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9.8.18

Adventures in the Alaskan Skin Trade (John Hawkes, 1985)

O título do livro prepara-nos para um romance de aventuras e é isso que obtemos. A protagonista e narradora é uma mulher que chega criança ao Alasca com os pais e acaba por trabalhar num bordel. Tudo é narrado com bom humor (e talvez demasiada ligeireza ao evocar essa sua vocação) e a narrativa privilegia a figura do pai da protagonista, homem corajoso e generoso que se mete em aventuras de socorro e cultiva o amor pela mulher e a amizade acima de tudo. Sem contar, acabou por ser uma leitura ideal de verão, de grande qualidade literária. Li o romance em português: Aventuras no Comércio de Peles do Alasca (Fragmentos, 1987). Salvador, Bahia 3,5/5

12.3.18

Master of the Moor (Ruth Rendell, 1982)

Pois é. Finalmente leio uma obra da grande Ruth Rendell. O Senhor da Charneca (PEA «Clube do Crime» 2006) é um romance policial passado numa pequena povoação inglesa dominada pela charneca, que é em si uma personagem. Várias mulheres são encontradas mortas na charneca e o principal suspeito, num primeiro momento, é o protagonista, que é uma autoridade da charneca, escrevendo sobre a mesma num jornal local. Ele parece gostar mais da paisagem do que da própria mulher ou de que qualquer outra pessoa. Na charneca ele costumava brincar com um amigo de juventude, e juntos exploraram alguns lugares inacessíveis, aventuras que o marcaram a ponto de a saudade do amigo surgir com uma dimensão homoafetiva muito clara. Aliás, o romance  tem na sugestiva descrição psicológica das personagens uma das suas melhores qualidades. Paris 2018:  3,5/5

13.12.16

Colleen McCULLOUGH L2

Desta vez li o livro (Tim, 1974) sem conhecer o filme, sem mesmo saber que o primeiro livro de Colleen Mccullough, além de ser um enorme sucesso, inspirou pelo menos dois filmes, o primeiro dos quais com o jovem Mel Gibson no papel do protagonista. O romance narra a história de amor entre uma solteirona rica, quarentona, e um jovem excecionalmente belo mas com um atraso mental que o afasta de uma vida normal. Protegido pelos pais e pela irmã, gozado pelos colegas de trabalho, lamentado pela sociedade, Tim encontra em Mary Horton alguém que pouco a pouco se torna a sua melhor amiga e a sua companheira para a vida. Leitura e história interessantes, embora tudo se encaixe de forma demasiado perfeita. As personagens são pouco complexas e as importunas são simplesmente afastadas para tornar o romance entre Tim e Mary idílico. Foi o romance mais próximo da chamada literatura cor de rosa que eu já li. Vou querer ver os filmes, pois a história e os atores (Pier Laurie & Mel Gibson, Candice Bergen & Tom McCarthy) prometem.Viagem Paris-Salvador 2017: 3,5/5
Nos anos 80, Colleen McCullough era uma escritora famosa em todo o mundo, assim como em Portugal (publicada pela Difel). Duas amigas minhas na altura leram vários livros dela mas eu não me interessava por uma literatura que suspeitava estar próxima da narrativa telenovelesca. E essa intuição tinha a sua razão de ser. Li agora As Senhoras de Missalonghi (1987), que conta a história de três mulheres que vivem sozinhas numa casa velha, numa pobreza evidente. Mas a sua condição é consequência de uma sociedade (Austrália, na primeira metade do século XX) que subordina as mulheres aos homens. Numa pequena povoação chamada Byron, fundada por um Hurlingford, quase tudo pertence a esta família, mas todos os negócios e heranças ficam com os filhos varões e as mulheres recebem casas e não são incentivadas a trabalhar. As viúvas e as solteiras caem facilmente na pobreza. Missy é uma dessas solteironas que não tem perspetivas de vir a melhorar a sua condição. Mas como acontece nas narrativas cor de rosa típicas, Missy vai passar de patinho feio da família a mulher independente e rica, que terá nas mãos o destino das fortunas dos parentes Hurlingford. A parte final do romance, com esta transformação radical da heroína, é uma decepção. Paris 2016: 3/5