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6.2.23

Francisque Millet Le paysage en France de 1650 à 1700 (2003)

Dossier de l'art n° 93, février 2003

CARAVAGGIO, Caravage



LE CARAVAGE (Gérard-Julien Salvy, 2008)
Folio Biographies nº 38 21.02.2008
BIBLIOTECA

Caravage à Rome, amis et ennemis (2018)
Paris: Musée Jacquemart-André
A exposição tem apenas cerca de 10 quadros de Caravaggio, relativos a um período delimitado da sua vida (a estadia em Roma), mas o visitante sai de lá maravilhado com essas pinturas e outras inspiradas por elas de mestres menores da época. Paris 12.2018 MJA 4,5/5

L' Ombra di Caravaggio (Michele Placido, 2022)
Paris 01.2023
Isabelle Huppert, Louis Garrel
Estreia em França: 18.11.2025

Exhibition On Screen: Caravaggio
REAL. David Bickerstaff & Phil Grabsky, 2025 VISTO Paris 23.11.2025 Le Balzac 4/5



20.6.21

L’Empire des sens (Musée Cognacq-Jay, 2021)

L’Empire des sens, de François Boucher a Jean-Baptiste Greuze, é uma viagem ao erotismo na pintura francesa do Oitocentos. Destaque para Boucher e a sua fixação na bunda feminina, como o escandaloso l'Odalisque brune. Nunca esquecerei os muitos quadros com ninfas nuas na natureza rodeadas de seres e objetos que simbolizavam, para o apreciador da época, o desejo masculino, a perda da virgindade, a concepção, etc. Uma exposição interessantíssima. Paris 2021 Musée Cognacq-Jay 5/5

9.12.19

Le Greco (Grand Palais, 2019)

Greco é um pintor extraordinário. Queria muito conhecer mais obras suas e a retrospetiva do Grand Palais com 71 obras permitiu de facto ter uma visão de conjunto, o que muda bastante a apreciação do pintor. Nasceu na Grécia mas teve uma carreira internacional, o que não era incomum na sua época (séculos 16 e 17). Começou por trabalhar em Creta, onde nasceu, estabeleceu-se depois em Veneza, passou algum tempo em Parma, trabalhou em Roma e, por fim, trabalhou até ao fim da vida em Toledo. Foi nesta cidade que apurou a originalidade do seu trabalho, tão único que só viria a ser justamente valorizado no início do século 20. Valorizado no sentido mais nobre, ou seja, foi apropriado, serviu de alimento à arte moderna. Veja-se o quadro acima apresentado e não será difícil ver onde Picasso, entre outros, se inspirou. Para além dos retratos, a pintura religiosa foi o seu terreno de eleição, e o seu trabalho ajudou o avanço da contra-reforma (católica), em oposição ao protestantismo que se afirmava na altura. Uma das exposições do ano. Paris Grand Palais 4,5/5

21.11.19

L'âge d'or de la peinture anglaise - De Reynolds à Turner (2019)

Queria muito ver esta exposição, por apresentar pintores que mal conhecia ou conhecia apenas de nome. Afinal a pintura inglesa anterior ao século 20, à exceção de Turner, nunca me entusiasmou. O que vi nesta exposição, que abrange a idade de ouro da pintura inglesa (1760-1820), é muito bom mas soube-me a pouco... Começava aqui, com Reynolds e Gainsborough, a escola inglesa da pintura e nesse eríodo surgiram as principais instituições que iriam assegurar o desenvolvimento da arte em Inglaterra (Royal Academy of Arts, National Gallery...). Paris 11.2019 Musée du Luxembourg 4/5

14.4.18

Charles I: King and Collector (Londres, 2018)

Charles I foi um monarca de muito má memória: provocou uma guerra civil, arruinou a monarquia (substituída temporariamente por uma república), foi por fim decapitado. Mas foi um dos maiores colecionadores de arte do seu país. Durante o seu reinado, na primeira metade do século XVII, reuniou um conjunto impressionante de obras-primas que certamente influenciou os rumos da arte no país. Teve um pintor de corte, como era costume na altura (como Velasquez em Madrid): Anthony van Dyck. A exposição está cheia de obras dele, incluindo o incrível retrato triplo de Charles I, feito para que Bernini pudesse fazer uma estátua do rei, entretanto perdida. A exposição é excelente, tanto mais que muitas das obras não são facilmente vistas pelo público, pois pertencem ao património real. Londres, Royal Academy of Arts 4,5/5

