Anna é muito jovem (35 anos) mas tem já uma carreira longa pois começou por participar em musicais ainda criança (High Society, Annie) e estreou no cinema quando ainda não terminara os estudos secundários. Mas este livro não é verdadeiramente um livro de memórias, mas sim relatos bem humorados de momentos e dimensões da sua vida de atriz. Anna foge do estatuto de estrela e da vida social associada a esta. Mas refere que foi bom ter um futuro-presente assegurado, liberto das angústias da falta de trabalho contínuo que caracterizou os seus primeiros anos. A carreira de Anna interessa-me particularmente, pois é das raras atrizes especializadas no musical, tendo participado em vários musicais dos nossos tempos: Into The Woods (o filme), Fever Pitch (três filmes), Camp, entre as suas incursões pelo musical no teatro. Chegou a participar numa importante produção de Stephen Sondheim ao lado da consagrada Claire Bloom. Anna foi desde logo apreciada pelo seu trabalho: foi nomeada para importantes prémios do teatro (Tony Award) e do cinema (Oscar, Golden Globe, Spirit, entre outros). Livro bem interessante. Paris 2020 (3/5)
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28.7.26
12.4.26
La Légende Adjani (Erwan Chuberre, 2010)
LA LÉGENDE ADJANI (2010)
Autor: Erwan Chuberre
BIBLIOTECA F
Erwan Chuberre é fã de Isabelle Adjani. Traça o percurso da atriz com admiração intensa e permanente. Tende a mostrar o melhor da atriz menos nos seus trabalhos menos conseguidos. Fica extasiado com o recorde de 5 Césars conquistados por Adjani e pelos Molières que também recebeu. Não é muito habitual o feito de Adjani, e é pouco conhecido fora da França, mas ela começou no teatro com um retumbante sucesso e foi logo convidada a ser pensionária da Comédie Française, a mais jovem de sempre! Mas foi desviada para o cinema por François Truffaut. Voltaria ao teatro muitos anos depois para o entusiasmo dos seus fãs e dos críticos. Esse regresso aos palcos deu-lhe os cobiçados Molière. Foi dirigida por Truffaut, Pinoteau, Nuytten (com quem se casou), Claude Miller, Chéreau, Zulawski, Becquer. Paris/Porto 07.2020 (3/5)
22.5.24
Françoise SAGAN
OEUVRES (1993)
Bouquins Robert Laffont 1993
Préface de Philippe Barthelet
BIBLIOTECA
LES FAUX-FUYANTS (1991)
Quatro amigos da alta sociedade parisiense viajam com destino a Lisboa, durante a segunda guerra mundial, enquanto a França está a ser bombardeada pelos alemães. São recolhidos por uns agricultores após perderam o carro de luxo num ataque que fez uma vítima mortal: o motorista deles. Segue-se uma comédia que opõe os parisienses finos aos campesinos grossos. Mesmo assim todos juntos vão salvar as colheitas e a atração sexual entre os dois grupos não faltará. Poderia ser uma peça de teatro como as que Sagan escreveu nos anos 60 (as únicas que conheço). Mas é um romance, divertido muitas vezes, mas também caricatural. A socialite Diane é a personagem mais interessante e parece ser um alter ego da própria Sagan. Ainda não foi desta que me cansei desta escritora francesa. Vila do Conde 07.2020 (3/5)
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| Le livre de poche, 1979 |
DES YEUX DE SOIE (1975)
Conhecia os romances (bons) e as peças de teatro (simpáticas) mas desconhecia os contos. O universo estreito da escritora mantém-se o mesmo, de obra para obra. Gente rica, profissionais de topo da cultura e as personagens que são atraídas por quem tem dinheiro e pode garantir conforto material. Foi nesse mundo que Sagan se moveu e fez muito bem em testemunhá-lo literariamente. Em 1975, a juventude de Sagan já passara, e essa experiência caracteriza uma boa parte das personagens desta coletânea de contos. As protagonistas são quase sempre mulheres de meia-idade, confrontadas com as traições dos maridos, e com a traição da própria vida, que não cumpriu o que parecia ser uma promessa. Umas vivem do dinheiro de maridos ricos, outras servem-se do dinheiro para pagar a companhia de um jovem. Em todas a desilusão é evidente. Num dos contos, uma mulher conseguiu afastar dela o marido rico garantindo uma mesada principesca. À primeira contrariedade resolve matar-se... Viagem Porto/Paris 01.2020 3/5
22.1.24
Biblioteca Atrizes França
DENEUVE L'AFFRANCHIE (2007)
Ensaio de Bernard Violet
Flammarion 2007
BIBLIOTECA F
EDWIGE FEUILLÈRE (1977)
Les Feux de la Mémoire
Albin Michel 1977
BIBLIOTECA F
Les trois glorieuses: Danielle Darrieux, Michèle Morgan, Micheline Presle (Henry-Jean Servat, 2008)
Pygmalion 2008
BIBLIOTECA F
8.4.21
Amélie NOTHOMB
TANT MIEUX (2025)
Albin Michel 2025
Leituras 2025
2/5
LES AÉROSTATS (2020)
