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O plano final do filme -
entre os mais belos que vi no cinema |
Este filme tornou-se um dos meus preferidos de Tsai Ming-Liang. Digo tornou-se porque vi-o três vezes desde a estreia em França em 2007 e à terceira a minha admiração acentuou-se ainda mais. Não estreou nas salas portuguesas mas foi editado em DVD pela Lusomundo em 2007.
Neste filme, Tsai Ming-Liang continua a mostrar-nos a solidão, que é a condição de tantas pessoas nas sociedades contemporâneas, mas desta vez vai mais longe, pois escolhe como protagonista um sem-abrigo, um imigrante alienado que não fala sequer a língua local da cidade onde se passa a história. O filme começa com o seu espancamento por um grupo de homens que vivem de enganar e explorar os mais desprotegidos. Ele é recolhido e tratado por outro trabalhador que vive às margens da sociedade. A mise-en-scène de Ming-Liang é notável, pois em muitos planos o protagonista aparece à margem, como invisível aos olhos dos outros. Mas o filme é acima de tudo uma história de amor(es), pontuada pelas canções asiáticas mais belas que conheço. Amor entre o protagonista e as mulheres que vai conquistando e entre ele e o jovem que o traz à vida. Tudo isto é intensificado pelo estilo único do realizador, em que quase não há diálogos, em que apenas contam os gestos e as ações das personagens.
O final do filme (na foto) é arrebatador: um colchão com os três amantes, a flutuar na água (num edifício em ruínas), como uma ilha prometida.
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| irrupção da beleza onde menos se espera |
I Don't Want To Sleep Alone (2006) 5/5
Cinémathèque Française 2014, Les 3 Luxembourg 2012, Publicis-Cinémas 2007