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2.8.26

Miklós Jancsó

Miklós Jancsó na Cinémathèque
Costumo ir às sessões de cinema B da Cinemateca Francesa e geralmente tenho boas surpresas. Na verdade é o elemento surpresa que me atrai a essas sessões sempre tão concorridas. Como a Cinemateca está a apresentar uma retrospetiva de Miklós Jancsó, uma sessão dupla de cinema B foi-lhe dedicada. Mas foi uma grande desilusão. Quem me dera ter ido antes ver um velho clássico de Hollywood, mesmo de terceira categoria. La Pacifista (1970), protagonizado por Monica Vitti, é um dos piores filmes que conheço. Vizi privati, pubbliche virtù (1976), que passou por Cannes, é mais interessante. São bem filmes dos anos 70, de um realizador do Leste das ditaduras comunistas. Em ambos os filmes são encenados desafios desregrados aos poderes instituídos: no filme La Pacifista a democracia capitalista contemporânea é alvo de um belicoso grupo neo-fascista e em Vizi privati o império austro-húngaro é minado por dentro pela vida dissoluta do herdeiro do trono (que é morto a mando do próprio pai). La Pacifista: 1/5 & Vizi privati, pubbliche virtù: 2/5

31.7.26

14.7.26

Domicile Conjugal (François Truffaut, 1970)

Domicile Conjugale (1970) & L'Amour en Fuite (1979). Estes são é o segundo e o terceiro filmes da trilogia com a personagem Antoine Doinel, sempre interpretado por Jean-Pierre Léaud. Como eu suporto mal este ator, são filmes que me deixam um pouco indiferente, embora adore a liberdade de tom próprio da nouvelle vague, num registo cómico (Léaud é muito bom nisso, reconheço) e com um sentido de observação da realidade quotidiana do casal que faz lembrar o Woody Allen dos anos 70. 
EST 1.09.1970 (França, salas) 30.03.1971 (Portugal, salas) VISTO Paris 11.2014 FQL 3/5, Porto 06.07.2026 Trindade
Coleção Jorge Tomé Santos


6.7.26

Domicile Conjugal (François Truffaut, 1970)

REAL François Truffaut ARG François Truffaut, Claude de Givray, Bernard Revon ELENCO Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer, Barbara Laage EST 1.09.1970 (França, salas) 30.03.1971 (Portugal, salas) VISTO Paris 2014 FQL / Porto 6.07.2026 Trindade

24.5.26

Os Deuses e os Mortos (Ruy Guerra, 1970)


O filme de Ruy Guerra, Os Deuses e os Mortos, ganhou os principais prémios do VI Festival de Cinema de Brasília: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Othon Bastos), melhor atriz (Dina Sfat) e melhor fotografia (Dib Lufti). O filme segue a estética de muitos filmes do cinema novo brasileiro, levada ao seu ponto máximo nas obras-primas de Glauber dos anos 60. Mas neste filme de Ruy Guerra, que se torna quase insuportável ver hoje, resta apenas um gesto vazio de quem quer fazer arte hermética. Uma desilusão. No entanto: soberba música do grupo Som Imaginário, com Milton Nascimento, que também atua no filme. Paris, Cinemateca Francesa (2013) 2/5

30.4.26

Quelé do Pajeú (Anselmo Duarte, 1970)

 

Um bom western brasileiro de que só existe uma cópia italiana (felizmente VO com legendas em italiano). O título italiano foi mantido na edição brasileira em DVD: A Fúria do Vingador. O filme, protagonizado pelo astro Tarcísio Meira, conta a história de um campesino que pretende vingar o estupro da irmã e acaba juntando-se ao grupo de foras-da-lei comandados por Lampião. Melun 2021 TV 3/5

12.4.26

The Owl and the Pussycat (Herbert Ross, 1970)

Barbra Streisand e George Segal
Uma comédia romântica original sobre o encontro entre uma call-girl e um aspirante a escritor, dois seres perdidos e neuróticos (Barbra bate Segal aos pontos neste quesito) que começam por se insuportar e acabam mansos nos braços um do outro. Streisand foi nomeada para os Golden Globes, para mim estraga o filme com a sua interpretação overacted e cabotina. Quando é bem dirigida, como no seu primeiro filme Funny Girl, com o veterano Wyler, ou no disco Guilty, com Barry Gibb, Streisand é soberba. Mas neste filme de Herbert Ross está à solta e insuportável. VC 07.2018 DVDteca 2/5 

18.7.24

Éric ROHMER 1970s

Le Genou de Claire (1970)
DVDTECA



Die Marquise von O (1976)
DVDTECA

Perceval le Gallois (1978)
DVDTECA

Catherine de Heilbronn (1979)

