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6.6.22
25.5.21
Énorme (Sophie Letourneur, 2020)
Uma das melhores comédias recentes sobre um casal que não quer nem tem tempo para filhos. Ela é pianista e ele o seu agente, e ambos passam a vida em aviões e hotéis. Um dia, ele assiste ao nascimento de um bebé no avião e decide ter um filho custe o que custar. Com Marina Foïs e Jonathan Cohen (nomeado ao César). Paris 05.2021 l'Archipel 3,5/5
29.4.21
The River (Jean Renoir, 1951)
The River, ou O Rio Sagrado em Portugal, é um filme sobre a Índia, ou a infância na Índia, e é de uma poesia no tratamento das questões da juventude, do crescimento, raros no cinema. É uma Índia um tanto sonhada, vista ou entrevista de fora, por um realizador que já trabalhara na Europa e nos EUA. Mas não é uma Índia de papelão. Porto 2001 Rivoli 5/5
1.10.18
L'Année dernière à Marienbad (Alain Resnais, 1961)
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A memória e o tempo são temas caros a Resnais. Em L'Année dernière à Marienbad, um homem tenta convencer uma mulher de que eles tiveram um caso no ano anterior. Ela nega. Un puzzle que só o espectador pode resolver (como bem entender). Um dos melhores filmes da história do cinema. Com argumento e diálogos de Alain Robbe-Grillet. Elenco: Delphine Seyrig, Giorgio Albertazzi, Sacha Pitoëff, Françoise Bertin, Françoise Spira, Jean Lanier, Luce Garcia-Ville, Helena Kornel. Versão restaurada. CCVC 1993 & Paris 2018: 4/5
15.3.18
Phantom Thread (Paul Thomas Anderson, 2017)
Phantom Thread é o melhor filme (de produção recente) que vi nos últimos tempos. Uma obra-prima que eclipsa todos os seus concorrentes ao óscar de melhor filme deste ano (e melhor realizador). Um costureiro inglês (Daniel Day-Lewis) dos anos 50, com uma clientela rica e fiel, vive numa fortaleza inatíngivel, não tanto a sua casa-atelier mas sobretudo o seu próprio corpo e mente. Um solteirão inveterado. Mas ele descobre uma nova modelo e musa (Vicky Krieps) para o seu atelier que vai usar a estratégia do assédio (uma das palavras do ano no meio do cinema) para conquistar o costureiro. A história é magnífica, pensei não sei por razão, no universo de Henry James, e a realização e produção são mais do que exemplares. Nomeado para seis óscares (melhor filme, realizador, ator, atriz secundária, banda sonora, costume design), Linha Fantasma apenas ganhou o de Costume Design. Uma vitória que diz muito sobre a Academia mas nada sobre a arte do cinema. Mas a banda sonora de Jonny Greenwood foi nomeada para o Oscar, Golden Globe e BAFTA. Paris 2018: 5/5
1.5.17
Le Trou (1959)
Há alguns filmes excelentes sobre fugas da prisão na história do cinema. Le Trou é um deles, sendo provavelmente o melhor filme de Jacques Becker. A forma como filma o espaço exíguo da cela e o confronto e sobretudo a camaradagem entre os presidiários é digna do maior louvor. Porém, como espectador, reconheço que por vezes o filme me aborreceu; é o tipo de filme que não penso em rever. Argumento de Jacques Becker e José Giovanni. Paris 2017 Le Champo 3,5/5
17.10.15
The Color of Money (Martin Scorsese, 1986)
Vi ontem The Color of Money e por fim um sonho de cinéfilo se tornou realidade: ver toda a obra ficcional de Martin Scorsese. Agora é continuar com coisa tão boa como descobrir os filmes pela primeira vez: revê-los. Há poucos Scorsese que não tenho vontade de rever, três aliás já me passaram três vezes pelos olhos: Taxi Driver, Casino e Goodfellas. Ainda esta semana revi New York New York, um dos meus preferidos dele mas não muito amado nem pelo realizador nem pelo público em geral. The Color of Money é em primeiro lugar um grande duelo entre atores, Tom Cruise e Paul Newman, ambos soberbos. O bilhar não me interessa nada e o filme não mudou a minha indiferença em relação a este jogo, mas Scorsese encontrou nesta atividade mais um pretexto para o seu jogo preferido, a arte de filmar. Mais um grande filme de Scorsese. Paris 2015 Cinémathèque 4/5
Oscar para Paul Newman e nomeação para Richard Price (argumento). Mary Elizabeth Mastrantonio foi nomeada (como atriz num papel secundário) ao Oscar, ao Golden Globe e ao prémio do NYFCC.
