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27.4.26

Gotta Sing, Gotta Dance: A History of Movie Musicals (John Cobal, 1971)

O melhor deste livro é a enorme quantidade de ilustrações a preto e branco, as centenas de fotos dos musicais no cinema que nos presenteia. A obra relata a história do cinema musical não só nos EUA mas também na Europa. Como foi escrito bem no fim dos anos 60, uma parte dessa história ficou de fora. Curiosamente, o último filme que Cobal elogia e defende como trazendo algo de novo ao cinema musical (Sweet Charity, 1969), é de um realizador que iria fazer os melhores filmes musicais do futuro: Bob Fosse. Mas o melhor pertencia ao passado, em particular à década de 40, durante a qual o mercado foi inundado por musicais da Fox e da MGM, quase sempre com muito sucesso, e muitas vezes com qualidade superior (sobretudo as produções de Arthur Freed na MGM). No geral, os comentários e a apreciação de Cobal dos filmes são muito bons, mas custou-me verificar que ele minimiza dois dos meus musicais preferidos: Gentlemen Prefer Blondes e Guys and Dolls. Dirigidos por dois génios, Hawks e Manckiewicz, que se notabilizaram noutros géneros de filmes, estes dois filmes são hoje admirados pelas suas qualidades de realização, aspecto poucas vezes admirado nos musicais (a grande exceção são os filmes assinados por Minnelli). Leitura empolgante. Póvoa de Varzim 2018   5/5

Betty Grable,The Reluctant Movie Queen (1982)

Betty Grable,The Reluctant Movie Queen
Autor: Doug Warren
Robson Books, 1982
Uma boa biografia de Betty Grable, estrela maior dos musicais de Hollywood. Foi uma das mais famosas Fox Girls (como Alice Faye e Marilyn Monroe). Mas Betty levou dez anos a atingir o estrelato. Começou no cinema em 1930, tinha treze ou catorze anos, e em 1941 com Down The Argentine Way, tornou-se uma estrela da Fox, a única à altura da rainha Alice Faye (o filme também revelou Carmen Miranda). Foram muitos anos de formação, treino e apuramento de uma artista completa, que brilharia apenas no tecnicolor da Fox. Foi brevemente (dois anos no máximo) contratada pela Paramount, RKO e Fox e foi por fim nesta, sob a direção de Darryl Zanuck, que se tornaria numa das Fox girls. Nos anos 30 contracenou mais de uma vez com Fred Astaire e Ginger Rogers e outros astros da época, mas ficara sempre à sombra deles. Teve publicidade extra quando se casou com Jackie Coogan, um dos herdeiros mais assíduos dos tabloides, e mais publicidade teve com o processo que Jackie fez contra a família que lhe negou a herança.  Durante a segunda guerra mundial, Betty Grabble atingiu o pico de popularidade. A sua foto de pinup, requisitada por milhões de soldados, foi uma das imagens mais populares do período e Betty tornou-se a estrela número um de Hollywood, em termos salariais. Os seus filmes arrasavam na bilheteira mas nunca viram quaisquer distinções. Darryl Zanuck tentou fazê-la estrelar um drama para mudar a sua imagem de pinup, mas Betty recusou e continuou a ser a rainha das comédias musicais da Fox, onde os seus atributos físicos eram muito bem aproveitados. Nos anos 50 o seu reinado acabou e em 1955 fez o seu último filme, quando ainda era jovem. Darryl Zanuck mantinha sempre umas loiras jovens preparadas para tomar o lugar da sua mina de ouro e foi assim que Marilyn Monroe tomou o lugar de Grable. Esta lutou para ter o papel de Lorelei, em Gentlemen Prefer Blondes, mas foi Marilyn que o conseguiu. As duas protagonizaram How to Marry a Millionaire (junto com Lauren Bacall), e Betty ensinou Marilyn alguns truques para melhorar a sua prestação. Antes do filme estrear, Betty rasgou o contrato que ainda lhe assegurava cinco anos na Fox, e Zanuck elevou Marilyn a estrela principal do filme no genérico. Nos restantes quinze anos de vida, Betty fez televisão e sobretudo teatro musical, onde brilhou, por exemplo em Guys and Dolls, que lhe escapara no cinema (faltou a uma entrevista com Samuel Goldwyn por ter levado o cão ao veterinário, e o mogul eliminou-a prontamente), Hello Dolly ou Born Yesterday. Adorei ler esta biografia. Caxinas 2018 4,5/5