30.11.17

Rubens, portraits princiers (Musée du Luxembourg, 2017)

Rubens foi um pintor prolífico e produziu muito com o atelier onde mantinha vários colaboradores. Esta exposição apenas apresenta retratos das famílias reais para as quais Rubens trabalhou sempre com grandes resutados e com satisfação para os monarcas que o contratavam. Essa produção de retratos de corte não é numericamente importante na obra imensa de Rubens, mas é de uma grande qualidade. Foi (também) por esses retratos que a sua fama passou facilmente as fronteiras e fez dele um grande diplomata na cena europeia. Paris 4/5

22.9.17

Rubens (Taschen)

Com este precioso livro da Taschen (feito para as massas) fiquei a perceber melhor o que eram os grandes ateliers de onde saíam obras em catadupa assinada por um mestre da moda. E poucos terão havido como Rubens, cujos ateliers formaram grandes pintores e promoveram o trabalho especializado: um pintava flores, outro as formas humanas, outro os animais mortos... Nunca prestei atenção a Rubens, mas agora alguns dos seus quadros fascinam-me. Não se conhecendo o contexto em que foram produzidos, nem imaginamos a ousadia (estética, política) que certos quadros encerram, mas que na superfície (da nossa ignorância) nos parecem académicos e sem vida. Vila do Conde 2017: 5/5

30.4.16

Georges de LA TOUR

GEORGES DE LA TOUR
Entre Ombre et Lumière
Paris: Jacquemard-André 2025
VISTO 03.02.2026

Obras apresentadas:
Le vieil homme c. 1618 San Francisco
Vielle Femme c.1618, San Francisco
Le vielleur au chien 1620s, Berges
Les mangeurs de pois c.1620 Berlin
Le vielleur à la sacoche c.1640 Remiremont
Saint Jérôme pénitent c. 1630 Estocolmo
Saint Jérôme pénitent c. 1630 à l'auréole Grenoble
Saint Thomas c. 1636 Paris
Saint Grégoire c.1630 Lisboa
Saint Philippe c1620 Norfolk
Saint Jacques Le Mageur c.1620 col part
Saint Jacques Le Mineur c.1620 Albi
Saint Pierre repensant 1645 Cleveland
Saint Pierre repensant, d'après La Tour, c.1647 Vic sur Seille
Saint Jacques le Majeur (atelier) c. 1643 col particulier m
Saint Jérôme lisant (atelier) c.1649 Nancy
Job raillé par sa femme c.1630 Épinal
La Femme à la puce c1632-1935 Nancy
L'argent versé 1620s Lviv Ucrania
La découverte du corps de saint Alexis, d'après c1648 Nancy
Le Nouveau-né c. 1647-1648, M. Rennes
Saint François en extase (d'après La Tour) c. 1643 Le Mans
La Madeleine pénitente c. 1635-1649 Washington
Saint Sébastien soigné par Irene d'après 1640s Orléans
Le souffleur à la pipe 1646 Tokyo
La Fillette au brasero 1640s Abu Dhabi
Saint-Jean Baptiste dans le désert c.1650 Vic sur Seille
Les joueurs de dès 1640s Stockton on Tees
Le Reniement de Saint Pierre 1650 Nantes


Outros pintores contemporâneos representados:
Louis Finson 1580-1617
Jean le Clerc
Mathieu Le Nain 1607-1677
Hendrick Ter Bruggen 1588-1629
Trophime Bigot 1579-1650
Adam de Coster c. 1586-1643

Georges de La Tour 1593 - 1652 (Prado, 2016)

Mesmo tendo preparado com cuidado o fim de semana em Madrid, quase me escapava a melhor exposição que se pode ver na cidade: Georges de La Tour, no Prado. Valeu-me ter visto os cartazes de rua a anunciar a exposição. O Prado conseguiu reunir 31 dos 40 quadros atribuídos a La Tour. Suponho portanto que esta retrospetiva é bem representativa da obra do pintor. Podemos ver, por exemplo, alguns Apóstolos de Albi, conjunto de 13 de que se conhecem apenas seis originais. Esse trabalho de La Tour é influenciado por Caravaggio (os modelos são gente vulgar, os apóstolos são retratados como gente humilde), assim como os três quadros que representam batoteiros e ladrões em plena ação. La Tour gostava de repetir personagens, como prova a série de Marias Madalenas, de tocadores de sanfona, dos batoteiros, de São Jerónimo. Viveu em Lunéville desde 1620 até à sua morte (1652) e os últimos anos foram dedicados aos noturnos de carácter religioso, de simplicidade comovente e ambiente silencioso, mas sem atributos sagrados, o que tem justificado uma leitura laica dessas obras. Madrid 2016 (5/5)