DVDTECA

15.10.20

Tristana (Luis Buñuel, 1970)

Em Toledo, cidade histórica sombria e muito católica, em plena sociedade repressiva (oitocentista ou franquista?), um homem velho (Fernando Rey) é amante da jovem órfã (Catherine Deneuve) de quem é tutor. Esta logo se desilude com o tutor e procura homens da sua idade, um rapaz mudo filho da criada, e um pintor (Franco Nero). A sociedade pode ser conservadora mas o que se passa no foro privado desafia as leis sociais mais básicas. E claro há toda a dimensão de perversidade sexual que não estará na obra adaptada de Galdós (1892) mas pertence ao universo do próprio realizador. Paris 2020 Cinémathèque 4/5

21.9.20

Andrei KONCHALOVSKY Até 1989

11º Homer & Eddie (Andrei Konchalovsky, 1989)
Homer and Eddie foi consagrado com a Concha de Oro, prémio principal do Festival de San Sebastian. Mas foi a única consagração do filme, alvo de muitas críticas na estreia. No entanto, o filme é emocionante, e tem a coragem de tratar de duas personagens empurradas para a margem da sociedade: uma mulher revoltada com apenas um mês para viver (Whoopi Goldberg), e um simples de espírito à procura dos pais que o abandonaram em criança (Jim Belushi). Um filme que não envergonha nenhum dos artistas que nele participaram. Paris 10.2020 Cinémathèque 3/5

10º SHY PEOPLE (1987)

Um dos melhores filmes dos anos 80 (produzido pela Cannon) foi ignorado nos principais prémios do cinema. Passou por Cannes, onde Barbara Hershey foi consagrada melhor atriz, e outra atriz do filme, Martha Plimpton, foi nomeada ao Spirit Award. Uma jornalista e a filha novaiorquinas (Jill Clayburgh e Martha Plimpton) vão ao sul conhecer a família, mas encontram uma parente (Hershey) a viver com os filhos num pântano, isolada da civilização. A mãe domina-os completamente,  através do fantasma do pai, mantendo um dos filhos preso numa jaula. Poderia ser um filme de terror mas nunca envereda por esse terreno. Foi uma grata descoberta. Paris 09.2020 Cinémathèque 4/5
9º DUET FOR ONE (1986)
Duet for One é uma peça de teatro de Tom Kempinski (1980) sobre a depressão de uma violinista decorrente da doença que lhe foi diagnosticada. Ela abandona a carreira de concertista e o seu próprio casamento se desfaz. O filme vale pela história (inspirada na violoncelista Jacqueline du Pré) e pelos grandes atores: Julie Andrews, Max Von Sydow, Alan Bates, Liam Neeson, Macha Méryl, Rupert Everett. Andrews foi nomeada ao Golden Globe. Paris 09.2020 Cinémathèque 3/5
(Coleção João Mestre, do site Museu do Cinema)
8º RUNAWAY TRAIN (1985)

ARGUMENTO: Đorđe Miličević, Paul Zindel e Edward Bunker (história de Akira Kurosawa) PRODUÇÃO: Menahem Golan Yoram Globus (Northbrook Films, Golan-Globus Productions) MÚSICA: Trevor Jones     ESTREIA: 06.12.1985 (EUA) EP Lusomundo 26.06.1987 COMBOIO EM FUGA (Portugal)     ELENCO: Jon Voight, Eric Roberts, Rebecca De Mornay, John P. Ryan, Kyle T. Heffner, T. K. Carter, Kenneth McMillan     BUD: 9M    BO: 8M 
VISTO: PV 1987 CT Garrett, Paris 2013 Le Grand Action     NOTA: 4/5

7º MARIA'S LOVERS (1984)
REALIZAÇÃO: Andrei Konchalovsky ARGUMENTO: Gérard Brach, Andrei Konchalovsky, Paul Zindel, Marjorie David PRODUÇÃO: Bosko Djordjevic Lawrence Taylor-Mortorff ELENCO: Nastassja Kinski, John Savage, Robert Mitchum   LOCAL F.: Brownsville, Pennsylvania ESTREIA: OS AMANTES DE MARIA 10.05.1985 (Portugal)  VISTO: PV 1985 CT Garrett     NOTA: 3.5/5

4º O TIO VÂNIA (1970)
Uma versão sombria, tensa, do clássico de Tchékhov. Uma família dilacerada, onde ninguém parece feliz, mas lutam pela felicidade, todos os dias. Paris 09.2020 Cinémathèque 4/5