2.4.26

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)
Um dos atores mais amados pelos franceses, Lino Ventura representa efetivamente as qualidades da bondade, da coragem, da simplicidade pessoal daqueles que nasceram entre o povo. No caso de Ventura, ele representa o emigrante que se integrou na sociedade francesa, apesar das atitudes racistas que teve de suportar desde a escola primária. Nasceu em Parma, Itália, e foi criado pela mãe, tendo raramente visto o pai. Mae e filho passaram períodos muito difíceis e emigraram para Paris quando ele era bem pequeno. Ventura nunca deixou de celebrar e de voltar a Parma. Teve uma primeira carreira como lutador de catch, tenho sido campeão europeu na modalidade e em seguida tornou-se organizador de lutas. Mas nos anos 50 estrearia no cinema pela porta grande, ao lado de Jean Gabin, dirigidos por Jacques Becquer. Ne touchez pas au grisby e um marco do cinema policial frances. Foi dirigido ao longo dos anos por alguns grandes realizadores, como Claude Sautet e Melville. Desde a primeira cena que gravou, com um diálogo longo com o monstro sagrado Gabin, tornou-se evidente que era talhado para interpretar personagens destemidas e positivas, e interpretava-as muito naturalmente. A câmara gostava dele. O último filme que vi com ele foi Montparnasse 19, de Becquer, no qual fazia o seu primeiro papel de composição, o de um marchand de arte que se aproveita da morte de Modigliani para comprar todas as suas obras ao preço da chuva. Foram cenas poderosas. Esta biografia de Gilles Durieux, que conheceu Ventura, não é exemplar  nem de referência, mas cumpre o papel de oferecer uma narrativa razoável da vida do grande ator. Paris 04.2018 3/5

7.4.25

Biblioteca Atores FR


LES RENAUD-BARRAULT (2000)
Autor: gérard Bonal
Seuil 2000
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (1986)
Autor: Jean-Marc Loubier
Editions Ramsay 1986
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (2021)
Obra de Olivier Rony
Folio Biographies n°154 (2021)
BIBLIOTECA


12.8.23

Ana Teresa PEREIRA

Funchal 1958

Matar a Imagem (1989)
Prémio Caminho de Literatura Policial
Caminho 1989


A NOITE MAIS ESCURA DA ALMA (1997)
Caminho 1997
BIBLIOTECA

A NOITE MAIS ESCURA DA ALMA (1997)
Círculo de Leitores 1998
BIBLIOTECA

As Rosas Mortas (1998)

O Verão Selvagem dos teus Olhos
Relógio D’água 2008

AS VELAS DA NOITE (2014)
Contos de Ana Teresa Pereira

Uma série de contos e artigos marcados pela paixão da autora pelo cinema noir americano clássico. Também eu adoro esse universo, que abarca o cinema de série b e não só. É um cinema visualmente muito forte, que dispensa o excesso de palavras. Paradoxalmente é um género que recorre muito à vox off e com frequência adapta obras literárias (embora pouco consagradas). Caxinas 08.2021 BMPV 3/5

KAREN (2016)
Um breve romance bastante enigmático. A protagonista acorda com pouca memória de si e do mundo, e resiste a reconhecer-se naquela - Karen - que os seus mais próximos pouco a pouco impõem como sendo a sua identidade. Parece um thriller, sendo o suspense um elemento importante da narrativa, muito bem gerido pela escrita da autora. Mas o enigma permanece quando fechamos o livro e esse é um ponto pouco satisfatório desta recente obra de Ana Teresa Pereira. VC 07.2018 BMPV 3/5
Karen (2016, Prémio Oceanos 2017)
Relógio D'Água 2016






25.5.23

Martin AMIS

País de Gales 1949-2023, escreveu 15 romances

1° THE RACHEL PAPERS (1973)


2° DEAD BABIES (1975)

3° SUCCESS (1978)

