Obra de Stephanie Lovett Stoffel
Leio mais um volume da coleção Découvertes Gallimard. Tal como os Pré-Rafaelitas (leitura imediatamente anterior a esta), Lewis Carroll foi um vitoriano eminente. Viveu no e marcou o período politicamente dominado pela rainha Vitória.
Claro, todos sabemos, ele é o autor da Alice in the Wonderland e foi um grande fotógrafo da época. Nasceu na província inglesa numa família numerosa e feliz, teve inicialmente uma educação caseira (dada pelo pai) e depois frequentou boas public schools antes de entrar na universidade de Oxford, onde ficou durante toda a sua vida profissional. Foi professor de matemática e desde cedo um grande amador de arte e espetáculos (por exemplo, admirou desde o início os Pré-Rafaelitas). Especializou-se na fotografia retratista e são famosas (e polémicas) as suas fotografias de meninas.
Viveu solteiro durante toda a vida. Antes da reforma da universidade de Oxford, ocorrida no início da carreira de Lewis Carroll, era regra a universidade alojar os seus professores na condição de eles permanecerem solteiros. Mas Lewis optou por essa condição e tornou-se, devido à celebridade em vida conquistada com Alice, numa instituição em Oxford.

Dedicou-se, a par do professorado, a publicar livros didáticos sobre matemática. Acompanhou a passagem da sua Alice ao teatro (1886), que resultou numa comédia musical, um clássico de Natal até aos anos 1930. Escreveu outras obras que se tornaram clássicos: The Hunting of the Snark, um poema nonsense publicado com enorme sucesso em 1876, e o romance Sylvie and Bruno, que não obteve a mesma repercussão das outras obras. As suas obras foram publicadas com ilustrações, uma arte muito novecentista, e para tal escolheu os meus desenhadores da época. Lewis Carrol também desenhava mas preferida orientar o trabalho de um especialista com talento. VC 2014: 4/5