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9.7.26

Follow the Fleet (Mark Sandrich, 1936)

Follow the Fleet (Siga a Marinha, em Portugal) foi um dos maiores sucessos comerciais da dupla Fred Astaire-Ginger Rogers e da produtora RKO. Não terá o brilho dos melhores musicais e fica bem abaixo das grandes obras da MGM, mas a presença de Astaire-Rogers é mágica e faz deste filme um clássico que apetece rever sempre. Tinha-o visto em 2013 na mesma sala de cinema parisiense (Le Desperado) que agora apresenta um pequeno ciclo dedicado a Ginger Rogers. O melhor do filme é Fred Astaire, quer nas cenas musicais (dança e canta temas de Irving Berlin), quer nas cenas de pura comédia. Ele e os seus camaradas marinheiros saem do navio para conhecerem mulheres e, numa das cenas mais divertidas, dançam uns com os outros para aprenderam a dançar e conquistar as mulheres quando estiverem de licença. Grande momento musical é a dança de Let's Face the Music and Dance, que arremata o filme com chave de ouro. Paris 2013 & 2015 Le Desperado 4/4
Follow the Fleet (Mark Sandrich, 1936)
EN SUIVANT LA FLOTTE

Carefree (Mark Sandrich, 1938)

Quero Sonhar Contigo/Carefree (Mark Sandrich, 1938)
Carefree é um dos meus filmes preferidos da dupla Fred Astaire-Ginger Rogers. É um filme que alia os méritos da screwball comédia dos anos 30 com a arte musical de Fred, Ginger e Irving Berlin. Tudo se passa no meio sofisticado dos americanos ricos e dos profissionais liberais: Ginger é uma estrela da rádio, Fred um psiquiatra que vai tratar dela e ainda cruzarmos com um juiz. Problemas de dinheiro eliminados, a história pode incluir uma dieta de lagosta com maionese, tardes a andar de bicicleta e dedicar-se ao tiro e jantares formais e luxuosos. Ginger troca de noivo é a história de Carefree, e essa troca de parceiro ("change partners" diz a canção de Berlin que Fred canta para Ginger) faz-se com muito humor (ri do princípio ao fim do filme) e muita dança e música de uma qualidade que não encontramos mais no cinema de hoje.  Paris: Le Desperado 2013 & 2015 (5/5)

Yolanda ant the Thief (Vincente Minnelli, 1945)

A história passa-se num país (caricaturado) da América Latina (que estava na moda em Hollywood nos anos 40), que mais parece uma monarquia governada pela família Aquaviva, que, na verdade, detém o monopólio da economia do país. A fortuna Aquaviva tem uma nova e jovem herdeira, Yolanda (Lucille Bremer), que sai do convento (ou de uma escola religiosa) diretamente para o mundo dos negócios. Aparece então um estrangeiro caça-fortunas, um americano obviamente (Fred Astaire), que se faz passar pelo anjo da guarda da jovem crente e consegue retirar-lhe a fortuna. Mas há um verdadeiro anjo (Leon Ames) por perto (os anjos também estavam na moda no cinema americano da época) que vai aproximar o vigarista e a vítima no sentido do amor, do casamento e da procriação. Estamos em pleno terreno da fantasia, que o cinema musical tantas vezes pisa, levada aqui longe demais, o que talvez explique o desastre comercial do filme na estreia. Mas hoje ele faz a delícia dos amantes das comédias musicais. Tem um grande momento musical no ballet do sonho (ou antes, pesadelo) de Astaire, com coreografia de Eugene Loring, que antecipa o ballet do sonho de Gene Kelly em Um Americano em Paris. Há cenas de comédia saborosas (a primeira visita de Astaire ao palácio de Yolanda) e os momentos musicais e de dança são maravilhosos. Já é bastante. Paris: Le Desperado (2013) & Ecoles 21 (2018) 4/5    

Yolanda ant the Thief (1945). Comédia musical. Realização: Vincente Minnelli. Produção: Arthur Freed (MGM). Argumento: Irving Brecher. Coreografia: Eugene Loring. Atores principais: Fred Astaire, Lucille Bremer, Frank Morgan, Mildred Natwick, Leon Ames. Música: Harry Warren, Lyrics: Arthur Freed. 