Dois irmãos dividem o posto de narrador neste primeiro romance que leio de Martin Amis. Gregory Riding, rebento de uma família abastada, e o seu irmão adotivo Terence Service, que foi criado pelos Riding quando ficou órfão aos nove anos (o pai matou a irmã na sua presença e já tinha provavelmente matado a mãe). São agora adultos e partilham um apartamento em Bayswater, Londres, mas não podiam ser mais diferentes um do outro. Greg é muito atraente, tem um grande emprego e tem uma vida social e (bi)sexual invejável. Terry é vendedor por telefone, vive ameaçado de perder o emprego, e tem uma vida social e (hetero)sexual miserável. Conhecemos a história deles pelos testemunhos cruzados com que interpelam o leitor, manipulando-o, tentando anular ou desacreditar a voz do outro. Neste estratagema reside grande parte da comicidade deste romance. Greg, sobretudo ele, é a primeira vítima do seu discurso hiperbólico, auto-glorificador, raiando a caricatura. Talvez por serem muito jovens e ambos rejeitarem a vida de casal, quase só falam de sexo, e as mulheres são todas "gajas". Temos assim um divertido romance sobre uma certa masculinidade (doentia). Tenho de ler mais Martin Amis. Paris/Londres 07.2018 4/5

OTHER PEOPLE: A MYSTERY STORY (1981)

Koba, o Terrível (Teorema, 2003)

HOUSE OF MEETINGS (2007)

Dois irmãos (melhor, meios-irmãos) encontram-se num gulag soviético e entre eles estabelece-se uma rivalidade porque um deles casou-se com uma mulher que o outro também deseja. O narrador-protagonista, um dos irmãos não identificado, passa em revista a história da vida soviética, sobretudo das vítimas do regime, a partir da segunda guerra mundial. Um balanço deprimente, outra coisa não seria de esperar. Curiosamente o outro livro que li de Martin Amis, no início deste mês, Success (1978), trata de dois meios-irmãos que disputam as mulheres a que deitam mão, em particular a irmã dos dois, que mantinha desde a infância uma relação incestuosa com o irmão e mais tarde também com o meio-irmão. Será uma obsessão de Amis esta temática dos irmãos rivais? House of Meetings é menos interessante do que Success. Por vezes, o narrador abusa da informação sobre a realidade soviética que quer transmitir atrapalhando a ficção. Mas a superioridade de Amis sobre quase todos os seus pares não está em causa. A estrutura e a escrita do romance são muito boas. VC 07.2018 3/5 A Casa dos Encontros (Teorema)

MONEY: A SUICIDE NOTE (1984)
Dinheiro (Teorema, 2009; Quetzal, 2012), 

LONDON FIELDS (1989)
London Fields (Teorema, 2009)

YELLOW DOG (2003)

LIONEL ASBO: STATE OF ENGLAND (2012)

THE PREGNANT WIDOW (2010)
A Viúva Grávida (Quetzal, 2010)

THE INFORMATION (1995)
Informação (Quetzal, 2012)

THE ZONE OF INTEREST (2014)
A Zona de Interesse (Quetzal, 2015)

TIME'S ARROW: OR THE NATURE OF THE OFFENCE (1991)
A Seta do Tempo (Quetzal, 2016)

NIGHT TRAIN (1997)
O Comboio da Noite (Quetzal, 2019)

INSIDE STORY (2020)

16.8.19

Hollywood 1940's (John Russell Taylor, 1985)

Hollywood les années 40 (CIL, 1985)
O livro é uma introdução ao cinema americano dos anos 1940. Foi um período marcado pela segunda guerra mundial e pela evolução do posicionamento dos EUA perante a guerra. Tudo isso se refletiu nos filmes que Hollywood fez e a mensagem ideológica podia mudar de um dia para o outro. O nascimento e fim do cinema noir ocupa toda a década. Até hoje vemos os clássicos desse género e astros como Bogart, Mitchum e Bacall estão a ele associados. E há os musicais, geniais os da MGM, produzidos por Arthur Freed (com Judy Garland, Gene Kelly, Sinatra, Astaire), deliciosos e ligeiros os da Fox (Carmen Miranda, Alice Faye. Betty Grable), inesquecíveis os da Columbia com Rita Hayworth (dois com Fred Astaire, um com Gene Kelly). Dos anos 40, a título pessoal, são estes dois géneros que mais entusiasmam... Belo livro. Vila do Conde 5/5

