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10.6.21

Searching for Sugar Man (Malik Bendjelloul, 2012)

Um documentário marcante, que há oito anos agradou a toda a gente. Para além do Óscar, ganhou outros prémios importantes. É a história incrível da descoberta de um compositor-cantor rock-folk, que fez dois álbuns no início dos anos 70 e desapareceu. Julgavam no morto há muito e variavam as versões de como morreu. Mas a sua música, com uma mensagem anti-sistema, teve um impacto enorme na África do Sul, e foi a partir deste país que começou uma investigação sobre a identidade do música (praticamente nada se sabia dele durante décadas). Melun 2021 TV 4/5

1.1.21

The Five-Year Engagement (Nicholas Stoller, 2012)

THE FIVE-YEAR ENGAGEMENT (2012)
Uma boa comédia que deixei passar em branco na estreia... É produzida por Judd Apatow, e tem aqueles diálogos e situações de que tanto gosto nos seus filmes. Há mesmo cenas antológicas... Jason Segel e Emily Blunt arrastam um namoro-noivado por cinco anos e o desgaste da relação não tarda a fazer-se sentir. Mudam de cidade para ela estudar mas ele nunca consegue recuperar o bom emprego de chef e o equilíbrio que tinha antes. Sem dúvida uma das melhores comédias românticas dos últimos 10 anos. VC 12.2020 Netflix 4/5

2.3.20

Dark Waters - Verdade Envenenada (Todd Haynes, 2019)

Dark Waters é outro excelente filme que retrata a batalha de um advogado contra uma enorme empresa intocável dos Estados Unidos. David vs Golias. David é o advogado (Mark Ruffalo) mas também o povo, que não ousa enfrentar quem lhe dá emprego, equipamentos sociais e dinheiro. Muito bom. Com Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins, Bill Camp, Victor Garber, Mare Winningham, Bill Pullman. Paris 2020 Les Halles 4/5

20.11.17

Bangkok Nites (Katsuya Tomita, 2016)

Um filme extraordinário assinado pelo autor de Saudade (2011), de que tanto gostei. A protagonista é um prostituta muito apreciada pelos clientes, que faz bastante dinheiro em Bangkok para enviar à família na província e para poder voltar a viver na sua terra. Primeiro vêmo-la no trabalho, a recusar certos clientes, enquanto as colegas tudo aceitam porque não têm a mesma procura. Depois ela resolve viajar à sua terra, com o namorado japonês, e a paisagem, natural e humana, assim como as relações com a família e com os amigos de infância transforma o filme e as próprias personagens. Talvez Tomita assine aqui a sua obra-prima. Paris 2017 Reflet Médicis 4/5

21.1.16

Carol (Todd Haynes, 2015)

Carol é, para mim, o melhor filme de 2015 e é pena não ter sido sequer nomeado para o óscar de melhor filme do ano. Carol é a adaptação de The Price of Salt, de Patricia Highsmith, e deve ser um daqueles casos em que o filme supera o livro já que este não está entre as grandes obras de Highsmith, mas o filme está entre as melhores de Todd Haynes e do cinema americano mais recente. Carol é uma burguesa de Nova Iorque que está em vias de perder a custódia da filha em favor do marido porque tem relações amorosas com mulheres. Estamos em 1952/1953 e esta história de um amor incomum contrariado e penalizado pelo puritanismo americano da época já deu origem, sob diversas variantes, a uma família de filmes quase sempre notáveis: as obras-primas de Douglas Sirk (anos 50) e o mais recente Far from Heaven (Haynes, 2002). Cate Blanchett e Rooney Mara (melhor atriz em Cannes) encarnam de forma superlativa o desafiante par apaixonado Carol e Therese. Paris 2016 Bibliothèque 5/5

4.12.15

Francofonia (Alexandre Sokourov, 2015)

Francofonia é um documentário muito original de Sokourov sobre o Louvre, símbolo maior da França. A dada altura o narrador interroga-se: que seria a França sem o Louvre? No filme fala-se sobretudo da sorte do Louvre sob a ocupação nazi. O museu já não tinha os seus melhores tesouros,  que tinham sido levados para palácios na província onde estariam protegidos das bombas.  Mas a cúpula nazi em Berlim exigia o retorno dos objetos preciosos ao Louvre, ordem que nunca foi cumprida devido à ação de um oficial alemão que habilmente conseguiu adiar essa ordem ao longo dos anos. Não sendo um dos melhores filmes de Sokourov, é todavia um documentário com momentos e achados visuais e narrativos excecionais. Paris 2015 Arlequin 4/5

21.1.15

Foxcatcher (Bennett Miller, 2014)

Todos os anos esperamos dois ou três filmes assim, grandiosos, vindos dos Estados Unidos. Filmes que já nascem clássicos, e que se baseiam na História e nas histórias reais da América. John Du Pont era um americano riquíssimo que resolveu investir a fundo no wrestling para produzir campeões e levantar o moral da nação americana. Mas na verdade o que ele procurava de forma desesperava era ultrapassar a sua condição de inferioridade no seio familiar. Steve Carell faz um assombroso Du Pont, Channing Tatum e Mark Ruffalo interpretam os irmãos destruídos por aquele. É difícil dizer quem fica em primeiro plano, se Du Pont se Mark, o campeão. Essa é uma das grandes qualidades do filme. Difícil encontrar no cinema americano de hoje personagens e relacionamentos tão complexos e fascinantes como vemos neste filme. É o melhor filme de Bennett Miller. Paris 8/10