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28.7.26

Lucky Me (Jack Donohue, 1954)

Lucky Me é uma comédia musical com Doris Day, uma daquelas comédias ligeiras, deliciosamente patetas (e wasp) que se faziam à volta da atriz. As coreografias são mínimas e o canto de Day é pouco expressivo, mas tudo isso está em sintonia com a pouca ambição do argumento. Day e alguns amigos do teatro de vaudeville (destaque para o cómico Phil Silvers) tentam montar um show mais ambicioso, ao mesmo tempo que ela conhece um estranho (Robert Cummings) por quem se apaixona, que vem a ser um famoso songwriter. Lucky Me foi o primeiro musical feito em CinemaScope. VC 07.2018 DVD 2,5/5

7.5.26

The Country Girl (George Seaton, 1954)

Um trio de ouro (Bing Crosby, Grace Kelly e William Holden) num filme com uma história (de Clifford Odets) inesperada: um ator famoso (Bing Crosby) atravessa uma crise pessoal e profissional aguda, devido à sua insegurança, alcoolismo e depressão. Grace Kelly faz de sua mulher e tem um papel sombrio que lhe valeu o Oscar. E muito estranho ver dois ícones da comédia romântica e musical, como Kelly e Crosby, interpretarem um casal mergulhado na depressão e na miséria. Ainda assim, o filme pode ser considerado um (drama) musical, pois Crosby canta quatro canções assinadas por Harold Arlen e Ira Gershwin. O filme foi nomeado para sete óscares: ganhou dois (atriz e argumento) e perdeu os outros cinco (incluindo melhor filme, ator e realizador) para On the Waterfront (Elia Kazan). Foi uma derrota justa, pois o filme de Kazan é muito melhor do que o de Seaton. VC 2016 DVD 3/5

20.5.19

Female on the Beach (Joseph Pevney, 1954)

Um filme noir menor com uma Joan Crawford magnética e com Jeff Chandler como sex symbol. Ele é um gigolo que pretende pôr as mãos numa mulher rica. No início do filme uma amante do gigolo cai da varanda da sua casa e morre. Suicídio ou assassinato? Crawford ocupa a seguir a mesma casa e quase terá o mesmo fim da anterior inquilina. Como outros filmes do género, só nos minutos finais saberemos quem matou uma e tentou matar a outra. Paris 2,5/5

6.6.17

River of No Return (Otto Preminger, 1954)

River of No Return é um belíssimo western com o par Robert Mitchum e Marilyn Monroe. O filme é um road movie, ou melhor, um river movie, já que a viagem que os dois fazem (com uma criança) acontece num rio. Os perigos da viagem vêm do próprio rio, mas também das margens, onde aparecem índios e brancos, sempre com propósitos ameaçadores. No filme aparece uma das imagens icónicas de Marilyn, pelo menos para mim: de jeans, de pé na jangada. Paris 06.2017 4/5

Coleção Jorge Tomé Santos





20.1.16

Johnny Guitar (Nicholas Ray, 1954)

Há já algum tempo que não via Johnny Guitar e fazia-me muita falta. 1991 foi um ano especialmente cinéfilo para mim, em que a reta final do ISCTE coincidiu com uma frequência obstinada da Cinemateca. Nesse ano vi pela única vez até ontem o grande clássico de Ray numa sala de cinema. Além disso, e espero não estar a ser traído pela memória, as sessões da Cinemateca lisboeta começavam com a música de Johnny Guitar numa versão para piano. Era a casa do JBC afinal...  Este clássico não envelhece, mas nós sim. É um dos meus westerns preferidos, transcendendo aliás esse género. É um western no feminino, dominado por duas mulheres, mas que se comportam como homens. As personagens são animadas por paixões violentas, quase instintivas, de luta pela sobrevivência. Tem a qualidade (da tragédia grega, ou da série B da Republic Pictures) da economia de ação que faz os acontecimentos precipitarem-se para um desenlace que não admite surpresas. Genial. Paris 2016 Le Desperado 5/5

27.3.14

Dial for Murder (Alfred Hitchcock, 1954)

Desde o ano passado que esta obra de Hitchcock tem sido lançada em 3D em alguns países, tal como o realizador a concebeu. Claro que fiquei curioso em saber como o mestre tinha utilizado esta técnica da moda na época, ele que gostava de desafios formais. Não é dos melhores filmes de Hitch, mas tem Grace Kelly... Pontualmente, como quando aparece a mão da protagonista a agarrar a tesoura para atacar o assassino, a técnica 3D justifica as suas potencialidades. Muitas vezes, porém, até nos esquecemos de que estamos a ver um filme em 3D... Ainda assim o filme que mais me impressionou feito em 3D foi The Creature of the Black Lagoon, do mesmo ano do filme de Hitchcock. Paris 2014 Le Brady 3/5