30.12.18

Literatura 2000

Un léger désenchantement (Philippe Lacoche, 2000)
A história de Roussel, fotógrafo de génio, através das suas hesitações e desistências (na universidade, no trabalho, na relação com as mulheres...) que adiam o encontro com o homem (e depois com a mulher da sua vida) que o vai descobrir e lançar profissionalmente. O protagonista é retratado com sensibilidade e amor pelo narrador. Paris 2/5

7.9.18

Chroma (Frederik Barthelme, 1987)

Uma boa surpresa. Nunca ouvira falar deste escritor americano. Peguei nesta antiga edição portuguesa da Fragmentos, que em 1987 publicava nesta coleção bons autores americanos pouco ou  nada conhecidos em Portugal. Contos curtos sucedem-se com homens jovens como protagonistas, acompanhados ou não de mulheres, mas sempre vivendo em função delas. Não há um modelo estável no relacionamento entre os sexos, há apenas o desejo masculino pela companhia feminina, mesmo que para isso ele tenha de partilhar a namorada com outro homem (num dos melhores contos). Caxinas beach 3,5/5

26.8.18

Arto PAASILINNA

Petits suicides entre amis (Arto Paasilinna, 1990)
O humor de Paasilinna é único e nórdico. Neste romance, dois suicidas à beira de serem bem sucedidos no seu intento, salvam-se um ao outro e selam uma certa amizade. Resolvem passar um anúncio para reunir os suicidas da Finlândia num encontro fraternal e de seguida numa viagem que seria a última de todos. Adiando o projeto de um suicídio coletivo, atravessam a Europa até ao Cabo de São Vicente, do qual lançam o autocarro para abismo... mas sem os seus ocupantes. Para alívio das autoridades, não se concretiza nenhum suicídio em massa, e alguns dos protagonistas começam uma nova vida. Caxinas beach 08.2018 3/5

13.8.18

Soledad PUÉRTOLAS

El bandido doblemente armado (1980) é um romance curto que narra a relação do jovem protagonista, nunca nomeado, com a família rica Lennox. Amigo de escola de um dos filhos Lennox, o protagonista, que ambiciona ser escritor, vai passar a ser amigo de vários membros da família, ao mesmo tempo que se afasta do amigo que o introduziu neste mundo. Li em 2018 O Bandido Duplamente Armado (Bertrand, 1991) na tradução de Maria do Carmo Abreu. Salvador 3,5/5

9.8.18

Adventures in the Alaskan Skin Trade (John Hawkes, 1985)

O título do livro prepara-nos para um romance de aventuras e é isso que obtemos. A protagonista e narradora é uma mulher que chega criança ao Alasca com os pais e acaba por trabalhar num bordel. Tudo é narrado com bom humor (e talvez demasiada ligeireza ao evocar essa sua vocação) e a narrativa privilegia a figura do pai da protagonista, homem corajoso e generoso que se mete em aventuras de socorro e cultiva o amor pela mulher e a amizade acima de tudo. Sem contar, acabou por ser uma leitura ideal de verão, de grande qualidade literária. Li o romance em português: Aventuras no Comércio de Peles do Alasca (Fragmentos, 1987). Salvador, Bahia 3,5/5

19.7.18

Leitura: Homens imprudentemente poéticos (Valter Hugo Mãe, 2016)

Alguns anos e muitas leituras depois, regresso ao universo de valter hugo mãe. Universo e escrita inconfundíveis, mas a opção por uma história com personagens mitificadas, como num dos velhos contos do japão, foi pessoalmente dececionante. Senti saudade das personagens contemporâneas e com cheiro do apocalipse dos trabalhadores... VC 3/5

