Estreia no Brasil: 14 11 1966
O título do filme diz tudo: surfar na Na Onda do Iê-Iê-Iê atrai os milhões de jovens brasileiros atraídos pela nova música americana, o rock. O filme tem um enredo rasteiro e bobo: um jovem cantor tenta vencer um festival mas um rival vai fazer tudo para impedir isso. O filme só interessa pelos muitos números musicais, que não são muito bons aliás, mas transmitem a efervescência musical da época. Melun 2021 TV 2,5/5
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30.8.26
O Ébrio (Gilda Abreu, 1946)
Estreia no Brasil: 28 08 1946
O Ébrio é um sucesso do cantor Vicente Celestino que virou uma peça de teatral e depois um filme de sucesso colossal, levando aos cinemas cerca de 5 milhões de espectadores. Foi realizado por Gilda Abreu, mulher de Celestino, num registo claramente popular. Mistura (melo)drama, comédia, musical, e ecoa a mentalidade popular da época, que viria a traduzir-se posteriormente nas chanchadas e nas novelas. O que eu mais gostei foi das cenas cómicas muito por causa do ator Walter D'Ávila que viria a ser nos anos 50 uma estrela das chanchadas. Ele é impagável e involuntariamente desequilibra o filme, quase sempre demasiado sério e pesado. Melun 2021 TV 3/5
Sonho de Verão (Paulo Sérgio Almeida, 1990)
Estreia no Brasil: 21 12 1990
Um filme feito para os mais jovens, crianças e adolescentes, que fizeram dele um enorme sucesso na estreia (na ordem do 1,5 milhão de espectadores). Produzido pela Xuxa e Diler Trindade, dois pesos-pesados da indústria brasileira de entretenimento. Um típico malandro carioca (Sérgio Mallandro) aproveita a viagem de um casal rico para ocupar-lhes a casa, fazendo-se passar por seu sobrinho. Ele pretende seduzir uma menina com essa ousadia mas a casa acaba por ser ocupada por um grupo de jovens que se dirigiam a uma colónia de férias. A música ocupa todo o filme e o elenco (incluindo as Paquitas e os Paquitos da Xuxa) canta muitas músicas pop, algumas más (ou mal interpretadas). Por vezes parece que estamos a ver um programa televisivo de domingo à tarde (e não estou a pensar na cena do Faustão...). Um filme marcante para os que o viram quando eram (muito) jovens. Para os outros não passa de uma curiosidade datada. Melun 2021 TV 1,5/5
Paraíso Perdido (Monique Gardenberg, 2018)
Estreia no Brasil: 31 05 2018
Uma família gere um bar da noite com música ao vivo, música brega dos anos 1970, hoje justamente revalorizada. Mas os artistas do clube são alvo de preconceitos sociais e são constantemente ameaçados. Um polícia começa a frequentar o clube e torna-se guarda-costas de um dos cantores. Mas logo vai envolver-se com uma mulher dessa família, que tem uma ligação ao seu passado. O filme é envolvente e deixa a música respirar: é um musical. Entre os intérpretes estão Erasmo Carlos, Jaloo e Seu Jorge. A banda sonora esteve ao cuidado de Zeca Baleiro. VC 2020 3,5/5 Netflix
Elenco: Erasmo Carlos, Felipe Abib, Hermila Guedes, Humberto Carrão, Júlio Andrade, Lee Taylor, Majorie Estiano, Malu Galli, Seu Jorge, Jaloo, Julia Konrad.
29.8.26
2013Amor, Plástico e Barulho (Renata Pinheiro, 2013)
Amor, Plástico e Barulho (Renata Pinheiro, 2013)
Estreia no Brasil 22 01 2015
Distribuidor: Boulevard Films
Estreia em Portugal 15 10 2020
Este filme acompanha um pequeno grupo de jovens que atua no circuito dos shows populares de Recife, Pernambuco, e também em emissões de televisões locais. A música a que se dedicam é o tecno brega, e a dança sensual das cantoras tem quase tanta importância quanto as suas qualidades vocais. É há também a briga constante entre os elementos do grupo, sobretudo entre divas. Destaque para a maravilhosa Jennyfer Caldas dos filmes de Kleber Mendonça Filho. Porto 2020 cinema Trindade 3/5
Simonal (Leonardo Domingues, 2018)
Biopic de Wilson Simonal muito bem produzido embora nada arrojado na abordagem do tema e na realização. O que interessa é traçar a trajetória exemplar de Simonal rumo ao sucesso e a sua queda artística e económica depois de ter sido acusado de passar informação à polícia da ditadura sobre o meio artístico. A ascensão de Simonal incomodava no Brasil da altura, pois nenhum negro tinha sido tão popular na música (apesar da grande figura de Grande Otelo no cinema) e num estilo que se desviava da música brasileira, abraçando o funk. Mas ele foi extremamente popular por ser cantor de génio que veio da favela e encontrar uma forma de cantar brasileira inconfundível. Bom filme. 2020 YouTube (2,5/5)
Simonal (Leonardo Domingues, 2018), com Fabricio Boliveira (Simonal), Ísis Valverde, (Tereza), Leandro Hassum (Carlos Imperial), Mariana Lima (Laura Figueiredo), Caco Ciocler (Mário Borges).
