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27.7.26

Estive em Lisboa e Lembrei de Você (José Barahona, 2015)

 
REALIZADOR José Barahona ARGUMENTO José Barahona, baseado no romance homónimo de Luiz Ruffato PRODUÇÃO: Luís Alvarães, Fernando Vendrell, Carolina Dias, Mônica Botelho ELENCO Paulo Azevedo, Renata Ferraz, Amanda Fontoura ORIGEM Portugal-Brasil ESTREIA 25.10.2015 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 23.06.2016 (Brasil) VISTO Paris 2016 L'Arlequin NOTA 3/5

21.7.26

Chatô, o Rei do Brasil (Guilherme Fontes, 2015)


Dona Lurdes, o Filme (2024)
Direção de Cristiano Marques, José Luiz Villamarim
Cinemark 28.03.2024
Filme de produção atribulada e flop nas salas, Chatô adapta a biografia assinada por Fernando Morais sobre o magnata da imprensa Assis de Chateaubriand. Personagem de uma boçalidade extrema, representa uma faceta do Brasil infelizmente bem presente no país político atual. O argumento do filme e o ator que encarna Chatô (Marco Ricca) não foram esquecidos nas nomeações dos prémios de cinema Guarani e Grande Otelo. Ainda assim Guilherme Fontes foi considerado o melhor realizador pela APCA. VC 2020 Netflix 2/5

9.7.26

A Cidade do Futuro (Cláudio Marques e Marília Hughes, 2015)

As fragilidades deste filme não conseguem diminuir o interesse da história que é contada e a galeria das personagens maravilhosas interpretadas por Mila Suzarte, Gilmar Araújo e Igor Santos, que têm uma relação amorosa a três. Em breve serão quatro, pois vão ter um bébé com o qual pretendem formar uma família. Mas isto não se passa em São Paulo mas em Serra do Ramalho, interior da Bahia. A união amorosa dos três jovens acaba por ser mal recebida na cidade (são marginalizados, Mila é demitida, Igor é espancado). Mas contra todos os preconceitos, eles resolveu ficar juntos na cidade onde cresceram. Paris 2017 3,5/5

Mate-me Por Favor (Anita Rocha da Silveira, 2015)

No contexto da cinematografia brasileira esta primeira longa-metragem tem alguma originalidade. Não por incidir sobre adolescentes, mas por enveredar por um thriller sobre um crime pouco abordado no cinema brasileiro: o assassino em série em contexto urbano. No bairro da Tijuca um grupo de adolescentes andam perturbados com a morte de várias jovens em terrenos abandonados perto da escola onde estudam. Mas essas mortes tanto assustam como fascinam as adolescentes, que tentam saber os pormenores do que aconteceu às vítimas. O retrato desta juventude carioca de classe média, média-alta, é impressionante de sugestão. Frívolos, hedónicos, conservadores, transgressores, misteriosos, assim são estes adolescentes que dançam e louvam a Deus ao som do baile funk e da dance music dos anos 80 (será realista este pormenor?). Se refiro a música é porque foi um dos elementos que mais agradaram no filme, que privilegia a música negra em várias das suas vertentes. Esta nova realizadora promete muito. Paris 2017 3,5/5

Órfãos do Eldorado (Guilherme Cezar Coelho, 2015)

REALIZADOR Guilherme Cezar Coelho GÉNERO Drama ROTEIRO Guilherme Coelho, Marcelo Gomes e Hilton Lacerda, baseado na novela de Milton Hatoum ELENCO Daniel de Oliveira, Dira Paes, Mariana Rios ESTREIA Downtown Filmes 12.11.2015 (Brasil) VISTO Paris 2024 Arlequin

4.7.26

Zoom (Pedro Morelli, 2015)

Zoom é uma produção brasileiro-canadiana que propõe a articulação de três histórias segundo o modelo das bonecas russas. Uma das histórias é protagonizada por Garcia Bernal e é em desenho animado; outra é protagonizada pela estrela brasileira Mariana Ximenes; a terceira por Pil Alison. É este dispositivo original que dá valor ao filme, pois as histórias em si são desinteressantes, cheias de lugares-comuns. Paris 11.2017 FCBP 2/5

Beatriz (Alberto Graça, 2015)

Para escrever contos para uma revista portuguesa e em seguida um romance para um editor espanhol, Marcelo (Sérgio Guizé), um jovem escritor, envolve a sua mulher (Marjorie Estiano) em jogos eróticos que são a fonte da sua inspiração. Filme interessante mas não inteiramente bem resolvido, com excelentes interpretações dos protagonistas (menos bons são os portugueses Beatriz Batarda e Luis Lucas). E Lisboa é filmada como uma cidade erótica como ainda não tinha visto antes. O spot mais erótico parece ser o eléctrico 28... Paris 10.2017 Arlequin 3/5

Tudo o que Aprendemos Juntos (Sérgio Machado, 2015)

Tudo o que Aprendemos Juntos (Sérgio Machado, 2015)
Um jovem professor de música às voltas com uma turma problemática, num território (favela) mais do que problemático. Um filme sobre uma temática social quente, cheio de boas intenções, carente de boas ideias de cinema. Paris 2016 Les Halles 2/5

