Leitura: Retrato de Rapaz (Mário Cláudio, 2014)

Uma capa magnífica para um magnífico livro. Foi com Mário Cláudio que me iniciei há muitos, muitos anos (Amadeo, Rosa) na arte da biografia como arte literária ou biografia romanceada, que remetem para uma produção literária com um peso assinalável no mercado editorial. Mas o que Mário Cláudio faz nesta área nada tem a ver com o que quase todos os outros fazem. Nestes falta literatura e sobra informação factual, como se a ficção (o romance) fosse um dispositivo formal utilizado para divulgar teorias, factos biográficos, dados históricos. Com Mário Cláudio a arte literária é o centro de tudo. Em Retrato de Rapaz, ganha vida um discípulo de Leonardo da Vinci, conhecido por Salai, para além do próprio mestre e de outros personagens que com eles se cruzam. Não há muita informação documentada sobre tal relação mestre/discípulo, e nessa ausência a arte da imaginação do escritor encontra um terreno fecundo. Mas o que eu mais gosto neste escritor é a sua língua, que pertence obviamente ao nosso tempo, mas que não esconde, antes manifesta à superficie, a sua espessura histórica. Um grande romance. 5/5

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