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30.5.26

Ney Latorraca em Muito Além do Script (Lucia Rito, 1999)

 
Ney Latorraca em Muito Além do Script (Lucia Rito, 1999)
Editora Globo 1999
BIBLIOTECA
A carreira de Ney Latorraca brilhou nas décadas de 70, 80 e 90, no teatro, na televisão e no cinema. Lembro-me da participação dele nas novelas, mas nunca foi para mim um dos grandes atores brasileiros. Por este livro soube que ele foi o protagonista, com Marco Nanini e Marília Pêra (encenadora), do maior sucesso de público do teatro brasileiro, a ponto de ter entrado no Guinness. O Mistério de Irma Vap, adaptação de um texto americano, teve 11 anos consecutivos em cartaz, sempre com o mesmo elenco. Este livro não é uma biografia de aturada investigação, mas antes vem colmatar uma lacuna: a inexistência de um livro de divulgação sobre a vida e a carreira de um dos maiores atores brasileiros. Lacuna eliminada. Paris 02.2022 NOTA: 3/5


26.4.26

Sai da frente! A vida e a obra de Mazzaropi (2010)

Sai da frente! A vida e a obra de Mazzaropi (2010)
Autor: Marcela Matos
BIBLIOTECA
Nunca me tinha acontecido isto: ler um livro sobre uma personalidade do cinema cuja filmografia me é totalmente desconhecida. Já tinha ouvido falar de Mazzaropi e sabia que ele era uma peça incontornável no cinema brasileiro. Foi um ator cómico que carregava os filmes consigo, como Totó em Itália ou Louis de Funès em França. Mas no cinema do Brasil a importäncia era bem maior do que aqueles cómicos nos respetivos cinemas nacionais. Mazzaropi teve de financiar, produzir, escrever, realizar e protagonizar os filmes para ter trabalho no cinema. Ele começou por trabalhar em grandes estúdios brasileiros nos anos 1950, que tentavam imitar os americanos ou a Cinecittä. No entanto, nem com o enorme sucesso dos filmes de Mazzaropi aqueles estúdios vingaram. Mazzaropi (neto de portugueses e italianos) teve de criar uma indústria só para si, erigindo bons estúdios no campo, em Taubaté, Sao Paulo, e trabalhando sempre com a mesma equipa. O sucesso durou anos e anos até à sua morte. É sempre comovente quando um povo inteiro (na realidade, mais o sul do Brasil) se identifica tanto com uma personagem de cinema e se revê nela. Mazzaropi criou o caipira (homem da roça, do campo) mais famoso do cinema brasileiro e transformou uma tradiçao literária consagrada na personagem de Jeca Tatu por Monteiro Lobato. Mas Mazaroppi começou por ser um grande ator cómico no circo, no teatro ambulante e depois fixo e na televisao, bem no início desta no Brasil em 1950 (o país foi o quarto no mundo a introduzir a televisão, depois dos EUA, França e GB). Mas foi o Brasil que lhe deu maior celebridade em todo o país. Agora resta-me ver alguns filmes com este Totó tropical. Leitura 2014 (4/5)

2.4.26

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)
Um dos atores mais amados pelos franceses, Lino Ventura representa efetivamente as qualidades da bondade, da coragem, da simplicidade pessoal daqueles que nasceram entre o povo. No caso de Ventura, ele representa o emigrante que se integrou na sociedade francesa, apesar das atitudes racistas que teve de suportar desde a escola primária. Nasceu em Parma, Itália, e foi criado pela mãe, tendo raramente visto o pai. Mae e filho passaram períodos muito difíceis e emigraram para Paris quando ele era bem pequeno. Ventura nunca deixou de celebrar e de voltar a Parma. Teve uma primeira carreira como lutador de catch, tenho sido campeão europeu na modalidade e em seguida tornou-se organizador de lutas. Mas nos anos 50 estrearia no cinema pela porta grande, ao lado de Jean Gabin, dirigidos por Jacques Becquer. Ne touchez pas au grisby e um marco do cinema policial frances. Foi dirigido ao longo dos anos por alguns grandes realizadores, como Claude Sautet e Melville. Desde a primeira cena que gravou, com um diálogo longo com o monstro sagrado Gabin, tornou-se evidente que era talhado para interpretar personagens destemidas e positivas, e interpretava-as muito naturalmente. A câmara gostava dele. O último filme que vi com ele foi Montparnasse 19, de Becquer, no qual fazia o seu primeiro papel de composição, o de um marchand de arte que se aproveita da morte de Modigliani para comprar todas as suas obras ao preço da chuva. Foram cenas poderosas. Esta biografia de Gilles Durieux, que conheceu Ventura, não é exemplar  nem de referência, mas cumpre o papel de oferecer uma narrativa razoável da vida do grande ator. Paris 04.2018 3/5

Raimu. UN GRAND ENFANT DE GENIE (2014)

