Albert Lewin é um realizador que me intriga e fascina. Realizou apenas meia dúzia de filmes, quase todos escritos por ele e os dois que conheço são maravilhosos: Pandora e The Portrait of Dorian Gray. O primeiro está no panteão dos filmes mais belos que conheço (Ava Gardner a fotografia de Jack Cardiff muito contribuem para esse resultado), quanto a Dorian Gray vi-o há muitos anos não sei precisamente quando nem onde (deve ter sido na televisão) e revi-o esta semana numa cópia remasterizada lançada nas salas. É uma belíssima adaptação do romance de Oscar Wilde. Consegue com grande felicidade criar uma atmosfera fantástica e onírica que revela as qualidades do conto de Wilde: um homem jovem e belo não suporta a ideia de envelhecer enquanto o seu retrato, que um amigo pintor acaba de fazer, manterá para sempre essa juventude e beleza. Então Gray vende a sua alma para manter-se eternamente jovem, mas o retrato vai-se alterando com o tempo refletindo a evolução do caráter do retratado. Um filme maravilhoso. 4/5