GEORGES DE LA TOUR
Histoire d'une découverte (2004)
Autores: Jean-Pierre Cuzin et Dimitri Salmon
Découvertes Gallimard nº 329 (2004)
BIBLIOTECA
Leituras, dezembro de 2025

GEORGES DE LA TOUR. Le maître des nuits
 (Robert Fohr, 1997)
Ed. Serpenoise 1997, 95p álbum
BIBLIOTECA

GEORGES DE LA TOUR (Anne Reinbold, 1991)
Editora Fayard 1991
BIBLIOTECA
Leituras 2010s
Leituras, janeiro de 2026

22.1.16

Images du Grand Siècle (2016)

Images du Grand Siècle
L'estampe française au temps de Louis XIV, 1660-1715

Gosto de exposições temporárias não muito extensas que me permitem passar pelo menos duas horas mergulhado num trabalho concebido por especialistas sobre obras de arte quase sempre do passado. Desde que li um livro sobre a estampa no século XVIII passei a olhar para as gravuras, estampas e desenhos com outro interesse. 
Esta exposição é constituída por estampas parisienses da coleção da Biblioteca Nacional de França. Apesar destas limitações, é uma excelente exposição. A França torna-se no principal produtor de estampas e gravuras no final do século XVII. O reinado de Louis XIV é a idade de Ouro da gravura francesa. E foram as políticas oficiais que valorizaram as belas artes e as artes decorativas como símbolos do gosto francês.  A parte de que mais gostei foi a das estampas feitas a partir de grandes obras de antigos e contemporâneos. Há artistas que ficaram célebres pelas gravuras que fizeram a partir de grandes obras, como Jean Pesne com as obras de Poussin. Também Etienne Baudet fez muitas gravuras a partir de Poussin, que conheceu em Roma.

Poussin interpretado por Etienne Baudet

Outros exemplos que vi e admirei na exposição. La Sainte Famille de Jesus, c.1677, obra-prima de Gérard Edelinck a partir do quadro homônimo de Rafael; obras de Gaspard Duchange (1662-1757) ilustre gravador de história; Gilles Rousselet (1610-1686) gravou as suas melhores obras a partir de quadros de Guido Reni sobre a história de Hércules; Girard Audran (1640-1703), grande gravador da escola francesa, gravou estampas monumentais a partir das Batailles d'Alexandre, de Charles Le Brun, primeiro pintor do rei; Sébastien Leclerc (1637-1714) obteve imenso sucesso com as gravuras a partir de tapeçarias de Le Brun para as fábricas Gobelins; François de Poilly (1623-1693) gravou muito Philippe de Champanhe.
Hércules de Guido Reni interpretado por Rousselet

Outras partes interessantes da exposição: a gravura religiosa (a mais importante), as cenas de gênero, como as moralidades de Nicolas Guérard (1648-1719, publicou uma centena de pranchas de moralidades) e as gravuras de moda, nas quais se especializou a dinastia Bonnard. Paris 2016 BNF 5/5

19.7.15

VELÁZQUEZ

L'ÉNIGME VELÁZQUEZ (2024)

VISTO Paris 07.03.2025 Bastille


Era a exposição que mais queria ver na primeira metade do ano e foi realmente a que mais me agradou. Faltou à chamada Las Meninas (suponho que não deve sair nunca do Prado) mas havia tanta pintura excelente para apreciar nesta exposição! Por exemplo o enorme retrato vermelho do Papa Inocêncio X ou Pablo de Valladolid.

Mas a exposição dedicada a Velázquez reservou duas salas ao velazqueño Juan Bautista Martínez del Mazo, que era assistente e genro daquele. Um excelente pintor que vive à sombra do Mestre.
A família do pintor Juan Bautista Martínez del Mazo