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9.4.26

Les Enfants du Paradis (Marcel Carné, 1945)

Quando vi Les Enfants du Paradis em 1985, na RTP, ainda não tinha 20 anos, mas nunca me esqueci do efeito que teve em mim essa descoberta. Até hoje é o meu filme francês preferido, e poderia muito bem escolhê-lo como o meu filme preferido de sempre. Das três vezes que o vi não hesitei um segundo em dar-lhe a nota 10/10, que poucas vezes utilizo. Para mim o filme é um milagre cinematográfico, cuja realização se arrastou por vários anos na França ocupada pelos nazis, tendo estreado depois da guerra, em 1945. Ou seja, condições tão adversas não poderiam resultar num trabalho perfeito. Mas o filme vai para além da perfeição. Há coisas no cinema francês da época (atores, temáticas, estilo de representação, argumentos excessivamente literários, etc.) que geralmente impedem a minha adesão, mesmo aos melhores filmes. Les Enfants du Paradis é a grande excepção: tem todos esses elementos mas transforma-os com felicidade, aos meus olhos, em qualidades evidentes. Os atores, que me irritam noutros filmes, encantam-me neste e entram, por via deste filme, na dimensão do mito. Em primeiro lugar, Arletty, por quem tenho uma paixão enorme devedora quase exclusivamente aos Enfants du Paradis. Claro que a sua Garance é uma das grandes personagens do cinema. Jean-Louis Barrault é, como Arletty/Garance, uma aparição, um ator com um movimento corporal lunar (é um mimo). E há também Maria Casarès, menos marcante, mas inesquecível. 
Mas acima de tudo, o que me entusiasma no filme é o argumento e os diálogos de Jacques Prévert. Aliás, é justo atribuir a autoria do filme à dupla Carné/Prévert. O filme é sobre o Amor, na sua dimensão mais sublime, quando une dois seres (Garance e Baptiste ou Arletty e Barrault) acima de qualquer contingência material. As personagens são atores e movimentam-se no boulevard du crime, no meio do teatro mais popular e grosseiro. Já vi milhares de filmes mas nunca vi diálogos como os deste filme. Gostaria de os memorizar como outros memorizam poesias. Poderia continuar a elencar as qualidades do filme, que é uma sucessão de cenas cada uma melhor do que a outra, sem momentos fracos. Mas fico-me por aqui. Hei-de ter outras ocasiões para falar do filme, que agora circula pelas salas e em DVD, pelo menos desde 2012 (quando revi o filme quase trinta anos depois da sua descoberta), numa versão resmasterizada. Paris: 2012 FQL & Le Desperado 12.2015 5/5

15.4.23

Biblioteca ARLETTY

ARLLETGYPAROLES RETROUVÉS (2012)
Autor: Robert de Laroche
ed. La tour verte 2012
Colection La muse celluloid
BIBLIOTECA

Texto 2024
BIBLIOTECA
Leituras 2025
JE SUIS COMME JE SUIS (1987)



28.9.22

Marcel CARNÉ

LES JEUNES LOUPS (1968)
Paris 09.2022 Le Reflet Médicis
Juliette ou la Clé des songes (Marcel Carné, 1950)

O realizador do meu filme francês preferido (Les Enfants du Paradis, 1945) fez filmes glaciais, difíceis e aborrecidos como este. É um filme de esteta, com uma fotografia e cenários belíssimos, sublinhados pela cópia nova posta agora nas salas. E Gérard Philippe é enorme. Paris 06.2021 FQL 2,5/5



Les Enfants du Paradis (Jill Forbes, 1997) 
BFI Film Classics Series
BIBLIOTECA 


Le Jour se lève (Marcel Carné, 1939)
Le Jour se lève, clássico do realismo poético, foi uma boa surpresa. Começa como um filme noir americano: um homem é morto por outro, que logo se fecha no seu apartamento e é cercado pela polícia e pela população que o observa da rua. Durante as horas que antecedem o seu suicídio, ele relembra o seu passado recente e as razões que explicam o crime cometido. Uma dupla mágica de intérpretes iluminam esta história de paixão: Jean Gabin e Arletty. Sem dúvida, os meus atores preferidos do cinema francês anterior à Nouvelle Vague. Paris 03.2016 Cinémathèque & Melun 16.01.2026 Les Variétés 3,5/5
Le Quai des Brumes (Marcel Carné, 1938)
Le Quai des Brumes é um clássico do cinema francês anterior à guerra. Não é dos meus preferidos, pois o tom é demasiado grave e postiço para o meu gosto. Só a interpretação nervosa de Jean Gabin dá alguma vida a este hui clos passional passado à beira-mar, com grandes diálogos de Jacques Prévert. TV 2004, Paris 2012 FQL & 03.2016 Cinémathèque 3/5

24.6.19

Carol for Another Christmas (Joseph L. Mankiewicz, 1964)

Uma variante do célebre conto de Dickens, A Christmas Carol. Um ex-militar reformado vive de forma solitária e egoísta virado para o passado: o seu filho morrera na guerra e desde então o pai desconfia de todas as bondades do mundo. Ultra-direita, anti-comunista primário, recusa qualquer acto de solidariedade entre os indivíduos e entre os povos. Na noite de Natal vai ter a visão do estado em que o mundo ficará se todos procederem como ele. O filme é a única realização de Mankiewicz para a televisão e foi feito para sensibilizar a opinião pública para a importância das Nações Unidas, criada na altura. O argumento é de Rod Serling, e tem entre os atores, Sterling Hayden, Peter Sellers, Robert Shaw, Ben Gazzara. Paris Cinémathèque 2/5