Leitura: The Skull Beneath the Skin (P.D. James, 1982)

Este é seguramente um dos melhores policiais que eu já li. Uma atriz consagrada tem recebido mensagens anónimas com citações sobre a morte retiradas do teatro inglês da época de Shakespeare. Ela encara essas mensagens como ameaças de morte. Então contrata a detetive Cordelia Gray para acompanhá-la durante uma fim de semana a uma ilha onde irá representar uma peça de John Webster. No castelo vitoriano que ocupa toda a ilha, ambos privados, um seleto grupo vai assistir à peça e pernoitar no castelo. A atriz não chega a representar pois morre como tinha receado que acontecesse. Não é tanto esta e outras mortes que se sucedem, e a investigação que se lhes segue, que me atrai neste e em outros romances de P. D. James. São as personagens, as suas baixezas e taras, os seus medos e ambições, revelados de forma magistral pela escritora que dão à sua obra um fôlego semelhante ao da Comédia Humana balzaquiana, condicionada aos nossos tempos negros. Morte, morte, morte, do princípio ao fim do romance: um grande romance sobre a morte e o seu poder de atração sobre o homem. Leia-se o desabafo da malograda atriz a Cordelia: 
"Voilà ce dont j'ai peur. Simplement de la mort. C'est idiot, n'est-ce pas? J'en ai toujors eu peur, même enfant. Je ne me rappelle pas quand cela a commencé, mais je connaissais les choses de la mort avant de connaître celles de la vie. Je n'ai jamais pu m'empêcher de voir le crâne qui se trouve sous la peau. (...) Il m'est impossible de vous décrire cette peur, ce qu'elle me fait. Elle arrive par vagues, me submerge. Cela doit ressembler aux doulerus de l'accouchement, sauf que ce n'est pas la vie que j'enfante, mais la mort"
Leitura nas praias de Salvador e Morro de São Paulo (Bahia) 5/5

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