14.8.19

Getting Straight (Richard Rush, 1970)

GETTING STRAIGHT (1970)
Talvez o melhor de Getting Straight seja Elliott Gould, que dá corpo às convulsões da época de grandes transformações sociais lideradas e desejadas pelos jovens contra a autoridade da geração mais velha que domina as instituições (estamos nos últimos anos dos 1960s). O filme em português chama-se O Protesto e é disso que se trata, de um protesto interminável que toma conta dos estudantes de uma faculdade, onde Elliott tenta desesperadamente terminar o curso para passar a exercer uma profissão e ter dinheiro nos bolsos, to get straight enfim, se bem percebi o título original. Mas o protesto dos colegas fala mais alto ao estudante que ele foi até aí, que viveu do desenrascanço e mesmo da falta de profissionalismo. Com Jeff Corey, Bailey, Robert F. Lyons, Harrison Ford. TV 08.2019 3,5/5

8.4.19

Morte a Venezia (Luchino Visconti, 1970)

São tantas as maravilhas deste filme que esquecemos facilmente os seus elementos datados (abundância de zooms tão anos 70 ou as discussões insuportáveis sobre a arte). O melhor para mim é o filme mudo dentro do filme, que revela como num sonho as paisagens íntimas do protagonista (Dirk Bogarde), um compositor que passa umas semanas em Veneza para descansar. O referido filme mudo tem como centro o jovem Tadzio e a mãe (Silvana Mangano), uma família da elite em férias. Este pequeno mundo conheceu Luchino Visconti muito bem, da sua infância, e talvez por isso a sua representação no filme tenha uma dimensão evanescente e irreal. O filme é também um canto do cisne, pois o músico desperta para o amor pela última vez. Magnífica a cena do barbeiro, quando ele se embeleza e se prepara para o grande encontro (o amor? a morte?). Paris 2019 FQL 4,5/5

10.2.19

Venga a prendere il caffè da noi (Alberto Lattuada, 1970)

Deliciosa comédia à italiana sobre um funcionário público cinquentão (Ugo Tognazzi) que decide, para assegurar o seu futuro, conquistar três irmãs solteironas, herdeiras de bens e de uma boa fortuna. Casa-se com a mais velha mas desfruta das três e por pouco a empregada juntava-se ao seu harem pessoal... Paris 2019 Le Reflet 3/5

2.10.17

Zabriskie Point (1970)

Gosto muito, mesmo muito deste filme de Antonioni. Vi-o pela primeira vez em 2008 no cinema Champo e agora revi-o no cinema da mesma rua, Filmothèque du Quartier Latin. Em ambas as sessões muitos, muitos jovens (hoje eu era o mais velho na plateia). O filme fala da juventude que no final dos anos 60 se ergueu contra o sistema burguês dominante, juntando-se aos movimentos dos negros e revolucionários que tinham o mesmo inimigo. Nesse sentido, Zabriskie Point é datado: impossível compreendê-lo sem o conhecimento dos problemas da época em que foi realizado. Nunca tinha encontrado essa relação tão direta à realidade política nos filmes que vi de Antonioni. Mas Zabriskie também é marcado pelas temáticas mais obviamente associadas ao cinema do realizador. A incomunicação entre as personagens é evidente, não só a do protagonista, mas entre os jovens, e entre estes e a geração mais velha. O protagonista entra também numa espiral de perda de contacto ou de crença na realidade que o circunda, o que lembra as conhecidas crises de outras personagens antonionianas. Como noutros filmes do italiano, a paisagem é em si um estado da alma, e neste caso que outra poderia ser escolhida senão o deserto americano? Muito bom. Paris 2017 FQL 4,5/5

18.11.16

Andy Milligan: Torture Dungeon (1970)


Uma raridade, um filme estranho como poucos. A monarquia inglesa em versão camp e gore, que faz lembrar os Monty Python. Paris 2/5

31.10.16

Bob RAFELSON 7/12

1º HEAD (1968)

2º FIVE EASY PIECES (1970)
Five Easy Piece é um dos momentos altos da produtora BBS Productions. Narra a história de um homem (Jack Nicholson) com formação de pianista que em tempos abandonou a carreira e a família para ser operário, dedicando-se a trabalhos duros e sujos. Um dia visita a família porque o pai está doente. Os poucos dias que passa na casa paterna revelam todo o mal estar que aí sente, em particular a relação problemática com o irmão. De certa forma, o filme expõe o conflito entre valores tradicionalistas, por um lado, e valores libertários e não conformistas, por outro, cenário que reflete as transformações sociais e cinematográficas americanas do início dos anos 70. No entanto, acima de tudo, o que importa é a história de um indivíduo e da sua relação problemática com a família, o mundo e consigo mesmo. Com os inesquecíveis Jack Nicholson, Karen Black, Susan Anspach, Ralph Waite e Sally Struthers. VISTO: Paris 2008 FQL REVISTO: Paris 10.2016  FQL 4/5

