Este documentário é um dos acontecimentos da rentrée. Por sugestão de uma amiga, fui vê-lo na semana de estreia, há três semanas. O filme continua em cartaz, passou por mais de 150 cinemas em França, continua em exclusividade em alguns, e já recebeu cerca de 100 mil espectadores. Um sucesso, portanto.
Dois nomes explicam o sucesso do documentário: Sebastião Salgado e Wim Wenders. Este realizou o filme com o filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado. Não é um grande documentário. Cumpre o objetivo de celebrar a obra de Salgado, mas o dispositivo formal dominante desilude: a sucessão interminável das fotografias apresentadas por ordem cronológica, com a voz off omnipresente, com poucas filmagens de Sebastião no terreno ou no laboratório. Para quem não conhece a obra de Salgado, é uma ótima introdução ao que ele fez de melhor. Mas o documentário tem uma vertente hagiográfica e acrítica que o empobrece. Poucos fotógrafos são tão polémicos quanto Salgado. Seria interessante confrontar a obra do fotógrafo com as críticas que circulam sobre a mesma. Mesmo assim, um dos bons documentários deste ano. Paris 2014: 3,5/5