RAIMU. UN GRAND ENFANT DE GENIE (2014)
Le Cherche Midi 2014
BIBLIOTECA F

7.4.25

Biblioteca Atores FR


LES RENAUD-BARRAULT (2000)
Autor: gérard Bonal
Seuil 2000
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (1986)
Autor: Jean-Marc Loubier
Editions Ramsay 1986
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (2021)
Obra de Olivier Rony
Folio Biographies n°154 (2021)
BIBLIOTECA


18.2.25

4.7.23

Biblioteca Atores US

ÊTRE CARY GRANT (2021)
Ensaio de Martine Reid
Gallimard 2021
BIBLIOTECA
Leitura 09.2024




GÉANT (Adrien Gombeaud, 2025)
Capricci 2025
BIBLIOTECA Fabrice
  • James Stewart (Jonathan Coe, 1994)
O consagrado romancista britânico Jonathan Coe é um grande cinéfilo e durante um curto período dedicou-se à crítica de cinema. Escreveu pelo menos dois livros nessa área, um sobre Humphrey Bogart e este sobre James Stewart. No original inglês chama-se James Stewart: Leading Man. Não é na verdade uma biografia do ator, mas uma leitura da sua obra, da sua persona através dos muitos e importantes filmes que fez em Hollywood. Coe destaca justamente os três grupos de filmes que Stewart fez com Frank Capra, Anthony Mann e Alfred Hitchcock. Muito bom. Leitura: 2016, PV 4/5
The Films of Robert Taylor (Lawrence J. Quirk, 1975)
Este livro-álbum percorre a filmografia de Robert Taylor, um dos grandes galãs de Hollywood. Todos os filmes (cerca de 80) são apresentados pelos créditos, por um texto e por várias fotografias. A leitura dos livros desta coleção é sempre empolgante, mesmo quando o seu objeto não é um dos mais interessantes atores de Hollywood. Robert Taylor assinou contrato com a MGM em 1934 e por lá ficou até aos anos 50, quando os contratos com os estúdios acabavam. Depois criou a sua prória produtora e fez sucesso também televisão. No início da carreira, depois de ser emprestado a outras produtoras, tornou-se num dos maiores galãs românticos do cinema. Contracenou com Garbo, Harlow, Stanwick, Lamarr, Leigh, Garson, Shearer, Taylor, Gaynor, Turner, Katherine Hepburn, Dunne, entre outras top stars. Era um ator muito bonito mas cedo ficou preso a essa imagem delicada e até feminina. Tanto Taylor como a MGM sentiram necessidade de mudar essa imagem. Os anos 40, anos de guerra, ajudaram a essa mudança. Taylor passou a estar rodeado de muitos homens e poucas mulheres e a aceitar papéis de gangster e durões. E até ao fim da carreira assumiu muitas vezes papéis pouco românticos. Leitura: V.Conde 2019 5/5

5.12.19

Hugh Grant: The Unauthorised Biography (Jody Tresidder, 1996)

Hugh Grant: The Unauthorised Biography
(Jody Tresidder, 1996)
BIBLIOTECA

Talvez seja a primeira biografia de Hugh Grant, publicada ainda no rescaldo do escândalo de Grant com a prostituta americana Divine Brown. Infelizmente, esse escândalo paira sobre todo o livro, e a parte final é a transcrição das entrevistas que Grant deu aos grandes entrevistadores-entertainers americanos nas semanas a seguir ao escândalo. Grant atingiu a celebridade com Quatro Casamentos e um Funeral, de Mike Newell, em 1994, e desde então tem-se mantido sob os holofotes. Grandes momentos dessa fama pós-Newell: Sense and Sensibility (1995), Notting Hill (1999), Bridget Jones's Diary (2001), About a Boy (2002) e Love Actually (2003). Mas até 1994 Grant já somava quase 20 filmes, o primeiro dos quais feito no último ano da Universidade, com os colegas. Três grandes momentos nos anos 80/90: Maurice (1987), The Remains of the Day (1993), ambos de James Ivory, e Bitter Moon (Polanski, 1992), o filme que terá convencido Newell a dar-lhe o papel de Four Marriages. Começou por fazer papel de gentleman em vários filmes mas Newell viu nele um talento natural para a comédia, um Cary Grant para os nossos tempos. E é nesse registo que tem dado o seu melhor, sobretudo nas comédias românticas. Paris 3/5

4.3.19

The films of Spencer Tracy (Donald Deschner, 1968)

