

Carousel (Henry King, 1956)

Caso para dizer, Carousel, o musical de Rodgers and Hammerstein (1945), é muito superior à sua adaptação cinematográfica pela Fox, com realização de Henry King. Isso acontece muitas vezes com os musicais. Em Carousel, estão duas das minhas canções americanas preferidas: Soliloquy e You'll Never Walk Alone. Competentes, os protagonistas Gordon MacRae e Shirley Jones não ficam na memória e resta-nos sonhar com a participação de Frank Sinatra, que estava prevista para ser o protagonista mas que ele à última hora recusou. Vila do Conde DVD 3/5

The King and I (Walter Lang, 1956)

 
Esta comédia musical é muito famosa, tanto o original da Broadway (1951), quanto a adaptação ao cinema, tratando-se de um dos clássicos de referência do cinema musical. Mas não corresponde ao tipo de musical de que mais gosto. A transposição do show da Broadway é feita sem chama para a grande tela, e como a ação passa-se quase exclusivamente em interiores, a dívida em relação à origem teatral do projeto faz-se sentir ainda mais. Que diferença em relação aos musicais de Arthur Freed na MGM! O que mais  me interessa no filme é, por um lado, a maravilhosa partitura de Rodgers & Hammerstein II, e, por outro, a prestação de Deborah Kerr, uma atriz conhecida e famosa das comédias e melodramas não-musicais. A sua prestação tem a sua classe habitual, tendo sido dobrada nas canções. Foi nomeada para o óscar, mas apenas ganhou o Golden Globe para melhor atriz. Yul Breyner, que marcou a versão cénica original de The King and I, ganhou o óscar para melhor ator, a mais prestigiada das cinco estatuetas ganhas pelo filme. Houve ainda uma nomeação para melhor filme do ano (o produtor foi Charles Bracket) e outra para melhor realizador (Walter Lang). Mas recebeu mesmo assim o Globo de Ouro para melhor filme de comédia ou musical. Nada mau. VC 08.2016 DVD 3/5

9.7.26

High Society (Charles Walters, 1956)

Este clássico da comédia musical é importante por vários motivos. Trata-se do último filme de Grace Kelly, antes da sua passagem para a realeza europeia. Duas instituições americanas encontraram-se pela primeira vez num filme: Frank Sinatra e o seu ídolo Bing Crosby. E Louis Armstrong tem uma participação extensa com a sua orquestra. Além disso, Cole Porter assina as composições originais deste filme que é uma espécie de remake musical do famoso The Philadelphia Story, peça de 1939, que deu origem ao filme de George Cukor de 1941, com Katharine Hepburn na protagonista de ambas as produções. High Society é bem inferior a The Philadelphia Story e nessa comparação reside o principal problema. A energia e o ritmo do filme de Cukor, uma das melhores comédias de sempre, nunca são igualados e os atores-cantores não têm o talento de Hepburn e Cary Grant. Tinha visto filme em 2013 e quis vê-lo novamente na Cinemateca Francesa pensando que se tratava de uma cópia restaurada. Não foi assim. Curiosamente, na sessão a que assisti havia uma claque que aplaudia os números musicais, sobretudo os de Louis Armstrong e no final houve muitos aplausos. Sinal de que os espetadores não se enganaram quando em 1956 fizeram de High Society um dos dez filmes mais vistos nos EUA. Paris: Le Desperado 2013 & Cinemateca Francesa 2015 3/5

27.4.26

Invitation to the Dance (Gene Kelly, 1956)

Invitation to the Dance (1956) foi um projecto longamente acarinhado por Gene Kelly. Depois de ter sido protagonista de dois dos maiores filmes musicais de sempre, An American in Paris (1951) e Singing in the Rain (1952), foi trabalhar para a Europa e dedicar-se a um filme totalmente dançado, sem ação dramática. As filmagens foram realizadas nos estúdios da MGM de Londres e passaram por numerosos problemas. O filme tem três episódios: "Circus" (música de Jacques Ibert), "Ring Around the Rosy" (música de Andre Previn) e "Sinbad the Sailor" (música de Rimsky-Korsakoff) e contou com grandes nomes do ballet da altura, como Igor Youskevitch, Claude Bessy ou Tamara Toumanova. Estreou anos depois de ter sido realizado, pois a MGM previa dificuldades na sua exploração comercial. Foi um flop histórico, de facto.
Edição francesa: Coleção "Les trésors Warner. La collection TCM" (2012)
Ainda hoje Invitation to the Dance revela problemas em chegar ao público, apesar da sua reconhecida qualidade. Existe uma edição em VHS de 1983 (!), uma edição em CED (antepassado do DVD) e há poucos anos a Warner decidiu disponibilizá-lo em DVD para quem o encomendasse (made-to-order DVD). O DVD oficial é recente. Em França está editado na coleção "Les trésors Warner. La collection TCM" de 2012. Coleção que publicou muitos filmes inéditos em DVD. O filme nunca foi restaurado.
CED VideoDisc (1980s)

