Londres 06.2024 RA 3/5
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes 1700s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes 1700s. Mostrar todas as mensagens
9.6.24
29.2.24
26.5.22
Boilly (Musée Cognac-Jay, 2022)
Louis-Léopold Boilly (1761-1845) foi um um pintor que se destacou como (grande) retratista e cronista da sociedade do seu tempo. Nos seus quadros, que privilegiam os grupos, o coletivo, aparece quase sempre o seu auto-retrato. Foi o primeiro pintor a apresentar trompe l'oeil num salão oficial de arte. Gostei das suas séries de quadros Les Grimaces e dos mais de cinco mil retratos que fez dos seus contemporâneos (pintava-os em duas horas e com as mesmas dimensões). Paris 2022 Musée Cognac-Jay 4/5
20.6.21
L’Empire des sens (Musée Cognacq-Jay, 2021)
L’Empire des sens, de François Boucher a Jean-Baptiste Greuze, é uma viagem ao erotismo na pintura francesa do Oitocentos. Destaque para Boucher e a sua fixação na bunda feminina, como o escandaloso l'Odalisque brune. Nunca esquecerei os muitos quadros com ninfas nuas na natureza rodeadas de seres e objetos que simbolizavam, para o apreciador da época, o desejo masculino, a perda da virgindade, a concepção, etc. Uma exposição interessantíssima. Paris 2021 Musée Cognacq-Jay 5/5
1.6.21
Peintres femmes, 1780-1830 (Musée du Luxembourg, 2021)
De certo modo, o quadro que mais me impressionou na exposição não é provavelmente um dos melhores, mas é aquele que resume para mim o espírito da exposição. Nesse quadro vemos um atelier de pintura cheio de aprendizes, todas mulheres, um cenário onde só me lembrava de ter visto homens. O século 18 testemunhou uma presença crescente das mulheres artistas, um fenómeno imparável até hoje. Mas a Revolução Francesa pareceu contrariar essa tendencia, pois algumas dessas mulheres pintoras tiveram de exilar-se para continuar a trabalhar (e a viver). Mas a Revolução significou também o acesso ao trabalho de todas as mulheres, sem distinção social. Paris 2021 Musée du Luxembourg 4/5
23.2.17
Un Suédois à Paris au 18e siècle - La collection Tessin (Louvre, 2017)
O conde Carl Gustaf Tessin foi embaixador da Suécia em Paris entre 1739 e 1742. Durante esse período comprou de forma compulsiva quadros dos melhores pintores franceses da época, ganhou a amizade de alguns deles, encomendou-lhes pessoalmente algumas obras e, num leilão famoso, comprou dois mil desenhos. Qundo regressou à Suécia, cheio de dívidas, foi obrigado a desfazer-se da sua coleção, que foi adquirida pelo estado sueco. A coleção de desenhos é uma das glórias do Museu Nacional da Suécia, mas também a coleção de pinturas é deveras impressionante, pela amostra que pude ver no Louvre este ano. Paris 4/5
17.4.16
Light, time, legacy - Francis Towne’s watercolours of Rome
Light, time, legacy - Francis Towne’s watercolours of Rome. Chama-se assim a excelente exposição que o British Museum está a apresentar desde janeiro. Francis Towne caiu no esquecimento durante um século mas desde os anos 1920 tem sido reabilitado e reconhecido como um grande aguarelista britânico. Como muitos artistas seus contemporâneos, visitou e pintou Roma (1780-81) e foi essa produção de aguarelas que o tornaram grande aos olhos dos seus contemporâneos. Uma boa descoberta. Londres 04.2016 3,5/5
1.4.16
Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature
Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature, é uma pequena exposição apresentada pelo Museu Cognacq-Jay sobre um pintor um pouco esquecido do século XVIII, século a cuja arte é dedicado aquele Museu. Huet teve uma carreira típica de artista consagrado para aquele século: tornou-se membro da Academia em 1768 (como "artiste animalier"), teve em 1869 a sua primeira participação no Salon des Arts e em 1770 obteve um atelier/apartamento no Louvre. Especializou-se na pintura de gênero, de géneros pouco nobres como a pintura de animais, e num gênero popular como o pastoral. Não tentou a pintura histórica, a mais importante. Algumas das suas melhores pinturas são: Un dogue se jetant sur des oies (1869, pintura com que foi recebido na Academia), Un loup percé d'une lance (1771) e Le Petit Chien au ruban bleu (1771). Com o tempo passou a dedicar-se à pintura e ao desenho para decoração de interiores. Fornece modelos de tapeçaria para a manufatura real de Beauvais, e a partir de 1783 até à sua morte é um dos principais colaboradores da manufatura de Jouy, fundada por Oberkampf em Jouy-en-Josas. Paris 3/5