25.4.18

David GOODIS

THE MOON IN THE GUTTER (1953)
Associo David Goodis ao polar, mas este romance famoso não tem polícias, nem detectives, nem criminosos, nem um assassínio. No entanto a atmosfera faz lembrar os grandes policiais da literatura e do cinema, com a noite como protagonista, as personagens dúbias que parecem morar nos bares noturnos, a mulher fatal e as mulheres da vida sempre a insinuar-se entre a clientela masculina e a brigar com as outras mulheres. O protagonista é um homem que já passou da juventude, desejado pelas mulheres, mas obcecado pelo suicídio da irmã mais jovem, que ele encara como assassínio pois o gesto fatal da irmã foi consequência direta de ter sido atacada e violada no bairro onde moravam. Ele tem uma ideia fixa: apesar de já ter passado um ano da morte da irmã, ele não desiste da ideia de encontrar o responsável. A Lua na Valeta (Teorema) é um romance que retrata a vida de umas quantas ruas perto das docas onde o protagonista trabalha, ruas marcadas pela miséria, pelo crime, pela sujidade, abandonadas por Deus e pelos poderes. A escrita de Goodis é soberba. Leitura de La Lune dans le caniveau, edição de bolso. Paris 03.2018: 4/5

Epaves (1980)
STREET OF THE LOST (1952)

Nos livros de David Goodis certas ruas, particularmente miseráveis, não conhecem senão a tragédia. Li que Goodis se disfarçava de sem abrigo para conhecer a vida dos que chegaram mais baixo na escala da miséria física e psicológica. Neste livro, como o anterior que li (A Luna na Valeta), três ou quatro personagens apenas habitam os cafés de má fama, as ruas porcas em particular os seus becos escuros. Nesse pequeno meio há uma mafia instalada, chefiada por Hagen, que rapta uma jovem japonesa para as suas necessidades de amor sádico. Apenas Chester Lawrence, forte e atraente para as várias mulheres que por aqui aparecem (a esposa Edna, Bertha, Tillie), vai enfrentar Hagen e o seu principal comparsa, Pancho, ás das facas, em cenas duras e geniais, típicas do universo noir. Excelente. Paris 04.2018: 4/5

The Wounded and the Slain (1955)
Um romance particularmente negro, mesmo tratando-se de Goodis. O casal americano James e Cora Bevan, chega à Jamaica num momento muito crítico da sua relação conjugal, que será posta à prova quando James mata acidentalmente um homem e faz tudo para impedir que condenem à morte o homem que foi detido no seu lugar. Dificilmente se poderá ir mais longe na abordagem da solidão humana. James Bevan enceta um percurso suicidário que leve ao seu próprio salvamento e ao salvamento do homem acusado pelo crime que Bevan cometeu. Muito bom. Rio de Janeiro 04.2018 4/5

24.4.18

Mary HIGGINS CLARK

1927-2020



STILLWATCH (1984)
Le Démon du passé, Le Livre de poche 1992

A CRY IN THE NIGHT (1982)
Leituras 2025 Un cri dans la nuit, Le Livre de poche
Personagens: Jenny, galerista Erich Kueger, pintor


A STRANGER IS WATCHING (1977)
La Nuit du Renard foi a primeira obra de Clark traduzida em França em 1980 e acabou logo por ser premiada com o Grand prix de littérature policier. É um clássico do género. Um jovem está prestes a ser condenado à morte pela assassinato de uma jovem mas o verdadeiro assassino continua à solta e a praticar crimes semelhantes. A descoberta da identidade deste assassino torna-se uma corrida contra o tempo, que é fatalmente escasso para o jovem inocente preso. A mecânica da trama é notável mas as personagens principais têm pouca espessura psicológica, não permitindo a construção de um ambiente distinto, próprio de Mary Higgins Clark, como encontro noutros escritores como P. D. James. Estarei enganado? Rio de Janeiro, abril de 2018:  3/5

14.3.18

Michel Blanc. Sur un malentendu (2017)

