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9.7.26

Sinhá Moça (Tom Payne, 1953)

Uma boa adaptação do romance homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, que também trabalhou no roteiro. Este filme fez parte da seleção oficial de Veneza e saiu de lá com um Leão de Bronze. Destaque para três atores: Anselmo Duarte, Eliane Lage e Ruth de Souza. A história da filha de um fazendeiro que defende a libertação dos escravos deu origem ainda a duas novelas mais recentes da TV Globo. Livro e história tornaram-se assim clássicos populares da cultura brasileira. Um bom filme, que tem como modelo óbvio Hollywood. Melun 03.2021 TV 3/5

24.5.26

O Batedor de Carteiras (Aloisio T. de Carvalho, 1958)


O Batedor de Carteiras (1958) é o impagável Zé Trindade. Realizada por Aloisio T. de Carvalho, esta chanchada é uma das mais consistentes que vi. Tem muitas cenas nas ruas do Rio, o que é sempre um prazer adicional. Rio 2012 Caixa Cultural    3,5/5

O Saci (Rodolfo Nanni, 1951)

O Saci é a primeira adaptação ao cinema do universo do Sítio do Pica-Pau Amarelo de Monteiro Lobato. Em língua portuguesa existem poucos filmes para a infância com a qualidade deste Saci. Na ordem cronológica este filme vem a seguir ao Aniki-Bobó de Manoel de Oliveira, duas obras marcantes. No Saci aparecem os seres do mundo rural maravilhoso recriado por Monteiro Lobato: o Saci, a Cuca, a Iara. A Cuca vai aprisonar a Narizinho, mas o Pedrinho com a ajuda do Saci vai libertar a irmã. A boneca Emília aparece no início e é a personagem mais cativante, mas desaparece assim que Pedrinho e Narizinho vivem a sua perigosa aventura na floresta. De assinalar que se trata da primeira banda sonora de Cláudio Santoro, um dos maiores compositores brasileiros. Melun, dezembro de 2020 TV 4/5

1.5.26

Caiçara (Adolfo Celi, 1950)

Este clássico da Vera Cruz lembra outros filmes dos anos 40, como Stromboli, em que uma mulher bela e até sofisticada vai viver para uma comunidade piscatória dominada pelas crenças populares e pela sensualidade... O filme é bom e deve muito à atriz Eliana Lage, que infelizmente teve uma carreira breve. No filme ela casa com um viúvo quarentão que a leva para uma ilha. Ela vai ser cobiçada pelos homens da terra e mal tratada pelo marido. A Companhia Vera Cruz começou bem e produziu bons filmes mas não houve continuidade que permitisse a consolidação de um cinema de estúdio à maneira americana. Caiçara é um exemplo dessa tentativa digna de louvor... Melun 2021 TV 3/5

30.4.26

Candinho (Abílio Pereira de Almeida, 1954)

Uma inesperada leitura de Candide, de Voltaire, passada no campo de Minas Gerais e na cidade de São Paulo. As duas faces do Brasil, não antagónicas, como nos mostra Candinho, abandonado à nascença num riacho, adotado e depois maltratado por um rico fazendeiro, encontra sobretudo desprezo, incompreensão e frieza da parte tanto dos campesinos como dos citadinos. Tantas cenas antológicas, duras e graves mas atenuadas pelo permanente humor e candura de Candinho e do seu fiel companheiro, o jumento Policarpo. Em São Paulo, após o choque inicial, encontra um amigo, Pirulito, que como ele tem o céu como abrigo. Depois encontra um professor amigo e a namorada que deixara na roça, filha do fazendeiro, que agora se prostitui na grande cidade. Candinho atrai a si a porção boa da humanidade. Um filme comovente. Melun 2020 (4/5)

