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2.8.26

Sátántangó (Béla Tarr, 1994)

Sátántangó é na origem um romance famoso de László Krasznahorkai (1985), que o adaptou para cinema com o realizador Béla Tarr. Fala de uma quinta coletiva num país comunista da qual todos fogem, sem esperança quanto à vida que poderão ter nessa terra. Alguns hesitam e ficam. O filme de Tarr consegue representar toda a complexidade política e social desta história de Krasznahorkai mas é uma prova à paciência do cinéfilo. Vi apenas a primeira parte das três (que totalizam sete horas) que estão no cinema numa cópia imaculada, mas é incerto que veja o filme por inteiro... Paris 03.2020 Le Reflet Médicis 3/5

28.7.26

Cazuza, o Tempo não Pára (2004)

Filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Um dos meus biopics preferidos de sempre. Cazuza é o grande poeta, a par de Renato Russo, do rock brasileiro, e a qualidade e plasticidade das suas canções não param de ganhar versões não roqueiras, como confirma um disco deste ano de Leila Pinheiro e Roberto Menescal dedicado ao cancioneiro de Cazuza. Este foi também a primeira grande estrela brasileira a morrer de sida e a sua agonia foi mais ou menos pública. Bem, tudo isso (e muito mais) está no musical que foi feito (outro enorme sucesso nos teatros) e neste filme que foi consagrado pela Academia Brasileira de Cinema com 12 nomeações e com troféus para melhor filme, realizador, roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora. Fernando Bonassi e Victor Navas escreveram o roteiro a partir do livro Cazuza, Só As Mães São Felizes, da mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, e da jornalista Regina Echeverria. Um livro magnífico, aliás. No filme algumas das melhores cenas são as que juntam Cazuza (Daniel de Oliveira) e a sua mãe (Marieta Severo), assim como o seu pai (Reginaldo Faria). Ou seja, as cenas musicais (nos palcos e fora deles), as cenas entre amigos e as cenas familiares articulam-se muito bem, mas as cenas entre mãe e filho são justas e comoventes, são antológicas. Além disso, como filme que retrata uma época, os anos 1980, é inolvidável (destaque para a fotografia, que nada embeleza, de Walter Carvalho). Vi o filme apenas em 2009 (cinco anos após a estreia) no cinema Nouveau Latina, certamente no contexto do Festival de cinéma brésilien de Paris, pois o filme, fora do circuito de festivais, não se estreou, parece-me, em país nenhum. No Brasil estreou em 2004 e foi um enorme sucesso, com mais de três milhões de espectadores. Um excelente filme do mainstream brasileiro. Melun 2020 Youtube (4/5)  
Cazuza, o Tempo não Pára (Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004), produzido por Daniel Filho (co-produção Globo Filmes e Columbia TriStar Filmes do Brasil), roteiro de Fernando Bonassi e Victor Navas, adapta Cazuza, Só As Mães São Felizes (Lucinha Araújo e Regina Echeverria), com Daniel de Oliveira (recebeu os prémios da APCA e o Grande Otelo de melhor ator), Marieta Severo, Reginaldo Faria, Maria Flor.

Lovestruck: The Musical (Sanaa Hamri, 2013)

A Disney consegue como ninguém misturar comédia, fantasia e musical num filme familiar, popular e de bom gosto. Este foi feito para a televisão mas o que importa? Jukebox musical com sucessos de Madonna, Whitney Houston ou Lady Gaga cantados pelos atores do filme, o telefilme impressiona por manter viva a tradição do musical que no cinema não consegue vingar. O argumento tem a assinatura de Terry Rossio (que escreveu Aladin e os Piratas das Caraíbas). A fantasia à la Disney está assegurada. Jane Seymour viaja para Itália para impedir o casamento da sua filha, que desistiu de protagonizar um musical coreografado pela mãe para se casar. Mas a mãe bebe um elixir da juventude e fica com 20 anos, podendo assim roubar o noivo à filha. As previsíveis complicações surgem, assim como o previsível desenlace, mas com vários bons números musicais no caminho. Muito bom. Melun 2020 (3,5/5)  

Lovestruck: The Musical (Sanaa Hamri, 2013), jukebox musical, ABC Family (Walt Disney), argumento de Jaylynn Bailey e Terry Rossio. Elenco: Drew Seeley (Ryan Hutton & Angus), Chelsea Kane (Harper Hutton & Debbie Hayworth), Sara Paxton (Mirabella Hutton), Alexander DiPersia (Marco Vitturi), Jane Seymour (Harper Hutton) e Tom Wopat (Ryan Hutton), Adrienne Bailon (Noelle).  