3º THE KING OF MARVIN GARDENS (1971)
The King of Marvin Gardens é um filme bem representativo das BBS Productions. Tem em comum com Five Easy Pieces, outro marcante filme da produtora, a história centrada na relação problemática entre dois irmãos e na falência da instituição familiar. O protagonista de ambos os filmes é Jack Nicholson, cuja personagem vive afastado da família (ou do que dela resta) mas é levado a reatar contacto com o irmão. Os dias que passam juntos revelam o profundo desentendimento entre os dois. Um escreve narrativas radiofônicas e vive uma existência apagada, o outro dedica-se a negócios obscuros e ilegais e lança-se em projetos megalómanos destinados ao fracasso. Como nos outros filmes da BBS que vi, a sociedade americana neles representada é composta pelos exlcuídos do american dream, pelos inadaptados sociais. Em The King... os dois irmãos representam duas formas completamente distintas de exclusão social. Uma pelo apagamento de si, pela reclusão e pela ficção de cariz autobiográfico (o radialista Jack Nicholson), outra pelo protagonismo voluntarista em negócios e projetos quiméricos (o empreendedor Bruce Dern). Muito bom. VISTO: Paris 2008 FQL REVISTO: Paris 10.2016  FQL 4/5
4º STAY HUNGRY (1976)

REALIZADOR: Bob Rafelson ARGUMENTO: Charles Gaines e Bob Rafelson, adaptação do romance de Gaines (1972) PRODUTOR: Harold Schneider, Bob Rafelson ELENCO: Jeff Bridges, Sally Field, Arnoldo Schwarzenegger ESTREIA: 23.04.1976 (EUA) Inédito em Portugal? VISTO: Paris 26.09.2024 Cinémathèque  NOTA: 3.5/5

5º THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE (1980)

REALIZAÇÃO: ARGUMENTO: David Mamet, 4ª adaptação do romance de James M. Cain (1934) FOTO: Sven Nykvist MÚSICA: Michael Small PRODUTORES: Lorimar Productions, Northstar International, Metro-Goldwyn-Mayer ELENCO: Jack Nicholson, Jessica Lange, John Colicos, Michael Lerner, John P. Ryan, Anjelica Huston, William Traylor ESTREIA: 20.03.1981 (EUA) 30.10.1981 (Portugal) VISTO: TV 1985 REVISTO: Paris 26.09.2024 Cinémathèque NOTA: 3/5
6º BLACK WIDOW (1987)
REALIZADOR: Bob Rafelson ARGUMENTO: Ronald Bass PRODUTOR: Laurence Mark, Harold Schneider ELENCO: Debra Winger, Theresa Russell, Sami Frey, Dennis Hopper, Nicol Williamson, Diane Ladd FOTO: Conrad L. Hall MÚSICA: Michael Small ESTREIA: 06.02.1987 (EUA) 26.06.1987 (Portugal)  VISTO: Paris 02.10.2024 Cinémathèque NOTA: 4/5


7º MOUNTAINS OF THE MOON (1990)

8º MAN TROUBLE (1992) DVDteca

REALIZADOR: Bob Rafelson ARGUMENTO: Carole Eastman PRODUTORES: Vittorio Cecchi Gori, Carole Eastman, Bruce Gilbert // Penta Pictures ELENCO: Jack Nicholson, Ellen Barkin, Harry Dean Stanton, Beverly D'Angelo, Michael McKean, Saul Rubinek, Veronica Cartwright FOTO: Stephen H. Burum MÚSICA: Georges Delerue ESTREIA 15.10.1993 (Portugal) VISTO: VC 2011 DVDTECA
9º WET (1995)

10º BLOOD & WINE (1996)
REALIZADOR: Bob Rafelson ARGUMENTO: Nick Villiers, Alison Cross, história de Nick Villiers e Bob Rafelson PRODUTOR: Jeremy Thomas // Recorded Picture Company ELENCO: Jack Nicholson, Stephen Dorff, Jennifer Lopez, Judy Davis, Michael Caine MÚSICA: Michał Lorenc ESTREIA: Festival de San Sebastián 1996, 21.02.1997 (EUA) 6.06.1997 (Portugal) VISTO: Paris 29.09.2024 Cinémathèque NOTA: 3/5

11º POODLE SPRINGS (1998)

