Para quem gosta de história da arte, este é um filme irresistível. Nele assistimos aos últimos anos da vida de Michelangelo, marcados pelo desespero face às escolhas que o artista tem de fazer, que podem desagradar aos homens e a Deus. Michelangelo acumula encomendas, dívidas e desafetos dos seus superiores, mas o seu génio a todos vence. Começamos por ver o seu trabalho na Capela Sistina e depois vemo-lo a explorar as pedreiras de mármore de Carrara, para extrair as enormes pedras com as quais fazia o mausoléu de um papa recém-falecido. Mas o mundo dos homens é implacável: a família Médicis substitui os Della Rovere no governo de Florença e Michelangelo tem de obedecer a uns e a outros, desagradando a ambos. Konchalovsky foi assistente de Tarkovsky e logo nos vem a memória o genial Andrei Roubliov, outro retrato espiritual de um artista renascentista. O assistente ficou a léguas do mestre mas ainda assim deu-nos um filme grandioso. Paris 05.2021 Bercy 4/5
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12.4.26
26.3.26
Brancas do Carteiro (Andrei Konchalovsky, 2014)
Brancas do Carteiro (Andrei Konchalovsky, 2014)
A vida de um carteiro numa região russa onde as pessoas vivem isoladas à beira de lagos. Poucos querem ficar a viver ali. A vodka é sempre um recurso à mão para espantar o tédio. Belo filme. Porto 02.2022 Trindade 3,5/5
28.1.18
Faute d'Amour (Andreï Zvyagintsev, 2017)
Este é um dos melhores filmes de 2017 segundo quase toda a gente. Um drama familiar que alfineta aqui e ali os podres da sociedade russa. Um casal está a divorciar-se e marido e mulher empurram o filho um para o outro. O indesejado foge de casa e as buscas começam... Pouca coisa parece escapar à crítica que o filme encerra: os novos ricos, o egoísmo das pessoas, a organização do trabalho, as relações entre gerações. Merece todos os prémios que recebeu e vai receber. Foi nomeado como melhor filme no Oscar, no Golden Globe e o BAFTA. Paris 2018 (4/5)
7.11.14
Leviathan (Andrei Zvyagintsev, 2014)
Muito queria ver o filme russo do ano, cujo argumento foi premiado em Cannes e foi proposto pela Rússia aos óscares. Deverá chegar aos nomeados finais, pois o filme é tão crítico da situação política russa de hoje (e de sempre) que os americanos não deixarão escapar uma oportunidade simbólica destas. Leviathan é sobre a rebeldia de um homem contra o sistema e a sua aniquilação pelo mesmo. Já vimos isto muitas vezes, e não é difícil imaginar uma história semelhante em Itália, no México ou no Brasil, só para falarmos em democracias reconhecidas, O filme tem pois um alcance universal e é crítico em relação à corrupção dos poderes e das mafias locais. Mas na Rússia, e segundo o próprio realizador, essa parece ser uma segunda natureza da nação, com ou sem Putine. Ele confessa que nunca votou, pois isso não muda o sistema. É de arrepiar. Paris 11.2014 Arlequin 4/5
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