BSO: Just Dance (Harper), I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me) (Harper), Me Too (Stripped) (Mirabella Hutton, Marco), Like a Virgin (Mirabella, Noelle and Harper), How Can I Remember to Forget? (Mirabella), DJ Got Us Fallin' in Love (Ryan e Harper), Me Too (Main Mix) (Mirabella, Marco), Everlasting Love (Noelle, Mirabella, Marco e elenco), Here and Now (Ryan)

27.7.26

Virados do Avesso (Edgar Pêra, 2014)

Um escritor nas vésperas de terminar o novo romance, onde se assume gay, acorda um dia ao lado do namorado chocado com a sua vida homossexual, que nega ter existido. Há ideias interessantes nesta comédia desbragada e atores bons, como Diogo Morgado, mas o overacting das situações e de certas interpretações deita tudo a perder. Melun, abril de 2020 (1/5) 

Virados do Avesso (Edgar Pêra, 2014), filme e minissérie, produção da Cinemate (Ana Costa), argumento (nomeado ao prémio Sophia) de Frederico Pombares, Henrique Cardoso Dias, Roberto Pereira, com Diogo Morgado, Jorge Corrula, Diana Monteiro, Nuno Melo, Marina Albuquerque, Rui Melo, Philippe Leroux, Marco Paiva, Miguel Borges, Melânia Gomes, Miguel Partidário, Rui Unas, Álvaro Faria, Isabel Medina, Nicolau Breyner, José Wallenstein, Anselmo Ralph, Barbara Guimarães.

25.7.26

Os Parças (Cris D'Amato, 2019)

  
Os Parças (Cris D'Amato, 2019)
Quatro jovens retardados, com mentalidade de adolescentes, espalham o terror num hotel e depois numa colónia juvenil de férias. A boçalidade reina. Muito mau. Melun 04.2020 (1/5)
Os Parças 2 (Cris D’Amato, 2019), produzido por 20th Century Fox Brazil e Formata Produções, argumento de Cláudio Torres Gonzaga, com Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa, Bruno de Luca.

Faro, Um Senhor Menino (Ricardo Elias, 2017)

 
Fernando Faro é figura valiosa na cultura musical do Brasil. Viveu décadas fazendo amigos em toda a classe musical pelos ótimos programas de televisão que foi concebendo para enaltecer essa cultura. O que melhor conheço é o programa Ensaio, que está perpetuado em DVD, e cujo protagonismo é inteiramente do artista convidado. O programa consiste em uma longa entrevista com atuação dos artistas no estúdio. Nunca vemos o entrevistador. Adivinhamos as perguntas pelas respostas do artistas. São programas a que recorremos sempre. São a maior consagração que os artistas brasileiros podiam esperar do jornalismo. Espero que o trabalho de Faro inspire futuros trabalhos da televisão brasileira. Melun 04.2020 (4/4)

O Homem que Virou Suco (João Batista de Andrade, 1980)

Um retrato duro do trabalhador no Brasil dos anos 80. Uma crítica impiedosa à forma como o patronato (pequeno ou grande) esmaga os trabalhadores, retirando-lhes tudo, só não lhes tiram a vida porque precisam do corpo operário. José Dumont no protagonista recebeu prémios em Gramado, Brasília e Huelva. Melun 2020 TV 3/5

O Homem Perfeito (Marcus Baldini, 2019)

Luana Piovani entre dois homens. O marido, que a abandona, e o famoso para quem ela está a escrever a autohagiografia. Para reconquistar o marido fugido, Piovani faz-se passar por homem e seduz a rival, a nova namorada do marido. Melun 04.2020 (2/5)
O Homem Perfeito (Marcus Baldini, 2019). Produzido por Damasco Filmes. Argumento de Tati Bernardi, Patricia Corso, Pedro Coutinho. Elenco: Luana Piovani, Sergio Guizé, Marco Luque e Juliana Paiva.

