Miyazaki fecha a sua carreira de realizador com (mais) uma obra-prima. Le vent se lève foi um sucesso estrondoso no Japão e suscitou polémica como não era habitual na estreia dos filmes de Miyazaki. Mas Le Vent se lève é um filme atípico do seu autor, já que é um filme com personagens adultas e é um filme de reconstituição histórica (Japão e Europa nos anos 1930). A infância e as crianças também aparecem no início do filme (a infância do protagonista), mas não têm a importância central que assumem em outras obras de Miyazaki. Apenas os sonhos de infãncia comandam toda a acção do protagonista ao longo da sua vida. Le Vent se lève homenageia de forma comovente a literatura, a começar pelo título, "Le vent se lève / il faut tenter de vivre", versos de Paul Valéry, que coroa a paixão entre o protagonista e a sua apaixonada. Há também uma referência à Montanha Mágica, de Thomas Mann, num filme em que a Alemanha do período negro hitleriano está sempre presente. O filme é sobre a paixão de um engenheiro aeronáutico pelos aviões e da sua ambição em conseguir chegar mais longe do que a engenharia alemã da época. Mas todos os avanços nessa área do conhecimento técnico tiveram no futuro próximo consequências nefastas para a humanidade. Miyazaki consegue articular muito bem e de forma sensata essas duas faces da mesma moeda. E consegue-o com a habitual beleza formal dos seus outros filmes. Le Vent se lève (2013) Paris, Bastille 4,5/5