12º NO GOOD DEED (2002)


14.11.15

Il Conformista (Bernardo Bertolucci, 1970)

Excelente reposição nas salas da versão restaurada de um grande filme de Bertolucci. O percurso de um fascista "normal" (Jean-Louis Trintignant) é o tema deste filme. Mas tal como não consegue suportar o casamento de fachada (com Stefania Sandrelli) que procurou (pois na verdade deseja a rebelde Dominique Sanda), o nosso heroi também não consegue assumir a sua vocação fascista até ao fim (recusa eliminar antifascistas). Paris 4/5

28.5.15

Lo chiamavano Trinità (Enzo Barboni, 1970)

A personagem Trinitá e a dupla Bud Spencer e Terence Hill ajudaram a popularizar o western spaghetti em todo o mundo. E foi com Lo chiamavano Trinità que este filão cómico e paródico do western spaghetti começou a atrair multidões. E os filmes anteriores com esses atores voltaram às salas para aproveitar a onda de sucesso. A história acaba por ser pouco importante, contando sobretudo o ritmo que as duas personagens impõem ao filme. Trata-se portanto de um filme de personagens como muitos da tradição do burlesco, e em que o enredo conta pouco. Paris 2015 Le Brady 2,5/5

20.5.15

Jean-Pierre MELVILLE

UN FLIC (1972)
Un flic junta Alain Delon e Catherine Deneuve, duas estrelas maiores dos anos 70, mas a química entre os dois não resulta. Poucos filmes vi de Melville mas já deu para perceber que o realizador é insuperável nas (longas) cenas de ação envolvendo polícias e ladrões, um mundo masculino feito de poucas palavras, muita ação e alguma honra. Em Un Flic assistimos a dois assaltos espetaculares, sendo o assalto do comboio particularmente impressionante para um filme europeu. O filme é um dos menos bons de Melville mas hoje não há polars franceses com este nível. Paris 05.2015 Le Reflet Médicis 3,5/5

LE CERCLE ROUGE (1970)
Le Cercle Rouge é um dos melhores filmes de Melville e inclui o tour de force do assalto à joalharia da Place Vendôme, quase meia hora de ação sem qualquer fala. Aliás este tipo de cena que envolve um assalto meticuloso tornou-se uma imagem de marca de Melville, estando presente em três dos quatro filmes que acabo de ver dele. Outra coisa surpreendente é a representação glacial de França, de Paris, que já tinha sido evidente em Un Flic. A Paris de Melville apenas existe sob um céu de chumbo ou sob chuva e as gabardines cobrem muitas personagens (mas não o guarda-chuva, que nem polícias nem ladrões usam). Mas é a atmosfera humana dos seus filmes que é pouco menos do que glacial. Em Melville só temos direito a corações no inverno: quase nenhuma das personagens tem companheira. Também em vão podemos esperar um sorriso de alguém. Em Le Cercle Rouge, a personagem do chefe de polícia (Bourvil) tem um único momento de ternura na sua vida: quando chega a casa e dá de comer aos gatos. Em todos os filmes que conheço de Melville é esta cena dos gatos a mais ternurenta. Um grande polar à francesa. Paris 05.2015 4/5

L'ARMÉE DES OMBRES (1969)
Este é um dos melhores filmes de Melville. Soube que foi estreado nos Estados Unidos apenas em 2006, tendo recebido uma série de prémios para melhor filme do ano. Quando estreou em França, o acolhimento não foi muito favorável. Afinal o filme trata da Resistência francesa durante a segunda Guerra Mundial e o contexto politico em que é visto influencia a sua leitura. Voltei a encontrar neste filme alguns traços presentes nos filmes de Melville da mesma época. Um classicismo extremo na realização que apenas acentua a representação glacial da sociedade francesa durante a guerra onde tudo está suspenso. As cidades estão vazias, as estradas também. O mais curioso é que os resistentes (Lino Ventura, Simone Signoret, entre outros) assemelham-se aos ladrões de outros filmes, preparando meticulosamente os assaltos ao ocupante nazi. E neste tipo de cenas, com poucas falas e muita ação, Melville é insuperável. Paris 05.2015 Arlequin 4/5
LE SAMOURAI (1967(
Nunca tinha visto este grande clássico. Merece todos os elogios que fui ouvindo sobre ele. Sério candidato ao melhor polar, ao melhor film noir europeu de sempre. E no entanto a história já foi mil vezes contada. Um homem (Alain Delon) é contratado para matar outro, mas logo vê-se perseguido pela polícia que o quer prender e pelos contratantes que o querem eliminar. Paris 12.2018 Ecoles 21 4/5