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1.7.26

My Fair Lady (George Cukor, 1964)

REALIZAÇÃO: George Cukor ESTREIA: 21.10.1964 (EUA) 4/12/1964 MINHA LINDA LADY (Portugal) 6/01/1965 MINHA BELA DAMA (Brasil)
Estreia: 1 de novembro de 2017
Filmothèque du Quartier Latin
Versão restaurada digital
Projetada em alta definição 4K

Eu até tenho o DVD na edição de colecionador deste filme único, mas nada para mim era mais prioritário nas salas, esta semana, do que a reposição de My Fair Lady numa cópia digital em alta definição 4K. Será que os primeiros espectadores do filme o viram com esta qualidade de imagem e som? Duvido... My Fair Lady é o canto do cisne da Hollywood clássica, um filme esplendoroso mas todo voltado para o passado e para os valores "seguros". O mogul Jack L. Warner (n. 1892) produziu, George Cukor dirigiu superiormente Audrey Hepburn como fizera com tantas outras atrizes desde os anos 30, o score e as canções de Frederick Loewe & Alan Jay Lerner inclui clássicos do grande songbook americano (mas nada a ver com o rock/soul/folk que dominava a cultura da época). Nada no filme anunciava a Nova Hollywood que estava em gestação e os valores da história de Bernard Shaw que está na origem desta comédia musical vão ao arrepio dos valores que contavam na América de então. O que My Fair Lady projeta para o futuro é o testemunho de um savoir-faire único, irrepetível, que assegura um encantamento para milhões de espectadores como eu, enquanto durar a nossa memória afetiva tocada pela cultura americana da primeira metade do século XX. My Fair Lady podia ter resultado num momento estéril, decadente, como tantos outros filmes da sua época, mas milagrosamente esquiva-se a tal destino. A chuva de (8) óscares que recebeu não foi mais do que um indicador da clarividência dos profissionais de cinema da época. Oscar & Golden Globe de melhor filme, realizador e ator, BAFTA de melhor filme. Paris 11.2017 FQL 5/5
DVD My Fair Lady (1964)
DVDTECA 

15.12.16

The Constant Husband (Sidney Gilliat, 1955)

Rex Harrison acorda no País de Gales pensando estar no estrangeiro, fora da sua ilha natal. Mas também não sabe quem é nem o que faz ali... Amnésico, com a ajuda de um médico, vem a saber que se casou com sete mulheres, tendo-as abandonado pouco depois do casamento. Esta comédia é escrita por Sidney Gilliat e Val Valentine, e protagoniza-a Rex Harrison, ao lado de Margaret Leighton, Kay Kendall, Cecil Parker. Uma comédia britânica um pouco datada mas com charme. Paris 12.2016 Le Champo 3/5

5.11.16

The Reluctant Debutante (Vincente Minnelli, 1958)

O cinema Christine 21 está a passar um ciclo dedicado a Vincente Minnelli, um dos realizadores que pretendo conhecer integralmente. Mas The Reluctant Debutante (1958) é uma comédia insípida, a anos-luz dos dois filmes magistrais que fez no mesmo ano: Some Came Running e Gigi. Até os atores são insípidos nesta comédia sobre a tradição londrina dos bailes de debutantes: Rex Harrison, Kay Kendall, John Saxon, Sandra Dee e Angela Lansbury. Tive a sorte, cada vez mais rara, de ver este filme em CinemaScope projetado em 35mm. Paris 3/5

9.4.14

The Honey Pot (Joseph L. Mankiewicz, 1967)

Estreou ontem em Paris, numa versão restaurada, The Honey Pot (1967), um dos últimos filmes de Joseph L. Mankiewicz. Tratando-se de um dos meus realizadores preferidos e sendo este filme de 1967 um dos poucos que ainda não tinha visto da sua carreira (realizou 20 filmes) não foi difícil preterir todas as estreias da semana para ver um filme dos sixties.
Mankiewicz é o cineasta da palavra. Nos seus filmes encontramos os diálogos e a voz off mais literários do cinema, e durante a maior parte do tempo somos seduzidos pela palavra tanto quanto pelos atores, sempre magníficos, ou pela realização. The Honey Pot, mais uma vez, apresenta uma história de um cinismo avassalador, como só em Mankiewicz é possível encontrar. Um milionário americano a viver num palazzo de Veneza decide fingir-se moribundo e atrair ao seu pote de mel três das suas antigas conquistas femininas para se divertir com o espetáculo da sua concupiscência. Impossível resumir as voltas que dá esta peça de teatro encenada pelo milionário como o último acto da sua existência. Brilhante. Paris, Filmothèque QL 2014 (4/5)