Spencer Tracy é um dos meus atores preferidos. Trabalhou durante 10 anos no teatro, em Nova Iorque, e entrou para Hollywood no início do cinema sonoro. Destacou-se como um dos melhores, senão o melhor ator da sua geração. Foi, juntamente com Bogart, uma das estrelas maiores da Warner, e teve a oportunidade de brilhar em papeis que fugiam aos herois mais comuns da época: gangsters e cowboys, por exemplo. Ganhou o Oscar pelo papel de um pescador português e pelo papel de um padre irlandês. Grande ator dramático, é como comediante ao lado de Katherine Hepburn que prefiro vê-lo. Fizeram muitos filmes juntos, mas são as comédias românticas e conjugais assinadas por George Stevens e George Cukor que mais me encantam. Este livro generosamente ilustrado foi feito logo a seguir à morte do ator e, ao contrário de outros livros da mesma coleção, inclui vários depoimentos de amigos e colegas. Textos de circunstância. Vila do Conde 4/5

The Films of Humphrey Bogart (Clifford McCarty, 1974)

Edição francesa:
Humphrey Bogart (Henri Veyrier, 1974)
75 filmes numa vida que não chegou aos 60 anos. Nos anos 20 Bogart fez muito teatro na Broadway, no início dos anos 30 foi um vai-e-vem Broadway-Hollywood, com filmes medíocres que o fizeram querer desistir do cinema e ficar-se pelo teatro (mas também quase todas as peças que fez foram engolidas pelo Tempo). A consagração no cinema veio através do teatro: interpretou um gangster na Broadway em 1935 na peça The Petrified Forrest e foi esse mesmo papel que o consagrou na adaptação da Warner (1936) ao lado de Bette Davis. Foi o melhor gangster de serviço da Warner até Casablanca o ter entronizado como a maior estrela do estúdio, com um papel mais complexo. Trabalhou muito com John Huston e com Lauren Bacall, e mais do que uma vez com Howard Hawks e Nicholas Ray. Tem uma filmografia invejável e marcou muitos dos filmes onde entrou: sem ele, esses filmes seriam muito menos vistos hoje. Vila do Conde 03.2019 4/5

14.3.18

Michel Blanc. Sur un malentendu (2017)

Michel Blanc tem uma carreira muito interessante no cinema francês. Nos anos 70 criou com amigos de liceu o grupo de teatro Splendid, que reanimou a comédia francesa um pouco na linha do Café de la Gare, que fizera o mesmo no final dos anos 60. Os tempos estimulavam o coletivo, a criação não autoral, e também a passagem pelos diferentes meios de comunicação, uns mais alimentares do que outros: o cinema, a televisão, a publicidade. Esse grupo de amigos e criadores levou o seu talento para o cinema e criou uma das melhores comédias populares de sempre: Les Bronzés, que já vai em três volumes. Mas Michel Blanc ficou durante algum tempo refém da sua personagem cómica nos Bronzés. Levou algum tempo para impor o seu talento como ator multifacetado, que aconteceu em finais dos anos 80, com Tenue de soirée (com Depardieu) e Monsieur Hire. Entretanto estreara-se na realização com Marche à l'ombre, um filme influenciado pela Nova Hollywood, e um enorme sucesso de bilheteira em França. O seu prestígio e lugar no cinema francês estava estabelecido no final dos anos 80 (prémio de interpretação em Cannes), tornando-o num dos atores mais carismáticos em França. Esta biografia (a primeira que lhe é dedicada?) lê-se como como uma longa e boa reportagem sobre a carreira de Blanc (a vida privada está quase ausente). Como sempre acontece nestas ocasiões, não descansarei enquanto não vir alguns dos filmes abordados no livro. Paris 3/5

10.11.17

The Other Side of the Moon: The Life of David Niven

Ensaio de Sheridan Morley
O que me levou a ler a biografia de uma das estrelas mais insípidas do cinema? Em boa verdade, o acaso. Encontrei por uma libra uma bela edição de capa dura com muitas, muitas fotos. Mal comecei a ler vi que estava perante um autor mais do que competente (Sheridan Morley é uma autoridade no campo do cinema e das biografias) e perante um ator com uma carreira interessante, inclusive nos seus fracassos. Niven foi para Hollywood no início dos anos 30 e beneficiou do prestígio da colónia britânica naquele cidade dos sonhos. Levou muito tempo a ver o seu talento reconhecido e foi em projetos britânicos de prestígio (Wuthering Heights) que encontrou o seu lugar. O seu estúdio (Goldwyn) não sabia o que fazer dele e emprestava-o com frequência aos outros estúdios. Nunca conseguiu ser a estrela dos filmes em que entrava, mesmo no filme que lhe deu o óscar (Separate Tables). No início dos anos 60, já vivendo na Europa, é escolhido por Ian Fleming para encarnar 007 mas é Sean Connery que fica com o papel; Blake Edwards dá-lhe o principal papel em The Pink Panther mas Peter Sellers rouba as cenas a todo o restante elenco. Mas há uma dimensão da vida de Niven que muitos desconhecem. Ele era um contador de histórias nato, histórias mais ou menos verdadeiras sobre Hollywood. Escreveu livros explorando esse talento e a sua autobiografia, The Moon's a Balloon, vendeu 5 milhões de cópias, um marco na edição sobre cinema. Paris 4/5