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4.8.26

Raging Bull (Martin Scorsese, 1980)

The Wolf of Wall Street está a ser um enorme sucesso de crítica e de bilheteira em França, como um pouco por todo lado. Em Paris, o cinema Le Grand Action, que apresenta na sua sala panorâmica o último filme de Scorsese, resolveu estrear uma cópia restaurada de Bertha Boxcar (1972) e apresentar um ciclo com alguns dos melhores filmes do realizador.
Aproveitei então este ciclo para rever duas grandes obras: Raging Bull (1980) e Goodfellas (1990). Ambos são obras-primas do cinema e marcaram a cultura popular (o que nem todas as obras-primas conseguem). Nas duas sessões a que assisti, o que me surpreendeu, para além de a sala estar quase cheia, foi a extrema juventude dos espetadores. Geralmente o público dos clássicos não prima pela juventude, mas ficou claro para mim que Scorsese continua a renovar o seu público.
Cinemateca 1991 & Le Grand Action 2014 4,5/5


27.2.20

The Irishman (Martin Scorsese, 2019)

The Irishman é um capítulo da vasta crónica de Scorsese sobre a comunidade italo-americana, marcada pelo crime organizado chamado Mafia. Robert De Niro, em fim de vida, narra a sua vida nessa organização criminosa, onde tinha como comparsas Al Pacino e Joe Pesci. O filme é muito bom, mesmo que pise terreno já batido pelo próprio realizador. Pelo New York Film Critics Circle foi considerado o melhor filme e Joe Pesci o melhor ator secundário. Foi nomeado para os seguintes Golden Globe e Oscars (10 nomeações ao Oscar no total): Best Motion Picture, Director, Screenplay (Steven Zaillian) e Actor in a Supporting Role (Al Pacino e Joe Pesci). Vila do Conde 2019 Netflix 4/5

15.5.17

The Departed (Martin Scorsese, 2006)

The Departed foi um dos primeiros filmes que vi quando vim viver para Paris, em 2006, e apesar de na altura ter gostado bastante do filme, mal me lembrava da história. Há pouco vi Infernal Affairs (2002), que inspirou The Departed (na verdade é um remake do filme de Hong-Kong). E procurei de imediato ver o filme de Scorsese. Tanto um como outro podem hoje ser considerados clássicos. E The Departure não podia ser mais scorsesiano, abordando os temas da família, da moral e da culpa, da masculinidade e da violência. Talvez seja o último grande filme de Scorsese, a par com o Lobo de Wall Street. O casting é impressionante e convém ser listado aqui: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga, Anthony Anderson e Alec Baldwin. Ganhou o oscar para melhor filme, melhor realizador, argumento e montagem. Paris 2006 & 2017: 4/5

21.2.17

Silence (Martin Scorsese, 2016)

Muito académico para um filme de Scorsese, Silence é mesmo assim um bom filme sobre um momento crítico do encontro entre a Europa e o Japão. Fanatismo de um lado (os jesuítas portugueses) e terrorismo de Estado do outro (a Inquisição japonesa): entre os dois muitos cristãos japoneses, e alguns padres portugueses, passaram por um verdadeiro calvário. Paris 3/5

7.2.16

Scorsese L'Exposition

Nunca tinha visto uma exposição de cinema com tanta gente... E tantos jovens! Bem, a exposição e Scorsese merecem tal sucesso. A exposição organiza-se segundo um critério temático: a família, a amizade marcada pela fraternidade entre irmãos, a cinefilia, a música, entre outros, são temas fortes do cinema de Scorsese. Podemos ver adereços de filmagens, cartazes, fotos de filmagens, storyboards e muitos excertos dos filmes projetados em grandes ecrãs. O habitual nas exposições de cinema. Paris Cinemateca Francesa 3/5

28.11.15

Martin Scorsese: Nova Iorque Fora De Horas (1985)

Vira apenas uma vez o filme Nova Iorque Fora de Horas, quando estreou nos anos 80. Era um dos filmes de que me lembrava de forma mais nítida depois de tantos anos, e que muito me tinha entusiasmado na época. Fui agora revê-lo na cinemateca francesa, integrado na retrospetiva dedicada a Scorsese. Claro que gostei muito de ver o filme, mas é dos poucos casos em que gostei bem mais da primeira vez em que o vi. As grandes obras e os meus filmes preferidos (não é a mesma coisa) parecem melhorar com o tempo ou pelo menos revê-los iguala ou supera as visões anteriores. Mesmo assim Fora de Horas é uma brilhante comédia cheia de qualidades que os cinéfilos apreciam. Paris 2015 Cinémathèque 3.5/5

17.10.15

The Color of Money (Martin Scorsese, 1986)

Vi ontem The Color of Money e por fim um sonho de cinéfilo se tornou realidade: ver toda a obra ficcional de Martin Scorsese. Agora é continuar com coisa tão boa como descobrir os filmes pela primeira vez: revê-los. Há poucos Scorsese que não tenho vontade de rever, três aliás já me passaram três vezes pelos olhos: Taxi Driver, Casino e Goodfellas. Ainda esta semana revi New York New York, um dos meus preferidos dele mas não muito amado nem pelo realizador nem pelo público em geral. The Color of Money é em primeiro lugar um grande duelo entre atores, Tom Cruise e Paul Newman, ambos soberbos. O bilhar não me interessa nada e o filme não mudou a minha indiferença em relação a este jogo, mas Scorsese encontrou nesta atividade mais um pretexto para o seu jogo preferido, a arte de filmar. Mais um grande filme de Scorsese. Paris 2015 Cinémathèque 4/5
Oscar para Paul Newman e nomeação para Richard Price (argumento). Mary Elizabeth Mastrantonio foi nomeada (como atriz num papel secundário) ao Oscar, ao Golden Globe e ao prémio do NYFCC.

