Leitura: A Mind To Murder (P.D. James, 1963)


A Mind To Murder é o segundo romance de P. D. James e também o segundo protagonizado pelo inspetor Adam Dalgliesh. O romance começa com o assassínio da diretora administrativa do centro clínico Steen, em Londres, dedicado ao apoio psicológico de pacientes da classe média e alta. A autora gosta de centrar os seus romances em instituições e de, através de um crime ocorrido nas suas instalações, analisar o seu modo de organização e a micro-sociedade humana que se cria em tais ambientes. 
"Les gens ne sont-ils pas extraordinaires, Béa? C'était un cri véhément de protestation et de rancoeur. Les gens étaient extraordinaires! on croyait les connaítre. On travaillait avec eux, pendant des années parfois. On passait plus de temps avec eux qu'avec sa famille ou ses amis intimes. On connaissait chacune de leurs rides. Et pendant tout ce temps, ils avaient une vie à eux."
Mas a análise psicológica das personagens também é um dos pontos fortes dos romances de P.D. James, como o desta mulher, uma das suspeitas da autoria do crime.
"Impossible de ne pas remarquer une femme que consume l'ambition. Sous cet air de calme imperturbable, elle était aussi agitée et énervée qu'une chatte en chaleur."
E gosto também de certas notas sociológicas sobre determinados espaços, como esta nota certeira sobre um condomínio privado.
"Stalling Coombe était un endroit paisible, un petit domaine privé dont les maisons avaient été bâties selon des critères traditionels, chacune au milieu d'un vaste jardin. Cette prospère oasis de banlieu avait peu de contact avec le village voisin de Stalling, et ses habitants, liés par des préjugés et un snobisme communs, vivaient comme des éxilés décidés à conserver les apparences de la civilization au milieu d'une culture étrangère."
E depois há aquelas afirmações "datadas" que traem o espírito de toda uma época. Sobre uma das doutoras da clínica Steen:
"Elle avait cinq enfants, ses fils étaient intelligents et prospères, ses filles avaient fait de bons mariages."
No início da carreira, P. D. James já escrevia os livros que escreveria até ao fim da carreira (2011), com os mesmos temas, personagens e, sobretudo, com a mesma mestria romanesca. Muito bom, como os outros policiais que li dela. Paris/Salvador 4/5

Sem comentários:

Enviar um comentário