28.7.26
Cazuza, o Tempo não Pára (2004)
Filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Um dos meus biopics preferidos de sempre. Cazuza é o grande poeta, a par de Renato Russo, do rock brasileiro, e a qualidade e plasticidade das suas canções não param de ganhar versões não roqueiras, como confirma um disco deste ano de Leila Pinheiro e Roberto Menescal dedicado ao cancioneiro de Cazuza. Este foi também a primeira grande estrela brasileira a morrer de sida e a sua agonia foi mais ou menos pública. Bem, tudo isso (e muito mais) está no musical que foi feito (outro enorme sucesso nos teatros) e neste filme que foi consagrado pela Academia Brasileira de Cinema com 12 nomeações e com troféus para melhor filme, realizador, roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora. Fernando Bonassi e Victor Navas escreveram o roteiro a partir do livro Cazuza, Só As Mães São Felizes, da mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, e da jornalista Regina Echeverria. Um livro magnífico, aliás. No filme algumas das melhores cenas são as que juntam Cazuza (Daniel de Oliveira) e a sua mãe (Marieta Severo), assim como o seu pai (Reginaldo Faria). Ou seja, as cenas musicais (nos palcos e fora deles), as cenas entre amigos e as cenas familiares articulam-se muito bem, mas as cenas entre mãe e filho são justas e comoventes, são antológicas. Além disso, como filme que retrata uma época, os anos 1980, é inolvidável (destaque para a fotografia, que nada embeleza, de Walter Carvalho). Vi o filme apenas em 2009 (cinco anos após a estreia) no cinema Nouveau Latina, certamente no contexto do Festival de cinéma brésilien de Paris, pois o filme, fora do circuito de festivais, não se estreou, parece-me, em país nenhum. No Brasil estreou em 2004 e foi um enorme sucesso, com mais de três milhões de espectadores. Um excelente filme do mainstream brasileiro. Melun 2020 Youtube (4/5)
Cazuza, o Tempo não Pára (Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004), produzido por Daniel Filho (co-produção Globo Filmes e Columbia TriStar Filmes do Brasil), roteiro de Fernando Bonassi e Victor Navas, adapta Cazuza, Só As Mães São Felizes (Lucinha Araújo e Regina Echeverria), com Daniel de Oliveira (recebeu os prémios da APCA e o Grande Otelo de melhor ator), Marieta Severo, Reginaldo Faria, Maria Flor.
25.7.26
6.7.26
Elis (Hugo Prata, 2016)
Elis abriu o 19° Festival de Cinema Brasileiro de Paris. Não admira, trata-se de um filme que consagra não só uma grande cantora brasileira mas um mito nacional. Os momentos essenciais da carreira e da vida de Elis Regina estão no filme (mas... e a colaboração extraordinária com Tom Jobim?) e os atores principais (Andreia Horta, Caco Ciocler, Gustavo Machado) asseguram grande credibilidade às cenas. No entanto, Elis é um biopic preguiçoso, escolar, que cumpre o que se espera deste género, mas nada oferece de relevante em termos cinematográficos. Digamos que é um notável cartão de visita do cinema mainstream e industrial brasileiro. Paris 2017 Arlequin 3/5
7.5.26
Bete Balanço (Lael Rodrigues, 1984)
Estreia no Brasil: 30 07 1984
Este filme é um marco do cinema brasileiro, mas não pelas suas qualidades cinematográficas. O filme lembra os pobres filmes musicais dos anos 80, como Flashdance, que marcaram muitos jovens mas nada trouxeram à arte do musical (na época só me lembro de um ou outro verdadeiramente notável, como One From the Heart ou Pennies From Heaven). Bete Balanço apanha a movida carioca no seu auge, com o brock explodindo. Um dos seus poetas, Cazuza, aparece no filme, como personagem e também atuando com o seu grupo Barão Selvagem. O filme aliás, segue o roteiro esquemático que os musicais nunca abandonaram desde o início do cinema sonoro. Uma jovem da província (Débora Bloch) vai tentar a sua sorte na grande cidade. Ela pretende ser famosa, talvez na música. O filme tem um ou outro video clip como se costumava fazer, em que ação para e a música domina. Este filme é precioso porque alguns artistas que ficaram davam aqui os primeiros passos. O filme não ganhou prémios e não subiu ao pódio, mas conquistou o público (1,3 milhão de espectadores) e o estatuto de clássico entre a geração que se reconheceu nele. Melun 2020 (3,5/5)
Bete Balanço (Lael Rodrigues, 1984). Produzido por Carlos Alberto Diniz, Ponto Filmes e CPC. Roteiro de Lael Rodrigues e Yoyo Wurch. Elenco: Débora Bloch, Diego Vilella, Lauro Corona, Cazuza, Maria Zilda, Andrea Beltrão, Hugo Carvana. Atuações musicais de Cazuza, Barão Vermelho, Lobão e os Ronaldos, Celso Bules Boy e Metralhatxeca. Prémio APCA de Melhor atriz (Débora Bloch). Trilha sonora do Barão vermelho e outros.
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