Michel Blanc tem uma carreira muito interessante no cinema francês. Nos anos 70 criou com amigos de liceu o grupo de teatro Splendid, que reanimou a comédia francesa um pouco na linha do Café de la Gare, que fizera o mesmo no final dos anos 60. Os tempos estimulavam o coletivo, a criação não autoral, e também a passagem pelos diferentes meios de comunicação, uns mais alimentares do que outros: o cinema, a televisão, a publicidade. Esse grupo de amigos e criadores levou o seu talento para o cinema e criou uma das melhores comédias populares de sempre: Les Bronzés, que já vai em três volumes. Mas Michel Blanc ficou durante algum tempo refém da sua personagem cómica nos Bronzés. Levou algum tempo para impor o seu talento como ator multifacetado, que aconteceu em finais dos anos 80, com Tenue de soirée (com Depardieu) e Monsieur Hire. Entretanto estreara-se na realização com Marche à l'ombre, um filme influenciado pela Nova Hollywood, e um enorme sucesso de bilheteira em França. O seu prestígio e lugar no cinema francês estava estabelecido no final dos anos 80 (prémio de interpretação em Cannes), tornando-o num dos atores mais carismáticos em França. Esta biografia (a primeira que lhe é dedicada?) lê-se como como uma longa e boa reportagem sobre a carreira de Blanc (a vida privada está quase ausente). Como sempre acontece nestas ocasiões, não descansarei enquanto não vir alguns dos filmes abordados no livro. Paris 3/5

13.3.18

Literatura 1984

BRIGHT LIGHTS BIG CITY (Jay McInerney, 1984)
Um livro mítico dos anos 80. Lembro-me bem da sua fama na altura do lançamento, mas só agora o li. Um jovem aspirante a escritor, revisor numa revista famosa da Grande Maçã, não consegue esquecer a mulher que o abandonou por outro. Deixa-se levar por um amigo que não perde as noites nova-iorquinas regadas a álcool e droga. E corta as amarras de um emprego e de uma chefe que lhe tramavam mais do que sustentavam a vida. Um escritor e um protagonista muito jovens, vinte e poucos anos, mas com o desencanto próprio dos mais velhos, de quem já viveu muito. Famosa também a opção pela narração na segunda pessoa, que dá ao romance uma dimensão simultaneamente analítica e ternurenta. Li a versão francesa, Journal d'un oiseau de nuit (Mazarine, 1986). Paris 03.2018 3,5/5

3.2.18

Kaye GIBBONS

 A CURE FOR DREAMS (1991)
As mulheres (a mãe, a avó) mais próximas da narradora vão desfiando a vida dura dos primeiros tempos nos EUA dos emigrantes da Irlanda, de onde são originárias. O feminino tem um espaço dominante neste romance, pois temos acesso ao passado daquelas mulheres através das histórias que elas narram e que passam de geração em geração através delas. Paris 2/5

31.1.18

André Derain 1904 - 1914. La décennie radicale (2018)

Fiz bem em não perder esta exposição, apresentada no centro Pompidou, vista nos últimos dias. Pouco me dizia o nome de Derain. Acabei por ficar fascinado por este pintor que era posto nos píncaros da pintura francesa na primeira metade do século e depois tornou-se um nome secundário, de certo modo. Além da exposição, li o livrinho da Gallimard, coleção Découvertes, dedicado ao pintor. Derain foi um dos grandes fauves, passou pelo cubismo e outros ismos da época e encontrou uma forma (neo)clássica com obras tão interessantes quanto pouco conhecidas. Paris 2018 Pompidou 5/5

18.1.18

Patricia HIGHSMITH

SMALL G A SUMMER IDYLL (1995)
Small g: A Summer Idyll é o último romance escrito por Patricia Highsmith. Não tem a qualidade dos seus grandes livros, longe disso, e tal juízo é partilhado por toda a gente. Quase não há suspense, aquela vertigem que atrai tantos leitores (como eu) para a sua obra. Idílio no Verão, título da edição que li da Europa-América, narra o que acontece durante um verão a um grupo de amigos, heterossexuais, homossexuais e bissexuais, homens e mulheres, que tentam ultrapassar os preconceitos e más intenções de algumas mentes tacanhas (em particular de Renata, a única personagem que traz uma certa tensão ao desenrolar dos acontecimentos) e atingir a felicidade. Talvez esta seja simbolizada pelo bar queer-friendly da localidade de Zurique onde as personagens moram, e onde se realizam festas que são o ponto alto da semana para elas. Tudo termina bem, como num conto de fadas, e Rickie, Luísa e os seus amigos vivem em pleno a sua sexualidade liberta de constrangimentos. Uma leitura muito agradável.  Paris 3,5/5
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