9.2.15

The Age of Innocence (Martin Scorsese, 1993)

Os americanos importaram as maneiras de viver europeias quando estavam a formar-se como nação mas carregaram nas tintas e criaram um conservadorismo que asfixiou violentamente as liberdades de muitos. Ellen (Michelle Pfeiffer) e Newland (Daniel Day-Lewis), (auto)reprimidos na sua paixão, foram duas presas nas garras dessa sociedade conservadora dos finais do século XIX. A elite WASP de Nova Iorque também tinha os seus padrinhos, que davam a sua benção ou faziam e desfaziam a reputação das ovelhas negras. E assim o filme entra no terreno da antropologia. Pode não ser o melhor filme de Scorsese, mas é seguramente o mais belo e o que prefiro entre todos os que ele realizou. The Age of Innocence é como certos vinhos, melhora com o passar dos anos. Quando estreou vi-o duas vezes; agora revi-o e todas as qualidades originais desta obra confirmam-se. Mais um filme para o meu top pessoal. Jay Cocks foi nomeado ao Oscar do argumento, Wynona Ryder ao de melhor atriz secundária e Elmer Bernstein ao de melhor score musical. PV 1994 Santa Clara & Paris 2015 FQL 5/5

6.2.15

Bertha Boxcar (Martin Scorsese, 1972)

Penso que apenas me faltava ver este filme para conhecer a filmografia completa de Martin Scorsese. Em França os filmes do realizador são regularmente colocados nas salas, quer através de reprises de versões restauradas quer através de ciclos abrangentes que acabam por abarcar toda a sua obra. Em janeiro, por exemplo, foi reposto The Age of Innocence na mesma sala que tem apresentado a retrospetiva de Scorsese, Bertha Boxcar é um filhote de Bonnie & Clyde (1967), filme de Arthur Penn que marcou muita gente e certamente também Scorsese. A autobiografia de Bertha Boxcar serve de base ao filme: uma jovem torna-se fora da lei nos tempos da Grande Depressão, formando uma quadrilha com um sindicalista, um jogador de cartas e um negro. Um excelente filme, embora Scorsese esteja em casa mesmo é nas ruas de Nova Iorque. Bertha Boxcar testemunha a paixão que o realizador manifestou desde os primeiros filmes pelo tema da criminalidade. Paris 2015 FQL 4/5

3.2.15

Mean Streets (Martin Scorsese, 1973)

Mean Streets é um ensaio para obras-primas futuras como Goddfellas (1990) mas ao mesmo tempo é um grande filme com força própria. É um filme de grupo (a comunidade italiana de Nova Iorque em festa) e é também um filme sobre a amizade condenada entre dois amigos de infância. É o mais comovente do filme e a grande interpretação cabe a Robert De Niro no papel do amigo que deita tudo a perder. É alguém que simplesmente não fez a passagem para a idade adulta e isso ser-lhe-á fatal. Um dos raros filmes de Scorsese que não conhecia. Acabei por vê-lo duas vezes em menos de um ano. Paris 2015 FQL 4/5

21.1.14

The Wolf of Wall Street (Martin Scorsese, 2013)

O ISEG antecipou-se na estreia do filme em Portugal
Scorsese em território conhecido: a ascensão e queda de um herói, um lobo e a sua matilha em Wall Street. Nada de novo por aqui, inclusive a magnífica realização de Scorsese. Quanto aos atores, DiCaprio é soberano, mas quando ele era ainda um lobinho, foi iniciado por Matthew McConaughey, que nos primeiros minutos do filme rouba a cena. Pena que esta personagem tenha logo desaparecido. Grande noite de cinema! Paris, Odeon 4,5/5
Nomeados ao Oscar: DiCaprio, Jonah Hill, Scorsese (filme e realização) e Terence Winter (argumento). Nomeados ao BAFTA: Scorsese (realizador), DiCaprio e Winter e Thelma Schoonmaker (montagem). Melhor filme para a AFI e NBR

13.1.14

Goodfellas (Martin Scorsese, 1990)

Goodfellas (1990)

The Wolf of Wall Street está a ser um enorme sucesso de crítica e de bilheteira em França, como um pouco por todo lado. Em Paris, o cinema Le Grand Action, que apresenta na sua sala panorâmica o último filme de Scorsese, resolveu estrear uma cópia restaurada de Bertha Boxcar (1972) e apresentar um ciclo com alguns dos melhores filmes do realizador.

Aproveitei então este ciclo para rever duas grandes obras: Raging Bull (1980) e Goodfellas (1990). Ambos são obras-primas do cinema e marcaram a cultura popular (o que nem todas as obras-primas conseguem). Nas duas sessões a que assisti, o que me surpreendeu, para além de a sala estar quase cheia, foi a extrema juventude dos espetadores. Geralmente o público dos clássicos não prima pela juventude, mas ficou claro para mim que Scorsese continua a renovar o seu público. Paris 2014 Le Grand Action 4/5