Duas de Mim (Cininha de Paula, 2017)

Comédia um pouco acima das muitas comédias populares brasileiras que todos os anos são produzidas. Em Duas de Mim a atriz principal, Thalita Carauta, dá um show no papel de duas gémeas que começam por se ajudar e acabam rivais. Algumas cenas são muito engraçadas mas o argumento é rasteiro. Melun 11.2020 2,5/5

21.7.26

O Amor no Divã (Alexandre Reinecke, 2016)

Na origem, uma peça teatral: Terapia de casal, de Juliana Rosenthal. Dois casais atravessam uma crise conjugal, sendo que a mulher mais velha (Zezé Polessa) é terapeuta do casal jovem. Este idealiza a relação da terapeuta e do marido e imagina-os como um exemplo para a sua própria relação. O filme é uma transposição sem chama da peça de Rosenthal. O melhor é mesmo apreciar o quarteto de atores: Fernanda Paes Leme, Paulinho Vilhena, Zezé Polessa e Daniel Dantas. Vila do Conde 2020 Netflix 2/5

Festa (Ugo Giorgetti, 1989)

Festa é descendente de À Espera de Godot. No primeiro andar de uma mansão decorre uma festa, que nunca vemos; no rés-do-chão três homens, dois jogadores de bilhar e um tocador de gaita esperam a sua vez de intervirem na festa, mas isso não acontece. À volta deles, garçons e criadas da casa andam de um lado para o outro, ocupados. Antonio Abujamra, Adriano Stuart e Jorge Mautner são os três à espera e nem direito a uma bebida têm. Têm o estatuto dos artistas, que trabalham quando são chamados, para distrair um público imprevisível que se tem de contentar a todo o custo. Inclusive pela arte e pelas habilidades que dominam. O filme mostra situações universais dos profissionais dependentes, mais ou menos humilhados. Mas o tédio não afeta só os personagens mas também os espectadores, como me aconteceu a mim por momentos. O elenco inclui ainda Otávio Augusto, Ney Latorraca, Patrícia Pillar e José Lewgoy. O filme foi o grande vencedor em Gramado (melhor filme, argumento e atores). Melun 2020 TV 3/5

Pendular (Julia Murat, 2017)

Um casal de artistas, ele escultor, ela coreógrafa-dançarina, vive e trabalha num galpão abandonado, no centro de São Paulo. A vida e a arte entrelaçam-se, e o humor de ambos varia consoante o rumo que toma o seu projeto de vida. Ele quer um filho ela não, mas acaba por ficar grávida. A cena final, de reconciliação através da arte, é particularmente bela. Porto 2020 cinema Trindade 3/5

Chatô, o Rei do Brasil (Guilherme Fontes, 2015)


Dona Lurdes, o Filme (2024)
Direção de Cristiano Marques, José Luiz Villamarim
Cinemark 28.03.2024
Filme de produção atribulada e flop nas salas, Chatô adapta a biografia assinada por Fernando Morais sobre o magnata da imprensa Assis de Chateaubriand. Personagem de uma boçalidade extrema, representa uma faceta do Brasil infelizmente bem presente no país político atual. O argumento do filme e o ator que encarna Chatô (Marco Ricca) não foram esquecidos nas nomeações dos prémios de cinema Guarani e Grande Otelo. Ainda assim Guilherme Fontes foi considerado o melhor realizador pela APCA. VC 2020 Netflix 2/5

18.7.26

Os Farofeiros (Roberto Santucci, 2018)

Roberto Santucci é um dos grandes especialistas da comédia brasileira de grande sucesso. Os Farofeiros é um dos seus últimos sucessos, pois teve 2,6 milhões de espectadores. Os farofeiros são aqueles novos ricos que não largam os hábitos e tiques da sua origem social (como não abdicar do seu frango assado com farofa) e são um alvo privilegiado do humor de Santucci. São fanfarrões e barulhentos e estão sempre metidos em encrencas. Neste filme vários casais partilham uma casa de praia que está a cair aos pedaços. Talvez não se lembrarão das férias pela praia ou pelo lazer previsto, mas não irão esquecer os problemas que não param de criar uns aos outros, das birras entre casais e entre pais e filhos. Melun 04.2020 (3/5)
Os Farofeiros (Roberto Santucci, 2018), produzido André Carreira (Camisa Listrada), Globo Filmes e Fox. Argumento de Paulo Cursino. Elenco: Danielle Winits, Antônio Fragoso, Maurício Manfrini, Cacau Protásio. O filme foi nomeado para o prémio Grande Otelo de melhor comédia.

