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11.8.23

Marie-Hélène LAFON

Aurillac 1962
Editor Buchet/Chastel

Le Soir du chien (2001, romance)

Liturgie (2002)

Les derniers indiens (2008)

L'Annonce (2010)
Leitura

Les pays (2012)


Há escritores que constroem uma obra de grande qualidade, mas longe dos holofotes dos media e longe das multidões de leitores. E tornam-se, em alguns casos, em escritores de culto, pelo menos para alguns leitores. Em Portugal, penso em Teresa Veiga, em França em Marie-Hélène Lafon. Esta excelente escritora publicou agora Joseph, o seu último breve romance e pela crítica que li no Le Monde pude confirmar que ela mantém-se fiel ao universo que conheci nos seus livros Les Pays (2012) e Le Soir du Chien (2001). O mundo rural, a solidão dos habitantes desse mundo, agravada pela desertificação humana por que ele passa, os que ficam e os que partem, os problemas familiares, a observação de um mundo em extinção, são alguns dos temas que saltam de livro para livro de Lafon. É daqueles autores que estão a escrever sempre o mesmo livro e fazem-no de modo cada vez mais profundo. Mas acima de tudo, como estamos a falar de literatura, Lafon tem um estilo magnífico, conciso e revelador das complexas relacões entre as personagens ou entre estas e o meio que as envolve. Uma obra a que voltarei sempre. Setembro de 2014

JOSEPH (2014)
Joseph é um trabalhador agrícola. Trabalha e quase sempre vive nas quintas que precisam de mão-de-obra. Um homem solitário, mesmo antes de se ter afastado dos poucos familiares que tinha. Marie-Hélène Lafon faz um retrato implacável de um ofício, de um mundo em extinção, visto através de uma personagem que não se esquece facilmente. Um figura humana que vive pela superior arte literária de Lafon, que já conhecia e nunca desilude. Paris 07.2016 4/5

NOS VIES (2017)

Até agora o livro menos interessante de Lafon. A narradora conta a sua vida e a de duas ou três outras pessoas que costuma ver no supermercado. Inventa-lhes histórias, um passado, uma geografia, um conjunto de rotinas, simplesmente. Mas com uma língua sempre excelente. Melun 06.2021 3,5/5

Le Pays D'En Haut (2019)
Marie-Hélène Lafon
Entretiens avec Fabrice Lardreau
Arthaud 2023
Collection Versant Intime
BIBLIOTECA

HISTOIRE DU FILS (2020)
Prémio Renaudot

Histoire du fils é a história de uma família, uma saga familiar de certo modo, durante cerca de um século, mas marcada por uma complexidade narrativa e estilística invulgar. Adorei ler este brilhante romance de Lafon, e leria novamente com prazer o livro, inclusive para clarificar o puzzle que a autora propõe. A história de André, que nunca chegou a conhecer o pai mesmo sabendo quem ele era, é apresentada com permanentes saltos entre épocas e uma profusão de personagens que dá vertigem. É o ponto fraco do romance. Demoramos a entrar na história, o que nos obriga a mentalmente desenhar uma árvore genealógica que nem sempre é clara. Mas as personagens são fascinantes e a história acaba também por ser inesquecível. Melun 03.2021 (4/5)