21.3.16
Hubert Robert (1733-1808) Un Peintre Visionnaire
![]() |
Hubert Robert 1733-1808 Un Peintre Visionnaire, no museu do Louvre, é a primeira retrospetiva do pintor em Paris desde 1933. Hubert Robert fez a sua formação em Roma, onde permaneceu como pensionista da Academia de França entre 1754 e 1965. Tendo Pannini e Piranesi como referências na pintura de arquitetura, HR tornou-se com o tempo um pintor de arquitetura, sobretudo de ruínas. Havia na época a moda da Antiguidade, a "anticomania" que tinha a arte antiga como modelo e as escavações arqueológicos como método. Foi Diderot quem falou em "poética das ruínas" para deifinir a arte de HR. Na estadia romana foi companheiro de Fragonard na Academia e no trabalho, tendo feito pinturas e desenhos com a mesmas temáticas em 1759-60 (há uma sala na exposição dedicada a essa amizade e trabalho) . O estudo da paisagem e atenção ao pitoresco, assim como a técnica de fra presto (desenho ou pintura livre e esboçada) são influências de Fragonard sobre HR. O pintor não se cansou de desenhar Roma, como as obras de construção da fonte de Trevi ou Les Cascatelles de Tivoli (feito mais tarde em 1768 como homenagem a Joseph Vernet, maior paisagista francês). Também foi criador de jardins: o parc de Méréville foi a sua obra-prima. Foi conservador do Louvre (1795) e o quadro de receção na Academia, Le port de Rome (1766), foi um dos 20 que expôs no Salão de 1767, que o consagrou em Paris depois da estadia em Roma. Uma enorme exposição (140 quadros) que me revelou um fantástico pintor. Paris 2016 Musée du Louvre 5/5
26.1.16
Musée Cognacq-Jay
![]() |
| Boucher |
22.1.16
Images du Grand Siècle (2016)
Images du Grand Siècle
L'estampe française au temps de Louis XIV, 1660-1715
Gosto de exposições temporárias não muito extensas que me permitem passar pelo menos duas horas mergulhado num trabalho concebido por especialistas sobre obras de arte quase sempre do passado. Desde que li um livro sobre a estampa no século XVIII passei a olhar para as gravuras, estampas e desenhos com outro interesse.
Esta exposição é constituída por estampas parisienses da coleção da Biblioteca Nacional de França. Apesar destas limitações, é uma excelente exposição. A França torna-se no principal produtor de estampas e gravuras no final do século XVII. O reinado de Louis XIV é a idade de Ouro da gravura francesa. E foram as políticas oficiais que valorizaram as belas artes e as artes decorativas como símbolos do gosto francês. A parte de que mais gostei foi a das estampas feitas a partir de grandes obras de antigos e contemporâneos. Há artistas que ficaram célebres pelas gravuras que fizeram a partir de grandes obras, como Jean Pesne com as obras de Poussin. Também Etienne Baudet fez muitas gravuras a partir de Poussin, que conheceu em Roma.
![]() |
| Poussin interpretado por Etienne Baudet |
Outros exemplos que vi e admirei na exposição. La Sainte Famille de Jesus, c.1677, obra-prima de Gérard Edelinck a partir do quadro homônimo de Rafael; obras de Gaspard Duchange (1662-1757) ilustre gravador de história; Gilles Rousselet (1610-1686) gravou as suas melhores obras a partir de quadros de Guido Reni sobre a história de Hércules; Girard Audran (1640-1703), grande gravador da escola francesa, gravou estampas monumentais a partir das Batailles d'Alexandre, de Charles Le Brun, primeiro pintor do rei; Sébastien Leclerc (1637-1714) obteve imenso sucesso com as gravuras a partir de tapeçarias de Le Brun para as fábricas Gobelins; François de Poilly (1623-1693) gravou muito Philippe de Champanhe.