9.2.21

Lisbon (Ray Milland, 1956)

Uma espécie de Casablanca passado em Lisboa, ninho de contrabandistas com vistas magníficas, que embalam o romance entre Ray Milland e Maureen O'Hara. Já Claude Rains é o chefe da mafia internacional assente na capital portuguesa. Nelson Riddle assina a música Lisbon Antigua, devidamente americanizada, enquanto Anita Guerreiro canta Lisboa Antigo numa casa de fados para deleite dos pombinhos Milland e O'Hara. Lisboa foi o primeiro filme de Hollywood filmado em Portugal. Melun 2021 TV 2/5

27.3.20

Storm Center (Daniel Tabadash, 1956)


A bibliotecária de uma pequena cidade americana vê-se demitida do seu cargo quando recusa retirar da biblioteca um livro sobre o comunismo. Pior foi o linchamento popular de que foi alvo e a perda da amizade das crianças que ela ajudara na sua formação como leitores. Foi o primeiro filme realizado em Hollywood a denunciar o clima instalado na América pela sanha mccarthista contra os comunistas. O filme passa bem a sua mensagem política e social mas não passa disso... apesar da marcante presença de Bette Davis, num papel que inicialmente se destinava a Mary Pickford e depois a Barbara Stanwyck. Melun 03.2020 2,5/5
Storm Center (Daniel Taradash, 1956), produzido por Julian Blaustein (Phoenix Productions), argumento de Taradash e Elick Moll, com Bette Davis, Brian Keith, Kim Hunter, Paul Kelly, música de George Duning.
2025 NT

28.12.15

Three Violent People (Rudolph Maté, 1956)

Three Violent People: raramente discordo de um título, mas este desconcertou-me. Quem serão as três pessoas violentas do filme? Um capitão (Charlton Heston) regressa da guerra, com fama de bom militar, e de caminho casa (sem o saber) com uma prostituta (Anne Baxter) e vai assumir o rancho familiar. Os problemas surgem do confronto com as autoridades, com o irmão (Tom Tryon) e da descoberta do segredo da mulher. Longe dos melhores westerns da mesma época, mesmo assim interessante do princípio ao fim. Vila do Conde 3/5

16.6.15

Bus Stop (Joshua Logan, 1956)


Este filme foi o primeiro que Marilyn fez depois de ter passado pelas lições de Lee Strasberg do Actor's Studio. Marilyn já tinha feito alguns dramas mas a consagração veio com as comédias e as comédias musicais em que participou. Marilyn queria provar o seu talento de atriz dramática e para isso já tinha dado um passo para ficar independente das majors criando a sua própria produtora. Ainda há pouco li na biografia de Terence Rattigan, o maior dramaturgo inglês da época, como Marilyn o tinha contactado para ele escrever um argumento para ela e Laurence Olivier. Eu adoro Marilyn em todos os papéis que ela fez, mas realmente ela é divina nas comédias e nos musicais e menos convincente nos papéis dramáticos, apesar da sua presença insuperável em The Misfits. Bus Stop conta o encontro entre dois seres que tudo opõe: a cantora de saloon que conhece os homens desde criança e o vaqueiro virgem que trata as mulheres com menos tacto do que os seus animais. O filme não é apenas um drama, tem muito de comédia, devido à personagem masculina principal e à sua relação com a cantora. Vi este filme na televisão em 2003, e duas vezes em sala (o que valoriza o cinemascope em que foi feito) no cinema Le Desperado em 2012 e agora em 2015. De todas as vezes o encanto repetiu-se. Paris 2015 Le Desperado 4/5 DVDTECA 
Bus Stop (Fox, 1956), em Portugal Paragem de Autocarro (nomeado ao Golden Globe para melhor filme), produção de Buddy Adler (Fox), argumento de George Axelroad e William Inge (adaptação de peça de Inge), com Marilyn Monroe (nomeada ao Golden Globe), Don Murray (nomeado aos BAFTA e Oscar), Arthur O'Connell, Betty Field, Eileen Heckart, Robert Bray e Hope Lange. Canção cantada por Marilyn: That Old Black Magic (Harold Arlen & Johnny Mercer).




Coleção Jorge Tomé Santos

DVDTECA
South Pacific (1958)
Camelot (1967)
Paint Your Wagon (1969)