High Society (Charles Walters, 1956)

Este clássico da comédia musical é importante por vários motivos. Trata-se do último filme de Grace Kelly, antes da sua passagem para a realeza europeia. Duas instituições americanas encontraram-se pela primeira vez num filme: Frank Sinatra e o seu ídolo Bing Crosby. E Louis Armstrong tem uma participação extensa com a sua orquestra. Além disso, Cole Porter assina as composições originais deste filme que é uma espécie de remake musical do famoso The Philadelphia Story, peça de 1939, que deu origem ao filme de George Cukor de 1941, com Katharine Hepburn na protagonista de ambas as produções. High Society é bem inferior a The Philadelphia Story e nessa comparação reside o principal problema. A energia e o ritmo do filme de Cukor, uma das melhores comédias de sempre, nunca são igualados e os atores-cantores não têm o talento de Hepburn e Cary Grant. Tinha visto filme em 2013 e quis vê-lo novamente na Cinemateca Francesa pensando que se tratava de uma cópia restaurada. Não foi assim. Curiosamente, na sessão a que assisti havia uma claque que aplaudia os números musicais, sobretudo os de Louis Armstrong e no final houve muitos aplausos. Sinal de que os espetadores não se enganaram quando em 1956 fizeram de High Society um dos dez filmes mais vistos nos EUA. Paris: Le Desperado 2013 & Cinemateca Francesa 2015 3/5

Cabaret (Bob Fosse, 1972)

 
Cabaret (1972) é um dos meus filmes preferidos de sempre. É um filme único, que não se confunde com nenhum outro. É um musical que na origem foi um musical da Broadway. É um marco na história dos musicais no cinema. É um musical passado em Berlin de 1930, é um musical político até à medula.  Liza Minnelli teve aqui o passaporte para a eternidade, e por aqui aparece uma das mulheres mais bonitas que eu já vi: Marisa Berenson (que também entra em dois outros filmes da minha vida, Barry Lindon e Morte em Veneza). Que mais? Que comprei ainda no tempo do vinil a banda sonora deste filme. Pelo menos o refrão das canções sei de cor.  Que ver o filme em sala de cinema é mais uma razão para amá-lo. Primeiro foi na Cinemateca Portuguesa em 1987 (!) e agora (2013) no cinema parisiense Le Brady. Que merece 5/5.  

4.7.26

Amazonia (Thierry Ragobert, 2013)

Amazonia é uma produção franco-brasileira que encerrou o último Festival de Veneza. Tem como protagonista um pequeno macaco que, preso numa jaula, parte de avião do Rio de Janeiro para parte incerta. No caminho, uma tempestade faz o avião cair em plena Amazónia, onde o nosso herói vai encontrar um mundo perigoso e fascinante, e nós com ele. Uma ficção documental deliciosa. Paris 06.2013 NOTA 3/5

24.5.26

Os Deuses e os Mortos (Ruy Guerra, 1970)


O filme de Ruy Guerra, Os Deuses e os Mortos, ganhou os principais prémios do VI Festival de Cinema de Brasília: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Othon Bastos), melhor atriz (Dina Sfat) e melhor fotografia (Dib Lufti). O filme segue a estética de muitos filmes do cinema novo brasileiro, levada ao seu ponto máximo nas obras-primas de Glauber dos anos 60. Mas neste filme de Ruy Guerra, que se torna quase insuportável ver hoje, resta apenas um gesto vazio de quem quer fazer arte hermética. Uma desilusão. No entanto: soberba música do grupo Som Imaginário, com Milton Nascimento, que também atua no filme. Paris, Cinemateca Francesa (2013) 2/5

1.5.26

Vai Que É Mole (J.B. Tanko, 1960)


(Texto de 2013)
Vai Que é Mole (1960) é uma comédia musical popular, realizada por J.B. Tanko, com a dupla Grande Otelo e Ankito, e também Jô Soares, Otelo Zeloni e Renata Fronzi. É divertida devido sobretudo aos atores, em especial Grande Otelo, e ao pitoresco de muitas situações. Mais uma vez, o 'portuga' aparece como personagem incontornável das comédias populares brasileiras desta época (anos 50 e 60). 
(Texto de 2017)

Estas comédias brasileiras antigas lembram também as congéneres portuguesas: nada se salva a não ser os grandes atores carismáticos, que acabam por levar o filme às costas. Em Vai Que É Mole, comédia contemporânea da bossa nova, é um Brasil brejeiro e arcaico que é exposto, com uma história de mal-entendidos à volta de pequenos ladrões que armam a confusão a 100 à hora. Diverti-me a ver agora este filme, como já tinha acontecido da primeira vez que o vi. Como é que um filme tão medíocre me faz passar bons momentos? Porque Grande Otelo e Ankito formam uma dupla irresistível, a que se junta Jô Soares, muito jovem mas já gordinho (chama-se Bolinha) além de outros. Os diálogos por vezes acertam em cheio, mas é o slapstick que mais me encanta nesta comédia. A rever, pois não. TV 2013 & 2017:  3/5

30.4.26

São Bernardo (Leon Hirszman, 1972)

