Leitura: Luchino Visconti (Gaia Servadio, 1981)

Gaia Servadio era amiga de Luchino Visconti. Mas escreveu uma biografia com grande objetividade, que não lembra nada os testemunhos que os amigos e familiares costumam fazer sobre figuras públicas. Visconti nasceu no seio da aristocracia de Milão e nunca deixou de ser rico, muito rico. Foi encenador de teatro e de ópera, um dos grandes da altura, mas é como realizador de filmes que é hoje lembrado. Começou pelo teatro nos anos 30, em seguida estreou-se no cinema, com Ossessione, e em ambos os campos trouxe um realismo renovador que marcou a época. Na juventude sentiu-se atraído pelo fascismo (apoiado pela aristocracia de onde provinha) tenho viajado para a Alemanha para assistir as grandes paradas militares nazis. Mas a sua formação artística e intelectual em Paris e em Roma, na mesma altura, foi feita entre comunistas, que acabaram por o conquistar. Até ao fim da vida, Visconti manteve-se próximo dos comunistas italianos. Foi assistente de realização de Jean Renoir, um notório apoiante da esquerda em França. A partir dos anos 40 a sua condição contraditória de aristocrata comunista marcou a receção da sua obra. Eu ignorava todo este contexto em que foi feita e recebida a sua obra cinematográfica. Os seus filmes, que eu via sobretudo pelo prisma da estética, encerram posições políticas que remetem para o presente da produção e não para o passado da intriga (Senso, Il Gattopardo). Uma excelente biografia. Paris 5/5

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