Tudo Bem no Natal que Vem (Roberto Santucci, 2020)

Tudo Bem no Natal que Vem (2020)

Um homem passa um Natal de inferno, desgastado com os afazeres da ceia e as complicações com os familiares que o visitam. Mas o pior é quando ele passa a acordar no dia de Natal, manhã após manhã, mas em anos posteriores. De cada vez terá de inteirar-se das voltas que a sua vida levou... Divertido e menos bobo do que outras comédias brasileiras recentes. VC 12.2020 Netflix 3/5

12.7.26

Até que a Morte Nos Separe (Roberto Santucci, 2012)

Em 2012 vi no Brasil o primeiro Até que a sorte nos separe, que foi um grande sucesso, tanto que motivou uma sequela. Vejo na wiki que o primeiro filme custou 6 milhões de reais e teve receitas de 34 milhões. E conseguiu um público de 3,4 milhões de espectadores. Está tudo dito sobre o sucesso do filme original. Também foi realizado por Roberto Santucci e estrelado por Leandro Hassum e Danielle Winits. Lembro-me de que me diverti muito a ver o filme, embora este último seja de qualidade duvidosa. Mas a história e os atores garantem um bom momento de diversão, coisa que muitas vezes não acontece com as comédias, sobretudo brasileiras e francesas (baseio-me na minha experiência). Continuo a preferir de longe as comédias americanas. Rio, Odeon Petrobrás (2012) 3/5

Um casal pobre torna-se milionário mas alguns anos depois entra em falência e tem de voltar à casa de partida. A perspetiva da recaída na pobreza está na origem de todo o burlesco que atinge o protagonista (Leandro Hassum), ator carismático mas sem direção que o impeça de cair na caricatura a traço grosso. Vi o filme na estreia no Odeon do Rio em novembro de 2012 e diverti-me a ver as aventuras desta família caída em desgraça. Hoje o filme tem menos graça. Mas foi um sucesso enorme, com mais de 3 milhões de entradas nas salas. Rio 2012 Odeon & Melun 11.2020  TV 3/5

9.7.26

Um Animal Amarelo (Felipe Bragança, 2020)

 
Livre, fantasista, radical, didático, irreverente. O mundo lusófono detonado, cheio de fantasmas do passado colonial dolorido. Uma fábula por vezes opaca sobre os negócios contemporâneos entre o Brasil, Portugal e os países africanos. Coprodução entre o Brasil e Portugal, algures entre Júlio Bressane e Miguel Gomes. Porto 10.2020 cinema Trindade 2/5

Duas Estranhas Mulheres (Jair Correia, 1981)

Filme em dois episódios, Diana e Eva. Duas belas atrizes: Patrícia Scalvi e Fátima Celebrini. A primeira mata o marido, a segunda é morta por um homem que lhe dá boleia. Mas as tramas são mais complexas e raiam o surrealismo que na época não era assim tão supreendente. Diana encontra num bar um homem, sósia do seu marido, mas que a trata melhor, na verdade é uma projeção do seu desejo e insatisfação. Matando o marido mata o amante. Melun 2020 (2/5)
Duas Estranhas Mulheres (Jair Correia, 1981). Produção de Cassiano Esteves (Jair Correia Filmes, Marte Filmes, UCB), roteiro de Leila Maria Bueno e Jair Correia, com Patrícia Scalvi, Hélio Porto, John Doo, Fátima Celebrini, Vandi Zachias. *Troféus APCA: Melhor diretor, atriz (Patricia Scalvi) e ator coadjuvante (Vandi Zachias).

Democracia em Vertigem (2019)

Um bom documentário, de grande projeção internacional (produzido pela Netflix, foi nomeado ao Oscar), sobre os sucessivos atentados à democracia brasileira nas últimas décadas. A realizadora assume a sua preferência por alguns protagonistas mas essa postura não impede a objetividade e a pertinência das questões abertas. Vila do Conde 02.2020 (3,5/5)

Amor.com (Anita Barbosa, 2017)

Isis Valverde é o principal chamariz do filme, pelo menos para mim. É uma comédia romântica insossa. Uma blogueira de moda encanta-se com um nerd em tudo alternativo. Bom, os dois vão aprender a ultrapassar os preconceitos recíprocos relativos à forma de estar de cada um. VC 12.2020 Netflix 2/5