1.5.26

Beira-Mar (Reolon e Matzembacher, 2015)


Cartaz brasileiro
Beira-Mar conta a história de dois amigos que vão passar alguns dias numa pequena cidade do Sul do Brasil. Um volta a essa terra depois de muitos anos ausente para resolver um problema familiar (buscar um documento para o pai). O outro rapaz acompanha o primeiro sentindo-se atraído por ele. O filme é mais interessante do que promete o argumento rarefeito. A idade dos protagonistas (adolescentes ou jovens adultos) justifica a indecisão de motivações, de sentimentos, de reações que caracteriza a deambulação dos jovens pela cidade deserta pelo inverno. Afinal, as pessoas que o jovem visita são seus familiares, mas as relações entre eles são tão crispadas que levamos algum tempo a decifrar o que está em jogo. O protagonista também não tem certeza da natureza dos sentimentos que o amigo sente por ele nem dos seus próprios sentimentos (em relação ao amigo, em relação aos familiares). A câmara e a mise en scène transmitem com felicidade o estado informe da consciência do protagonista. Paris 03.2016 4/5
DVD francês da Epicentre Films, outubro de 2016  
Extras: 
Entretien avec Marcio Reolon et Filipe Matzembacher  
Court métrage : « A Ballet Dialogue »  
Bio-filmographie de Marcio Reolon et Filipe Matzembacher 
Galerie photos Bande-annonce


POSTAL L'Âge des premières fois
Filme de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher)
Epicentre Films 2015

COLEÇÃO DE POSTAIS

Aspirantes (Ives Rosenflet, 2015)


Aspirantes é a obra de estreia do realizador brasileiro Ives Rosenfeld. Tem várias qualidades, narrando com segurança a história de um jovem, acabado de sair da adolescência, que vai ser pai e persegue o sonho de vingar no mundo do futebol. Devido a essa fixação vai acabar por magoar os que os rodeiam, perdendo o melhor amigo e a namorada. Mas tal como o protagonista sofre de uma espécie de "paralisia" que o impede de comunicar com os outros, ao filme falta-lhe um pouco de nervo. Não me canso, no entanto, de descobrir tantos brasis diferentes através do cinema. Aspirantes dá-nos a ver um Brasil das pequenas cidades, de gente pobre, branca, que não vive em favelas. Paris 04.2025 2,5/5

Campo Grande (Sandra Kogut, 2015)

 
Para mim, Campo Grande é a confirmação de uma excelente cineasta. Sem dúvida, Sandra Kogut afasta-se de forma decisiva do cinema brasileiro medíocre dominado pelas ficções televisivas, pelas comédias grosseiras, pelos filmes indie demasiado devedores do argumento, etc.. Kogut tem ideias de mise en scène fortes, personagens que se revelam subtilmente, histórias que avançam com naturalidade, sem costuras à vista. Através da história do abandono de dois irmãos na porta de uma casa em Ipanema parece que testemunhamos a dimensão trágica da realidade brasileira. Muito bom. Paris 2015 Arlequin 3,5/5

Boi Neon (Gabriel Mascaro, 2015)

Boi Néon é o melhor filme brasileiro que eu vi desde O Som ao Redor. O anterior filme de Gabriel Mascaro (a sua obra de estreia) já revelava qualidades, mas este filme superou todas as expectativas. Primeiro, porque plasticamente o filme é um assombro, ao nível das escolhas da posição da câmara e da composição dos planos. Segundo, porque não havendo propriamente uma história, a sua proposta em termos de argumento é notável. Acompanhamos um pequeno grupo de pessoas que se dedica à preparação do gado que participa em shows taurinos, as vaquejadas, característicos do sertão brasileiro. Para além de uma mãe solteira e da sua filha, os homens do grupo são simples peões, sem família, sem namoradas. A elevada carga erótica do filme é por isso mesmo justificada e poderosamente traduzida pelas situações encenadas, que incluem a masturbação de um cavalo e uma relação sexual envolvendo uma mulher grávida. Pouco é explicado ou esclarecido, quase tudo é sugerido, adensando o mistério que envolve estas personagens. Nunca mais verei os peões com os preconceitos que por aí correm. Boi Néon abriu-me um pouco os olhos. Paris 11.2017 5/5

29.4.26

Arpoador, Praia e Democracia (Hamsa Wood e Helio Pitanga, 2015)

 
Arpoador, Praia e Democracia é um documentário problemático sobre um assunto fascinante, que me toca bastante. A ida à praia, para passear, para conviver, para entrar no mar, para apanhar sol, é um momento que tem muita importância na minha vida, que eu prezo acima de quase qualquer outra ocupação do tempo livre. Mas ir à praia no Rio, sociedade de desigualdades sociais gritantes e inscritas no espaço urbano, adquire um significado muito especial. As praias cariocas são espaços onde se encena todos os dias, durante o ano todo, uma proposta de democracia: os banhistas tiram a roupa e as diferenças sociais, culturais, tribais esbatem-se, sem desaparecerem por completo, no entanto. Foi com base numa tese semelhante do antropólogo Roberto DaMatta que foi realizado este documentário interessante, mas repetitivo, demasiado longo para a fina tese que pretende apresentar. Paris 04.2015 Arlequin 2/5