Estreia em França: abril de 2014
Mais de 40 anos depois de ter passado na Quinzaine des réalisateurs do Festival de Cannes (1972), São Bernardo de Leon Hirszman estreia em França. É uma estreia inesperada mas muito bem vinda, como sublinham as duas críticas que li (do Le Monde e dos Cahiers du cinéma). Não é só positivo que um largo público possa ter acesso a esta obra importante do cinema novo brasileiro, ainda por cima nas salas e numa cópia nova, mas também que a crítica possa se debruçar com a sensibilidade de hoje sobre uma obra com quase meio século. As críticas que li são muito positivas, e chamam a atenção para a complexidade da história e das personagens principais, e para a modernidade da realização. Eu pude comprovar isso mesmo há uns meses, na Cinemateca Francesa, mas também verifiquei que, como outros filmes do cinema novo, São Bernardo peca por uma aridez que não me convence de todo. Paris 2013 Cinemateca Francesa 3/5

29.4.26

A Busca (Luciano Moura, 2012)

O filme brasileiro A Busca estreou em França (com o título Le Chemin), uma estreia quase secreta (poucas salas e sessões limitadas). O filme é realizado por Luciano Moura e estrelado por Wagner Moura, talvez o melhor ator brasileiro da sua geração. Ele interpreta um pai que viaja em busca do filho adolescente desaparecido. Não é apenas a história da busca do filho mas também da procura do sentido da sua vida, das opções que esse pai foi tomando e que o afastaram da família. Paris 04.2013 Arlequin  2,5/5

28.4.26

O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012)

O Som ao Redor de Kleber Mendonça Filho é um dos grandes filmes brasileiros dos últimos (muitos) anos. Estreou em Portugal a 5 de dezembro de 2013 de forma confidencial e assim tem permanecido no mercado e no seio da crítica em Portugal. Merecia mais, muito mais. É um filme "localista", cuja história não sai das mesmas ruas de um bairro de classe média da cidade de Recife, terra natal do realizador. Assistimos aos jogos subtis de poder dos que, face à realidade sócio-urbanística do Brasil, pretendem garantir a segurança dos moradores do bairro. O tema é original (não deve haver muitos outros filmes com a mesma temática) e o retrato sociológico, inteligente e formalmente irrepreensível. Vi-o no Festival de Cinema Brasileiro de Paris de 2013 e foi de longe o melhor filme do festival e um dos raros bons filmes de ficção exibidos. O Som ao Redor estreou depois em França com o título Les Bruits de Recife, e antes da estreia, contou com o empurrão dos Cahiers du Cinéma, que não só elogiavam o filme e o elegeram um dos melhores do mês como apresentaram uma entrevista com Kleber Mendonça Filho, "Violence sans violence".  O Som ao Redor (2012) Paris 2013 Arlequin 4,5/5

Mu Pé de Laranja Lima (Marcos Bernstein, 2012)


Meu Pé de Laranja Lima, romance de José Mauro de Vasconcelos, publicado em 1968, foi um inesperado sucesso internacional na época, tendo marcado várias gerações de jovens em Portugal. O romance foi há poucos anos adaptado ao cinema por Marcos Bernstein, que assinou o argumento dos primeiros filmes de Walter Salles, e acabou por estrear em França em 2013. Recebeu o título francês Mon bel Oranger e foi exibido na versão original com legendas. Já existia uma adaptação cinematográfica deste clássico da literatura juvenil, datada de 1970, e realizada por Aurélio Teixeira. Foram feitas também três telenovelas baseadas na obra. È uma boa adaptação mas ilustrativa, com todos os limites que isto traz. REALIZADOR Marcos BERNSTEIN ESTREIA: 2013 (França) Paris 3/5

Quilombo (Carlos Diegues, 1984)

Co-produção entre o Brasil e a França, conta a fascinante história do quilombo dos Palmares, em Pernambuco, Brasil. Foi o maior quilombo da história do Brasil. Quilombo era um território para onde fugiam os escravos e onde viviam livres, desafiando o poder colonial português. Nos Palmares surgiram mitos como Ganga Zumba e Zumbi, personagens centrais deste filme. Um filme que teve uma produção atribuladíssima, com uma rodagem de pesadelo, segundo li. Mas resultou finalmente num bom filme. Adorei ver atores como Vera Fischer, Zezé Motta, Maurício do Valle (imortal cangaceiro de Glauber) ou Grande Otelo. Participam também dois nomes da música brasileira: o soul man Toni Tornado e o grande sambista João Nogueira. As músicas (enfim, toda a banda sonora), de Gilberto Gil, tornaram-se clássicos da MPB.  Quilombo (Brasil, 1984) Cinemateca Francesa (2013) 3,5/5 

