Peter Watkins: Edvard Munch (1973)

Juntamente com o Van Gogh de Pialat, este filme de Peter Watkins é o melhor que conheço sobre a vida de um pintor. Acho que foi a melhor descoberta que fiz este ano no campo do cinema. Para narrar a biografia de Evard Munch, Watkins fez uma série para a televisão sueca, que depois foi estreada nas salas num filme de quase três horas. A narração em voz off é dominante e fornece uma catadupa de informações sobre o contexto social e cultural da época de Munch. O filme mistura de forma admirável documentário e ficção sublinhando, por exemplo, os atrasos nos direitos dos trabalhadores e das mulheres. Mas o destaque vai para a apresentação do trabalho de Munch e da sua rejeição quase absoluta pela sociedade norueguesa. Essa rejeição aconteceu em outros países onde ele expôs os seus quadros (França, Alemanha) mas um pequeno grupo, sobretudo com a chegada dos simbolistas, sempre o defendeu. Gostei particularmente da opção do realizador pelos grandes planos de rostos virados para o espetador, como faziam Oliveira e Bergman (um admirador do filme de Watkins). Excelente. Genial? Paris 5/5

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