Candinho (Abílio Pereira de Almeida, 1954), produzido por Cid Leite da Silva, Vittorio Cusane, Rigoberto Plothow (Vera Cruz), roteiro de Abílio Pereira de Almeida (baseado no conto Cândido, ou O Otimismo, de Voltaire), com Mazzaropi, Marisa Prado, Ruth de Souza, Adoniran Barbosa. Canções: O Galo Garnisé (A. Almeida e L. Gonzaga), Não Me Diga Adeus (F. da Silva Correa e Luiz da Silva), Ave Maria do Morro (Herivelto Martins), Vida Nova (Borba S. Rubens), É Bom Parar (Rubens Soares), O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa & Kid Pepe), Mamãe Eu Quero (Vicente Paiva e e Jararaca), A Saudade Mata a Gente (Antonio de Almeida e João de Barros), IV Centenário (Mário Zan e J. M. Alves), O que Ouro Não Arruma (Mário Vieira), Meu Policarpo (Mara Lux e Reinaldo Santos).

Sai da frente (Abílio Pereira de Almeida, 1952)

Com este filme Mazzaropi estreava-se no cinema. E que estreia! Nascia então um grande cómico do cinema, ao nível de Totó. Neste filme ele ainda não é o caipira, personagem que o consagrou. Ele é o citadino Isidoro, vive no Beco do Conforto, tem uma carripana (Anastácio) e um cão (Coronel) que ele trata como pessoas amigas. Isidoro vai entregar uma mobília, que chegará à sua nova casa depois de muitas aventuras. Os graves problemas e injustiças da sociedade brasileira são passados pelo crivo do humor, não deixando todavia de ser expostos à consciência do espectador. Brilhante comédia. Melun 04.2020 (4/5)
Sai da frente (Abílio Pereira de Almeida, 1952), produzido por Pio Piccinini (Vera Cruz), roteiro de Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne, com Mazzaropi, Ludy Veloso, Leila Parisi, A. C. Carvalho, Nieta Junqueira, música de Radamés Gnatalli. Prémio Saci de melhor atriz coadjuvante para Ludy Veloso.

29.4.26

A família Lero-lero (Alberto Pieralise, 1953),

Um funcionário público é humilhado no trabalho e em casa, pela mulher e pelos três filhos que pretendem viver à custa do salário do pai. Este tem a ideia de roubar uma quantia de dinheiro que o leva a fugir e depois à prisão, onde estará livre dos problemas quotidanos do trabalho e familiares. No papel do protagonista, Walter D'Ávila leva o filme às costas. Um excelente comediante que não conhecia. Não tem a qualidade de caracter actor que muitos dos atores populares das chanchadas tinham, antes consegue apropriar-se da personagem sem nunca cair na caricatura. Uma boa comédia social. Melun 2020: 3,5/5 

A família Lero-lero (Alberto Pieralise, 1953), produção da Vera Cruz, roteiro de Alinor Azevedo, Gustavo Nonnenberg, Alberto Pieralise, adapta peça teatral homônima de Raymundo Magalhães Jr., com Walter D'Ávila (Aquiles Taveira), Marina Freire (Isolina), Luiz Linhares (Teteco).

Rico Ri à Toa (Roberto Farias, 1957)

Filme de Roberto Farias

Rico Ri à Toa (1957) é mais uma chanchada muito divertida, sobretudo por causa dessa dupla de comediantes: Zé Trindade e Violeta Ferraz. Umas das minhas preferidas. Rio 2012 Caixa Cultural  3,5/5

O Homem do Sputnik (Carlos Manga, 1958)

O Homem do Sputnik (Carlos Manga, 1958)

Carlos Manga realizou a melhor chanchada que conheço e duvido que haja melhor: O Homem do Sputnik (1958). É uma produção da Atlântida, o estúdio carioca que se especializou na produção de comédias populares nos anos 50 e 60. O filme começa com um 'portuga' em cima de um burro numa paisagem bucólica. Mas trata-se de uma comédia urbana, passada nas altas esferas políticas nacionais e internacionais. Os principais governos do mundo andam à caça do Sputnik, que caiu no campo brasileiro. Para o alcançarem, todas os estratagemas são válidos, incluindo enviar uma agente sósia da Brigitte Bardot. Norma Bengell fazendo de Bardot é das melhores coisas que vi no cinema brasileiro. Aparece também Jô Soares, bem novinho mas já gordinho. Uma comédia que adorava rever um dia. Rio 2012 Caixa Cultural    4/5