Que personagens são estas? Um adolescente disléxico antissocial que é um pequeno monstro em potência (no final esse monstro vai usar as suas garras assassinas contra os pais), uma jovem universitária inteligente, culta e extremamente impopular entre os colegas, e a colocatária desta, pessoa fria e inacessível como um pilar de pedra. A jovem é contratada para tratar da dislexia e dos problemas de leitura do adolescente. Faz milagres: ele lê a Odisseia num dia, a Ilíada noutro, O vermelho e o Negro noutro ainda. Cada uma das personagens (os pais do adolescente idem) parece sair de um filme de Tim Burton, encontrando-se na mesma história como se estivessem num barco a naufragar e todos corressem para o mesmo lado (errado). Li com prazer o romance-diálogo de Nothomb, fiquei com vontade de ler os clássicos citados e discutidos, mas quero esquecer bem depressa esta história e personagens vazias como um aeróstato. Melun 04.2021:2/5
SOIF (2019)
Soif é sobre Jesus nas últimas horas antes da crucifixação. Não há surpresas no enredo e no desenlace naturalmente. A atenção se concentra nos pensamentos de Jesus e na rememoração dos milagres que ele fez, e pelos quais foi depois acusado pelos beneficiados. O início promete um bom humor que depois se perde. Um Nothomb menor. Paris 06.2020 (1,5/5)
LE FAIT DU PRINCE (2008)
Le Fait du prince é o quarto livro que leio de Amélie Nothomb. Por que será que volto a esta escritora que considero talentosa mas longe de ser uma grande escritora? Leio-a com prazer e curiosidade mas sem nunca ficar arrebatado. Comecei com Hygiène de l'assassin (1920), o seu romance de estreia (e talvez o seu melhor) que me marcou bastante, depois li o divertido Stupeur et tremblements (1995) e nos últimos anos li Ni d'Eve ni d'Adam (2007) e agora este Le Fait du prince (2008). Os diálogos, caracterizados pelo humor e inteligência, são dominantes na literatura de Nothomb. O primeiro romance era um longo diálogo entre um escritor nobelizado e uma jornalista, que se transforma num duelo verbal entre duas inteligências. Le Fait du Prince começa com um longo diálogo entre dois desconhecidos numa festa particular e depois evolui para uma situação em que um homem e uma mulher ficam confinados a uma casa e através da conversa vão descobrir a identidade um do outro. O homem recebera em sua casa numa emergência um outro homem, que aí acaba por morrer. Então o homem assume a identidade do morto e vai conquistar a sua mulher. A situação ficcional de partida é engenhosa, como é habitual em Nothomb, mas não tarda a tornar-se demasiado artificial e portanto desinteressante. Até daqui a muito tempo, Amélie. Leitura 10.2015 Paris/Rio 2/5
Amélie Nothomb, de A à Z (Michel Zumkir, 2003)
Um livrinho organizado por ordem alfabética para conhecer o universo de Amélie Nothomb, o fenómeno literário da Bélgica. Nothomb passou a infância e juventude no Japão e na China e vive entre Bruxelas e Paris, mas longe dos holofotes mundanos. Há breves entrevistas com a família próxima (mãe, pai e irmã) e com os seus principais colaboradores. E os fãs também não são esquecidos. Ligeiro e interessante como os livros de Nothomb. Melun 02.2021 (2,5/5)
14.11.20
Le Cinéma japonais: une introduction (Max Tessier, 1997)
Uma exclente introdução ao cinema japonês, o mais importante de toda a Asia. Como Hollywood, a indústria de filmes do Japão organizava-se por majors, a que depois se juntaram as produtoras independentes, cada vez mais importantes a partir dos anos 60. No seio da indústria os mestres que vinham do mudo (Mizoguchi, Ozu, Naruse) edificaram obras fabulosas: uma produção abundante e intensamente pessoal. Os três estão entre os artistas que mais admiro e ainda tenho muito a descobrir de cada um deles. Nas gerações posteriores, os realizadores mais celebrados no livro são Kurosava, Oshima e Imamura. Faltou talvez falar dos grandes mestres de animação que se evidenciaram a partir dos anos 70. Outra questão importante do livro é a da imagem que temos no Ocidente do cinema japonês, glorificado pela política dos autores dos Cahiers e de Positif e pels prémios nos grandes festivais europeus, e pelos cinéfilos anglo-saxónicos sensíveis à diversidade do cinema popular do Japão. Melun 2020 4/5
17.10.20
Robert Louis STEVENSON
The Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (Stevenson, 1886)
Um clássico da literatura fantástica e do tema do duplo. O bom e respeitável Dr Jekyll cria um duplo que é o seu oposto, Mr Hyde, mau e assassino. O médico e o monstro, como o título português de algumas traduções explicita. A tradução que li é de Agostinho da Silva. Excelente leitura. Paris 10.2020 4/5
21.1.20
Cyril COLLARD
Cyril Collard, la passion
Ensaio de J-P Guerand e M. Moriconi (1993)
