Documentário: Soul Train - The Hippest Trip in America (2010)

Tomei conhecimento da existência do fabuloso programa televisivo Soul Train há relativamente pouco tempo. Estreou em 1971 e terminou em 2006 e até 1993 foi comandado por Don Cornelius, o seu criador. Soul Train - The Hippest Trip in America (2010), produzido pela VH1, é um documentário escrito por Sean Gottlieb e realizado por Amy Goldberg e J. Kevin Swain. Trata-se de um excelente documentário que vive de amostras do programa, da atuação de grandes artistas. 4/5

Documentário: Baaadassss Cinema (Issac Julien, 2012)

Um bom documentário sobre a "Black Hollywood", aquela produção numerosa de filmes feitos por negros para a comunidade negra na primeira metade dos anos 70. Filmes de baixo orçamento mas populares, com as suas estrelas (Pam Grier, Fred Williamson) e sobretudo a sua música fantástica. Tenho a ideia de que deste filão pouco ficou em termos da arte cinematográfica, sendo sobretudo sociológica a sua importância. 3/5

Luigi Comencini: Pane, amore e gelosia (1954)

No final do primeiro Pan, amore, os protagonistas Vittorio De Sica e Gina Lollobrigida encontravam a respetiva cara-metade mas, para que o par justificasse a continuação da série, teriam de voltar a encontrar-se frente a frente. Então os casais desfazem-se devido ao ciúme provocado por uma dança comprometedora entre Vittorio e Gina. Este segundo filme voa mais baixo do que o primeiro. 3/5

Luigi Comencini: Pane, amore e fantasia (1953)

Foi tal o sucesso de Pane, amore e fantasia, que involuntariamente iniciou uma famosa tetralogia que terminaria em 1958. Vittorio De Sica chega a uma aldeia para assumir o posto de autoridade policial máxima e, como os outros machos do local, perderá a razão quando conhecer a jovem Gina Lollobrigida. Commedia all'italiana aqui é isto: italianos e italianas excitados com a perda da honra em aldeias onde esta é constantemente vigiada por todos; milagres de pacotilha que excitam o povo e opõem-no à igreja; etc. Tudo isto poderia resultar num filme bem negro e crítico da pequenez católica, mas Comencini optou por carregar nas tintas e não deixar nenhum espectador sisudo. Bene ma non troppo 3/5

Jacques Tourneur: Great Day in the Morning (1956)

De um dos meus realizadores preferidos, Great Day in the Morning é um western pouco notável. Um cowboy destemido (Robert Stack) chega a uma vila que perde a cabeça com a possibilidade de enriquecer com o ouro. Mas o centro do filme acaba por ser a paixão que Stack desperta em duas bravas belezas: a loira Virginia Mayo e a morena Ruth Roman. DVD 3/5

Stardust: The Bette Davis Story (2005)

Stardust: The Bette Davis Story (2005) é um documentário produzido e realizado por Peter Jones para a Turner TV. Segue o modelo habitual destas produções, com excertos dos filmes de Davis e comentários de atores de hoje, que aparecem repetidamente (porquê?) no ecrã: Ellen Burstyn, Gena Rowlands, Jane Fonda e James Woods. O documentário é narrado por Susan Sarandon. Mas o melhor é a grande quantidade de filmes de arquivo e entrevistas da atriz na televisão, que propõem um retrato da atriz que não é nada hagiográfrico como costumam ser este tipo de produção televisiva. Muito bom 4/5

James L. Brooks: Terms of Endearment (1983)

Este filme marcou os anos 80. Uma comédia dramática sobre a relação problemática entre mãe e filha (Shirley MacLaine e Debra Winger), tendo esta desenvolvido um cancro fatal. Entre ligeireza e gravidade, James L. Brooks consegue encontrar o tom justo para contar esta história de Larry McMurtry. Mas o filme é sobretudo um show dos atores. Shirley MacLaine e Jack Nicholson receberam o Oscar e o Golden Globe. Debra Winger, nomeada para vários prémios, também é excecional. James L. Brooks, na sua estreia na realização, venceu quase tudo o que havia a vencer, pois ele escreveu, realizou e produziu o filme. Com base nestas três funções acabou por receber três Oscars e dois Golden Globes. A edição em DVD do filme traz um bom comentário áudio por James L. Brooks. Bom filme 3/5

David Yates: The legend of Tarzan (2016)

Tarzan e Jane, Lord e Lady Greystoke, abandonam a sua manor londrina para visitar a terra da sua infância, que fica nas terras do Congo belga, para pôr a limpo as manobras que os brancos fazem para dominar aquela terra. Escravização de tribos livres, cobiça dos diamantes, jogos de poder entre nações: a ação de Tarzan vai interferir nestes grandes interesses, com a ajuda de um antiesclavagista americano e, sobretudo, dos animais seus amigos. Entretenimento garantido mas com inspiração rasteira. Garrett 2/5

Leitura: Un sabato, con gli amici (Andrea Camilleri, 2009)

Um grupo de amigos que se conhecem desde a adolescência, já com a vida profissional estabelecida, guardam segredos (como a pulsão sexual associada à morte) e, pior, escondem crimes como a pedofilia, que são pouco a pouco revelados ao leitor num crescendo tensional que torna a leitura irresistível. O breve romance é feito essencialmente de diálogos e, não fora a motivação escabrosa de algumas personagens, o enredo faz lembrar o ambiente dos romances de Agatha Christie, em que as personagens reunidas na cena de um crime (ocorrido durante o encontro ao sábado entre os amigos, como revela o título) acabam por ter alguma relação mesmo que insignficante com esse crime. Muito boa leitura de verão 3/5

Victor Erice: El Sur (1983)

Há um conjunto de filmes espanhóis (que inclui outro de Erice, O Espírito da Colmeia), por sinal excelentes, que nos mostram o mundo dos adultos, complexo e atormentado de culpa, através do olhar da criança. Nesses filmes as casas são importantes, mas são espaços abafados e isolados do mundo, nelas não entrando a passagem do tempo e da história, e tudo é comunicado em voz baixa, por meias-verdades. O olhar inocente da criança acaba por revelar as verdades essenciais. Claro que estes filmes falam desse modo metafórico da Espanha franquista, que reprime os adultos e povoa a infância de fantasmas e mistérios. DVD 4/5