Nadando em dinheiro (Abílio Pereira de Almeida e Carlos Thiré, 1952)

Talvez o menos interessante dos três filmes que Mazzaropi fez na Vera Cruz. O filme retoma a personagem de Isidoro do primeiro filme, Sai da Frente, mas aqui ele sai da pobreza e do Beco do Conforto para ir morar numa mansão, pois herda uma fortuna. Registe-se o humor que coroa todas as situações em que Isidoro põe à prova as armadilhas que as convenções sociais lhe estendem, em cenas escritas por Abílio Pereira de Almeida, realizador e autor do roteiro dos três primeiros filmes de Mazzaropi (mais tarde Pereira de Almeida iria fundar o Teatro de Comédia Brasileiro, um marco do teatro no Brasil). Mais uma excelente comédia de Mazzaropi. Melun 04.2020 (3,5/5)
Nadando em dinheiro (Abílio Pereira de Almeida e Carlos Thiré, 1952), produzido por Pio Piccinini (Vera Cruz), roteiro de Abílio Pereira de Almeida, com Mazzaropi, Ludy Veloso, A. C. Carvalho, Nieta Junqueira, música de Radamés Gnatalli.

28.4.26

Orfeu Negro (Marcel Camus, 1959)

Orfeu Negro é a transposição para o morro carioca da mítica história de amor entre Orfeu e Eurídice. Antes de ser um filme premiado com a Palma de Ouro e com o Óscar de melhor filme estrangeiro, foi uma peça musical, Orfeu da Conceição, que, tal como o filme, ficou imortalizada pelas músicas de António Carlos Jobim, Luiz Bonfá e Vinicius de Moraes. Que outros nomes envolvidos na produção do filme são hoje conhecidos? Parece-me que nenhum. O que diz bem dos imerecidos prémios que recebeu. O filme mantém uma certa beleza e tem uma importância enorme para o cinema e a cultura do Brasil. Mas foi preciso um estrangeiro para filmar o Rio, os seus morros e o seu Carnaval com tais cores gloriosas agora restauradas. O cinema novo chegaria pouco depois e, de certa forma, percorreria alguns trilhos abertos por Orfeu: a dimensão mítica (Glauber) e a atenção realista ao morro. Paris 2017 Le Champo 3,5/5

26.4.26

Nem Sansão Nem Dalila (Carlos Manga, 1955)

Carlos Manga foi um dos melhores realizadores das comédias populares, as chanchadas, que dominaram o cinema brasileiro nos anos 50. Nem Sansão Nem Dalila (1955) é uma das mais famosas dessas chanchadas hoje clássicas. É protagonizada por Oscarito, uma estrela maior desse tempo. É divertida, mas já vi melhores. Rio 2012 CAIXA Cultural 2012   3/5

O Fuzileiro do Amor (Eurípedes Ramos, 1956)


Mazzaropi, o caipira, faz-se recruta para fuzileiro naval por amor, para poder casar com a namorada, cujo pai é fuzileiro e exige que o futuro genro também o seja. Mas Mazaroppi tem um irmão gémeo por perto, com a patente de sargento. Não vão faltar as peripécias do costume, previsíveis, mas muito cómicas. Melun 04.2020 (3/5)
O Fuzileiro do Amor (Eurípedes Ramos, 1956), roteiro de Victor Lima, produção de Oswaldo Massaini (Cinedistri), produtores associados: Alipio Ramos e Eurípedes Ramos, com Mazzaropi e Theresa Amayo, Roberto Duval, Pedro Dias, Gilberto Martinho, Wilson Grey, Agildo Ribeiro, música de Radamés Gnatalli.


