A Rainy Day in New York (Woody Allen, 2019)

A Rainy Day in New York não é um dos melhores filmes de Woody Allen mesmo considerando apenas os últimos que fez. Mas tudo isto é muito sujetivo, cada fã prefere este ou aquele filme, parece não haver consenso como há em relação aos seus clássicos dos anos 70 e 80. Timothée Chalamet e Elle Fanning formam um casal de namorados universitários que vão passar uns dias a Nova Iorque, terra do rapaz. Ele apresenta a mítica cidade à namorada do Arizona e esta diferença regional é fonte de muitas piadas. Mas a moça vai conhecer muito mais do que o namorado espera mostrar-lhe, pouco a pouco afastando-se dele para seguir um escritor e depois um ator mais velhos mas célebres... Também com Selena Gomez, Jude Law, Diego Luna, Liev Schreiber. Paris 3/5

Un flic sur le toit (Bo Widerberg, 1976)

Quando um agente da polícia de Estocolmo é assassinado, logo se suspeita que o autor e os motivos do crime encontram-se na própria organização policial. Este thriller tem uma dimensão crítica que faz dele um dos filmes mais interessantes da cinematografia sueca, nos antípodas do cinema de Ingmar Bergman. Foi reposto nas salas francesas em versão restaurada. Paris 3,5

Detour (Edgar G. Ulmer, 1945)

Detour é um filme noir brilhante, feito por uma bagatela mas com muito talento. Tom Neale parece um íman que atrai as más companhias e até comete um assassinato sem se aperceber! Reposto nas salas em versão restaurada 2K para felicidade dos cinéfilos. Paris Filmothèque 4/5

Mayday at 40 000 Feet! (Robert Butler, 1976)

Mayday at 40 000 Feet! é um filme feito para televisão na época dos filmes-catástrofe. Um prisioneiro provoca o pânico durante um voo quando rouba uma pistola e atinge um piloto e uma hospedeira. O seu realizador, Robert Butler, faria 20 anos depois o remake (Turbulence, 1997) com resultados de bilheteira catastróficos. Em 1976 entre os atores estão Ray Milland, David Janssen e Don Meredith. Paris Cinémathèque 2/5

Berthe Morisot (Musée d'Orsay, 2019)

Grande retrospetiva de uma pintora impressionista, reconhecida pelos seus contemporâneos, que não quis pintar as mesmas coisas que os seus colegas homens. Como estes pintou sobretudo mulheres, mas interessou-se pela moda e pela toilette, pela vida privada e feminina das mulheres. Paris Musée d'Orsay 3,5/5

Madame Butterfly (Puccini, 2019)

Madame Butterfly por Robert Wilson, um clássico da Opéra de Paris (assisti à 96° representação da produção nesta casa!). Delicadeza japonesa no cenário e no movimento dos cantores, delicadeza da alma de Madame Butterfly. Direção musical de Giacomo Sagripanti, Orquestra e Coros da Opéra national de Paris, mise en scène de Robert Wilson, com Ana María Martinez (Cio-Cio-San) e Marie-Nicole Lemieux (Suzuki). Paris Opéra Bastille 4/5 

Fête de famille (Cédric Kahn, 2019)

A reunião de família (ou de amigos) é uma especialidade cinematográfica francesa. Tantos filmes existem com esse perfil que há personagens que já nada surpreendem, como por exemplo, a ovelha negra da família. Andréa (Catherine Deneuve) tem dois filhos que se esforçam por ficar com esse papel ingrato: Emmanuelle Bercot e Vincent Macaigne. Os dois não acertam na carreira, nos amores, em nada. Eles protagonizam os momentos mais dramáticos (e histéricos) do filme mas também alguns dos mais divertidos e ternos. Entre picos de gritaria há momentos de calmaria onde as crianças ganham o protagonismo e pacificam avós, pais e tios. Gostei da festa não gostei desta família. Paris 3/5

Perdrix (Erwan Le Duc, 2019)

Comédia romântica muito indie, com personagens mal ajustadas na realidade social onde se movem. O burlesco é o registo predominante, a sombra de Tati anda por aqui. Mas se as qualidades do filme são evidentes, este a mim não me seduziu mesmo nada. Para esquecer. Paris 2/5

Frankie (Ira Sachs, 2019)

Frankie (Isabelle Huppert), atriz famosa internacionalmente, tem pouco tempo de vida, por isso convida a família e alguns amigos a visitarem-na em Sintra (Brendan Gleeson, Marisa Tomei, Jérémie Renier, Pascal Greggory, Ariyon Bakare, Vinette Robinson, Greg Kinnear). A beleza clássica e serena de Sintra não chega para apaziguar personagens, atormentadas pelas suas preocupações pessoais: um casal em divórcio, uma proposta de casamento recusada, um jovem marcado pelo incesto, um guia (português) com o casamento abalado... Paris 3/5

Late Night (Nisha Ganatra, 2019)

Late Night é uma das boas comédias deste ano (pelo-me por uma boa comédia!). Emma Thompson é uma estrela da televisão, dona e senhora de um daqueles talkshows do fim da noite em que o apresentador rouba quase sempre a cena aos convidados. Emma é assim, nem se preocupa em disfarçar, e é adorada pelo público que com ela cresceu. Tornou-se uma profissional fria e inacessível, que não conhece o nome dos profissionais que escrevem o que ela diz há anos. A entrada de uma mulher na equipa exclusivamente masculina vai mudar as coisas e sabemos de antemão para onde vai a história, já vimos isto outras vezes, a queda de um ídolo do seu pedestal. O melhor do filme é o que se passa nos bastidores, na relação entre as várias personagens, a evolução de Emma é apenas o que permite rematar a história central. O argumento é de Mindy Kaling, e os atores incluem Emma Thompson, Kaling, Max Casella, Hugh Dancy, John Lithgow, Denis O'Hare, Reid Scott, Amy Ryan. Paris 3/5