Cyril Collard deixou apenas uma longa-metragem, Les Nuits Fauves (1992), mas com ela conseguiu marcar a cultura francesa dos anos 80/90. O filme foi premiado com o César de melhor filme e melhor primeira obra. Cyril ainda foi nomeado pela realização e pelo argumento. Mas esta primeira longa foi o culminar (Cyril morreria pouco depois de terminar o filme) de um percurso intenso e breve em que realizou curtas-metragens, produções para a televisão, e escreveu dois romances importantes: Condamné d'amour e Les Nuits fauves. Obras onde a autobiografia marca presença, onde o autor se revela de forma distorcida obviamente. Nunca me esqueci do seu primeiro filme, que estreou em Portugal, certamente após o sucesso nos prémios César. Gostaria de o rever mas, curiosamente, nunca o vi programado, nem vi em dvd. Esta biografia foi publicada logo a seguir à morte de Cyril Collard, e lê-se também como uma homenagem ao biogrado. Paris 01.2020 3/5
19.12.19
Isaac Bashevis SINGER
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| Enemies, a Love Story (1972) Inimigos, uma História de Amor Dom Quixote, 1990 |
Herman Broder, judeu a viver na América tendo escapado aos nazis, não escapa à sua consciência pesada por viver com duas mulheres: é casado com uma camponesa polaca que o salvou da morte nos campos de concentração e vive com outra mulher, cobiçada por todos os homens mas que o deseja como marido. Há uma terceira mulher, a primeira esposa de Herman, dada como morta, mas regressada à vida (e à vida dele). Herman sente amor por todas, mas ele sabe que está a cometer um crime (secular e religioso). Em suma ele não sabe onde se há-de meter. Não admira pois que Isaac Bashevis Singer não seja bem recebido pelo seu povo. A sua criação, Herman, é assistente de um rabino, escreve sobre temas religiosos, mas encontra-se no centro de uma comédia sexual que não tem defesa possível. Pelo que sei este tipo de personagem aparece em outras obras do escritor nobelizado e é em certo sentido uma projeção do autor. Excelente romance. Póvoa de Varzim 01.2020 4/5
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| Isaac B. Singer: A Lifel (Farrar Straus Giroux, 2006) |
Isaac Bashevis Singer: A Life (Florence Noiville, 2003)
Apenas conheço a obra de Isaac Bashevis Singer de forma indireta, pelos filmes, nomeadamente a adaptação de Barbra Streisand (Yentl, 1983) de un conto do escritor. A leitura da biografia de Singer, da autoria da francesa Florence Noiville, levou-me a desejar muito ler os romances e os contos do autor que sempre escreveu em Yiddish. A sua vida impressiona, pois atravessou incólume as tragédias do século. Nasceu na Polónia e lá viveu os primeiros 30 anos de vida. Viu os seus (a comunidade judia da Polónia) serem perseguidos pelo polacos, russos e alemães. Antes da segunda guerra seguiu o irmão mais velho, Joshua Israel, também escritor, até Nova Iorque, onde ficaria durante o resto da sua vida. Nos anos 50 tornou-se famoso, primeiro nos EUA, depois no mundo inteiro, quando os seus contos foram publicados (em inglês) em revistas importantes. Facto único na história da literatura: Singer escreveu uma obra dupla, por um lado em Yiddish, por outro em inglês (com a ajuda de vários tradutores), mas estes não eram uma versão fiel dos primeiros, mas tinham características próprias para serem bem recebidos pelo público não judeu. Como muitas vezes acontece na arte, Singer retrata-se nos protagonistas de vários dos seus romances e contos, nomeadamente no que respeita à sua relação libertina com as mulheres (esta dimensão da sua obra nunca foi bem recebida pelos judeus). Em 1978, quando recebeu o Nobel, a sua obra estava nos píncaros (mas ainda levou algum tempo a ser traduzida na Polónia, terra natal de Singer), hoje não sei em que pé se encontra, junto dos leitores, uma obra que me parece fascinante. Paris 4/5
8.9.16
Ernesto SABATO
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| EL TUNEL (1948) O Túnel, ed. Relógio D'Agua "Crime Imperfeito", 2009 |
O Túnel é um clássico da literatura argentina, com fama universal. Um homem confessa os motivos do crime que o enviou para a prisão: por ciúmes doentios, matou a amante. Por que "o túnel"? Talvez porque o pessimismo e o ciúme atávico do protagonista o mantêm num túnel sem saída. Reconheço as qualidades que fazem desta novela um clássico, mas a leitura não me entusiasmou por aí além. P. Varzim 08.2016 3/5
ERNESTO (1975)
Ernesto é o único romance do grande poeta italiano Umberto Saba e é uma obra-prima. É um romance autobiográfico que trata da juventude de Ernesto e da descoberta da sua sexualidade. O livro aliás começa com a sedução do jovem protagonista por um homem mais velho (com 20 e poucos anos...) e sucedem-se cenas de coito entre os dois narradas com a maior naturalidade. O livro foi publicado pela primeira vez em 1975, muitos anos depois da morte do autor. Paris 10.2020 (5/5)
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