Os Três Cangaceiros (Victor Lima, 1959)

O cangaço é o western brasileiro e alguns dos filmes brasileiros mais aclamados de sempre, os de Glauber Rocha precisamente, abordam essa realidade do sertão seco e violento. Mas os Três Cangaceiros são uma paródia desse universo, como se os irmãos Marx desembarcassem no sertão brasileiro. Ankito, Grande Otelo e Ronald Golias são os fantásticos trapalhões que levam tudo à frente. Em público são medrosos e fogem dos cangaceiros, disfarçam-se de onças para combateram esses bandidos e chegam a passar-se por eles e quase são linchados. As trapalhices não têm fim. Mas é sobretudo pelos comediantes que se vê hoje com prazer esta comédia tosca, feita com meios de produção mínimos. Melun 2020 (3/5) 

Os Três Cangaceiros (Victor Lima, 1959), produção de Herbert Richers, roteiro de Victor Lima, com Ankito, Ronald Golias, Grande Otelo, Neyde Aparecida, Atila Iório, Carlos Tovar.

Cala a boca, Etelvina (Eurípedes Ramos, 1959)

Chanchada deliciosa que deve tudo aos atores, sobretudo a Dercy Gonçalves, que é Etelvina, uma empregada doméstica promovida a patroa durante alguns dias. Uma comédia de enganos que gera as situações mais engraçadas, adaptada de uma peça de Armando Gonzaga. No Brasil este tipo de comédias, as chanchadas, tinham sempre vários números musicais, que hoje são preciosos documentos dos grande artistas da época. Neste filme vemos Emilinha Borba, Nelson Gonçalves e Jackson do Pandeiro, só para nomear nomes maiores ainda hoje. Melun 2020   3/5 

Cala a boca, Etelvina (Eurípedes Ramos, 1959), chanchada, produção de Oswaldo Massaini, roteiro de Eurípedes Ramos e Victor Lima, adaptado da peça teatral de Armando Gonzaga, realizado por Eurípedes Ramos e Hélio Barroso (cenas musicais), com Dercy Gonçalves (Etelvina), Humberto Catalano (Libório), Manoel Vieira (Macário), Otelo Zeloni (Paquito), Zezé Macedo (Pancrácia), Paulo Goulart (Adelino), filme da produtora e distribuidora Cinedistri, música original de Radamés Gnatalli, números musicais de Emilinha Borba ("Cachito", de Consuelo Velasquez), Nelson Gonçalves ("Atiraste uma Pedra", de Herivelto Martins), Os Golden Boys ("Meu Romance com Laura", de Jayro Aguiar), Jackson do Pandeiro ("Fantasia Nordestina", de Humberto Ferreira e Luiz Gonzaga) e Sílvio Mazzuca ("Tequila", de Chirck Rio), coreografia de Helba Nogueira.

Matar ou Correr (Carlos Manga, 1954)

Matar ou correr é uma paródia do famoso western Matar ou Morrer (título brasileiro de High Noon) e de certo modo antecipa os westerns cómicos de Bud Spencer e Terence Hill. Aqui a dupla cómica é composta por Oscarito e Grande Otelo, que são promovidos (por azar) a xerife e ajudante de xerife de City Down, uma pequena povoação ameaçada pelo bandido Jess Gordon (José Lewgoy). Certamente é uma das melhores chanchadas do cinema brasileiro, com os referidos comediantes a brilharem em todas as cenas. Melun 2020: 3,5/5

Matar ou correr (Carlos Manga, 1954), comédia (chanchada) produzida por Vinicius Silva e Guido Martinelli (Atlântida), roteiro de Amleto Daissé e Victor Lima, com Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, Renato Restier, Wilson Viana, John Herbert, Inalda de Carvalho, Wilson Grey, música de Luís Bonfa e Lírio Panicalli, canção: Ninguém para amar (Anísio Silva e C. Portela).

Floradas na Serra (Luciano Salce, 1954)

  

Floradas na Serra é protagonizado por Cacilda Becker, uma diva do teatro brasileiro que eu nunca vira antes (que eu me lembre). É acompanhada por Jardel Filho, Ilka Soares, Silvia Fernanda Ilka Soares, Gilda Nery, e John Herbert. O filme adapta o romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz, escritora já célebre à época. O filme é sobre os amores da personagem de Cacilda Becker, que está gravemente atingida pela doença, e no sanatório onde se recupera conhece um por quem se apaixona. Um dos mais belos e elegantes dramas do cinema brasileiro. Melun 2021 TV 4/5