Oscar para Paul Newman e nomeação para Richard Price (argumento). Mary Elizabeth Mastrantonio foi nomeada (como atriz num papel secundário) ao Oscar, ao Golden Globe e ao prémio do NYFCC.
30.9.15
Vers l'autre rive (Kiyoshi Kurosawa, 2015)
Kiyoshi Kurosawa está a atravessar um momento de grande criatividade. Depois da excelente série televisiva Shokusai (2012), realizou Real (2013) e depois Vers l'autre rive (2015). Bem ao gosto dos japoneses este filme aborda a relação das pessoas com o além, com o mundo dos mortos. Há um casal que se volta a reunir e encontra a felicidade conjugal quando o marido, que havia morrido, aparece na vida da mulher como fantasma. Um filme delicado e belo como poucos. Paris 2015 (4/5)
16.3.15
Inherent Vice (Paul Thomas Anderson, 2014)
Paul Thomas Anderson é um dos realizadores americanos mais ambiciosos. Como os escritores que tentam escrever o grande romance americano (e alguns acabam conseguindo), Anderson tenta com os seus filmes fazer um retrato abrangente da sua América. Desta vez adaptou um desses grandes escritores conterrâneos, Thomas Pynchon, e fez um filme forte, marcante e complexo. O problema é que o enredo é complexo demais, pois com duas horas de filme continuam a surgir personagens novas, cada uma mais excêntrica do que outras. E por vezes tive a impressão de que a tecla da excêntricidade faz cair o filme para um exibicionismo gratuito. Tal como o protagonista Joaquin Phoenix, excelente mas cabotino, que tem uma personagem difícil de compor. Mas gostei muito de ver o filme, apesar destes senões. Paris FQL 3,5/5
14.1.15
The Smell of Us (Larry Clark, 2014)
O último filme de Larry Clark está a ser o acontecimento cinematográfico da rentrée do novo ano. Os Cahiers dedicam-lhe 1/3 do número de janeiro. É acontecimento em França não só porque é uma excelente obra de cinema mas também porque Clark saiu pela primeira vez dos EUA para filmar. E escolheu Paris. Clark filma a juventude de famílias desafogadas que se reúne na rive droite, no espaço do Palais de Tokyo, para andar de skate e fazer tudo o que lhes dá na telha. Inclusive para se prostituir. Vemos então jovens angélicos a sair com velhos ricos que só pagam com maços de notas de 100 euros. Um desses encontros termina com uma orgia de violência, o suicídio de um dos jovens e um carro queimado. Estamos no centro da capital, não nas mal-afamadas cités.
Clark, como grande fotógrafo que é, explora novos caminhos para a imagem no cinema, integrando muitas gravações de telemóvel, captadas com diferentes graus de nitidez pelos próprios jovens do grupo, o que reforça a visão da juventude a partir do seu interior, sem juízos externos. Clark também não recua na apresentação do sexo explícito e perturbante, sobretudo quando se passa entre adolescentes e velhos. Glorificado pela sua estética, o cinema de Clark é mais crítico do que se pensa. A câmara de Clark quer retribuir em beleza toda a sensualidade e beleza efémera destes jovens efebos mas o que eles fazem com esses atributos inspira ao espectador sentimentos dúbios. Um grande filme (mas longe de me despertar o entusiasmo que tenho por outras obras menores). Paris 2015 Odeon 4/5
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