Leitura: Groupes pop à mèches 1979-1984, de Pierre Robin (2015)

Este livro parece que foi escrito para mim. Trata-se de um ensaio francês sobre um fenómeno musical britânico: os neo-românticos do início dos anos 1980. Como eu tinha entre 12 e 14 anos quando os grupos deste ramo da new-wave atingiram elevados picos de popularidade entre os jovens, a sua influência sobre mim foi notável. Duran Duran, Spandau Ballet, Ultravox, Visage: este é o núcleo duro dos neo-românticos, mas muitos outros artistas tiveram o seu momento neo-romântico enquanto a moda persistia. Todos os artistas associados a este movimento admiravam e inspiravam-se no glam: Bowie, Boland, Roxy Music, e também nos Kraftwerk. Faziam pop a partir dos sintetizadores, mas, curiosamente, multiplicavam as referências ao passado, nas letras e no look, na indumentária que para eles era muito importante. Os neo-românticos distinguiram-se aliás pela forma como se apresentavam, pelo cuidado extremo com a sua imagem (herança do glam) que foi explorada pelos primeiros video-clips que então circulavam. O único representante do movimento em Portugal, destacado por Pierre Robin, são os Heróis do Mar, que de facto usavam a História do país nas suas letras e na sua imagem. Eu vivi esta moda e aderi quase completamente a ela (nem maquilhagem nem o cuidado com a roupa me tocaram). Mas os meus preferidos, dentro do movimento mais vasto da new wave da altura, eram The Human League, OMD, Imagination e Soft Cell. Mas havia muitos outros que eu seguia, a lista é enorme. 
Este livro foi uma achado. Paris 4,5/5

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