27.4.26

Take Me Out To The Ball Game (Busby Berkeley, 1948)

Não me canso deste filme de Busby BERKELEY, que nem sequer é dos mais lembrados entre os musicais de Arthur Freed (MGM). Mas para além de uma história interessante de Gene Kelly e Stanley Donen (uma equipa de basebol passa a ser dirigida por uma mulher, que altera todos os hábitos dos jogadores), o filme tem várias cenas musicais, com muitos números de dança, verdadeiramente encantadoras. São sobretudo os homens que dançam e pertencem a eles as melhores cenas. Como a do trio que festeja um triunfo no jogo (Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin), umas melhores. As coreografias são de Gene Kelly e Stanley Donen. E as canções, mesmo não tendo ultrapassado o contexto do filme, são brilhantes. Foram escritas por Betty Comden, Adolph Green e Roger Edens. A cada vez que revejo o filme, melhor o pontuo. Paris 2018 4,5/5
Uma equipa de baseball muda de manager. A expectativa é grande quanto à identidade do novo chefe mas a surpresa não poderia ser maior: é uma mulher. Desta ideia de partida tão simples e tão sugestiva (ideia e história de Gene Kelly e Stanley Donen) nasceu um grande musical numa época em que esse género prosperava em quantidade e em qualidade. Há tantas cenas antológicas neste filme despretensioso, em que a fantasia própria dos musicais se transforma em graça contagiante! Gene Kelly e Frank Sinatra formam uma dupla que terá direito a três filmes, nos quais Kelly faz sempre de garanhão e Sinatra de ingénuo. Este foi o último filme inteiramente realizado por Busby Berkeley, um mago da coreografia que revolucionou a comédia musical em 1933 com 42nd Street. Quando as comédias musicais são inteligentes e em estado de graça como esta, tê-la visto várias vezes num curto espaço de tempo só fez aumentar o meu apreço pela mesma. DVD (2011) Le Desperado (2013) e Cinemateca francesa (2015). Nota: 4/5

26.4.26

Era uma Vez Eu, Verônica (Marcelo Gomes, 2012)


Marcelo Gomes (Recife, 1963) é um dos mais conhecidos realizadores brasileiros que surgiram nos últimos dez anos. Depois de duas curtas-metragens nos anos 1990, assinou o argumento de um dos melhores filmes brasileiros recentes, Madame Satã, realizado por Karim Ainouz em 2002. Depois, veio a estreia na realização de longas com Cinema, aspirinas e urubus (2005), que se estreou em França, continuou com Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009, realizado com Karim Ainouz), estreado em Portugal, e por fim Era uma vez eu, Verônica (2012). Este último estreou em França com o título Il était une fois Veronica, depois de ter passado no Festival de Cinema Brasileiro de Paris no ano anterior. Era uma vez eu, Verônica é um bom filme de atmosfera e de personagem, sobre a relação da protagonista Verónica, médica, com o seu pai reformado. Ela está no início da sua vida profissional, após o tempo de estudante, e é confrontada com a realidade das condições precárias do seu trabalho e dos problemas dos doentes. O filme acompanha as dúvidas da protagonista quanto à direção que há-de tomar a sua vida. Para o sucesso do filme muito contribui a atriz principal, Hermila Guedes, que tem marcado o cinema independente brasileiro mais recente. Arlequin, Paris 2013    3/5

13.4.26

Days of Being Wild (Wong Kar-wai, 1990)






REAL. ARG Wong Kar-Wai FOTO Christopher Doyle ELENCO Leslie Cheung, Carina Lau, Maggie Cheung, Andy Lau, Rebecca Pan, Tony Leung ESTREIA 15.12.1990 (Hong-Kong) 6.03.1996 Nos Années Sauvages (França)  Leopardo 27/05/2021 DIAS SELVAGENS (Portugal) VISTO VC 2001 TV, Paris 2013 Le Champo, Paris 13.04.2026 Christine NT 4/5

12.4.26

A Hora da Estrela (Suzana Amaral, 1985)

REAL Suzana Amaral PROD Assunção Hernandes ARG Suzana Amaral, Alfredo Oroz, baseado no romance homônimo de Clarice Lispector ELENCO Marcélia Cartaxo, José Dumont, Tamara Taxman, Fernanda Montenegro MÚSICA Marcus Vinicius FOTO Edgar Moura ESTREIA 30.09.1985 (F. Brasília) VISTO Paris 2013 Cinémathèque & Porto 25.10.2025 Trindade

EXIBIÇÃO

Porto, cinema Trindade 25.10.20, 16h30 Ciclo É Tudo Brasil!

Portugal, RTP 14.12.2020

Porto, 10.12.2020