![]() |
| Hércules de Guido Reni interpretado por Rousselet |
Outras partes interessantes da exposição: a gravura religiosa (a mais importante), as cenas de gênero, como as moralidades de Nicolas Guérard (1648-1719, publicou uma centena de pranchas de moralidades) e as gravuras de moda, nas quais se especializou a dinastia Bonnard. Paris 2016 BNF 5/5
4.1.16
Fragonard l'invention du bonheur (Sophie Chauveau, 2011)
Evitei sempre a leitura de biografias romanceadas. Gosto de biografias sérias, mais ou menos eruditas, com ou sem notas de rodapé, breves ou exaustivas, mas que tenham as qualidades de um ensaio de história. Como queria ler com urgência algo sobre Fragonard, peguei na biografia romanceada de Sophie Chauveau. Afinal acabei por gostar de ler a obra, apesar da irritação que me provoca o caráter romanceado da mesma. Digamos que como obra de ficção não se sustenta minimamente. Muitas exclamações e reticências para o meu gosto, frases e expressões banais que servem para fazer avançar a ação. Para mim só interessavam os factos e a interpretação dos mesmos pela autora e, claro, tudo numa linguagem clara, que expõe o sentido da obra de Fragonard de forma simples e correta. Soube depois, quando vi a exposição do Museu do Luxemburgo, que a romancista deu largas à imaginação para preencher lacunas biográficas deixadas em aberto pela historiografia pela não existência de documentos que autorizassem a sua cobertura. Por exemplo, o filho que Fragonard teve com a cunhada mas que foi criado como se fosse do pintor e da mulher. Chauveau desenvolve esse episódio como se fosse um facto indesmentível. Mas o que mais gostei foi ter ficado com um retrato colorido e com algum pormenor sobre as condições em que artistas como Fragonard viviam e trabalhavam. A biografia não é demasiado psicológica (ainda bem) e dá a devida atenção às inovações da obra de Fragonard nos seus aspetos materiais e simbólicos assim como sociais e culturais. Paris 4/5
13.12.15
Fragonard Amoureux, Galant et Libertin (2015)
A exposição de Fragonard no Musée du Luxembourg era aquela que eu mais queria ver entre as muitas e fantásticas exposições da rentrée parisiense. Desde que vi, no ano passado, a exposição "De Watteau à Fragonard, les fêtes galantes" no museu Jacquemart-André, fiquei fascinado não só pela pintura setecentista francesa como, em particular, por Watteau e Fragonard. Estando a terminar de ler uma biografia de Fragonard fui para a exposição com muita informação, alguns preconceitos e uma vontade irresistível de admirar os quadros deste grande pintor. Claro que gostei muito da exposição, apesar de faltar à chamada pelo menos uma das suas obras-primas, Les Hasards heureux de l'escarpolette, que não tem autorização de abandonar a coleção Wallace, de Londres.
![]() |
| L'île de l'amour |
E tive a surpresa de saber que outra das suas obras-primas, L'île de l'amour, pertence à coleção lisboeta de Calouste Gulbenkian. Também me regalei com o famoso quadro Le Verrou e muitas outras obras dominadas pela sensualidade e erotismo que tornaram Fragonard tão "popular" e apreciado aos olhos dos seus contemporâneos. Foram duas horas de grande felicidade, pois a arte também nos faz felizes. Paris 5/5
4.7.14
De Watteau à Fragonard, les fêtes galantes (2014)
Uma exposição sobre a pintura francesa do século XVIII dedicada às festas galantes. Uma sala com várias das melhores obras de Watteau abre a exposição e é o seu momento alto. Watteau criou o género das "fêtes galantes" modernizando a pastoral italiana dos séculos anteriores. Fragonard foi o último mestre das fêtes galantes do século XVIII. Trouxe monumentalidade e fantasia ao género. A exposição que eu mais queria ver nesta primeira metade de 2014. Paris 2014 Musée Jacquemart-André 5/5
1.7.14
La Gravure Originale au 18e siècle (1963)
É a primeira vez que leio um texto sobre gravura, geralmente leio sobre pintura: La Gravure Originale au 18e siècle, de Jean Adhémar (Editions Aimery Somogy, 1963). É apaixonante. Adhémar escreve muitíssimo bem, com uma clareza inultrapassável. Por vezes é difícil acompanhar a terminologia própria desta arte, que utilizava técnicas muito diferentes. A gravura no século XVIII atingiu o seu apogeu como arte de reprodução (com vista à divulgação) das obras, antes do surgimento da fotografia. Mas a gravura também é uma arte em si, não sujeita à função de reprodução de obras consagradas da pintura. Tocou-me particularmente o caso de Canaletto, o famoso pintor de magníficas vistas de Veneza. Em meados do século ele realizou algumas gravuras que marcaram a sua época. Tal como na pintura, Canaletto limitou-se a retratar Veneza, mas nas gravuras optou por uma Veneza quotidana, do trabalho, dos ofícios urbanos, dos lugares pouco habitados, enquanto na pintura só encontramos a Veneza pomposa das classes abastecidas, a cidade em festa oficial. Fragonard, Piranesi, Hogarth e Watteau são outros dos nomes fundamentais da arte da gravura do século das Luzes. Excelente leitura. Paris 2014 (4,5/5)
Subscrever:
Mensagens (Atom)



























