Domingo (Fellipe Barbosa e Clara Linhart, 2018)

Estreia em França: 10/10/2018
Terceiro filme de Felipe Barbosa, um dos mais interessantes realizadores brasileiros. Numa quinta no sul do Brasil, perto da fronteira com o Uruguai, uma família reune-se para celebrar o novo ano, marcado pela eleição de Lula da Silva a Presidente do país. A política está sempre presente ou latente nesta comédia de costumes que opõe proprietários agarrados aos seus privilégios e caseiros explorados, mas acordados pelo novo poder de Lula. Um realizador a ver sempre. Paris Beaubourg 3/5

Opera: Orphée et Eurydice (Gluck)

Orphée et Eurydice é uma ópera curta mas rica em melodias inesquecíveis cantadas pelos protagonistas (sobretudo Orfeo) e pelo coro. Sem dúvida uma das óperas com mais páginas interessantes escritas para coro. Orfeo, de Gluck, tem felizmente várias versões (em italiano e em francês, nomeadamente) e foi escolhida para esta produção da Opéra-Comique a versão de Hector Berlioz (1859). O elenco é o elemento mais notável da produção: Marianne Crebassa (Orphée), Hélèle Guilmette (Eurydice) e Lea Desandre (Amour). Paris 4/5 
Raphaël Pichon (direção musical) 
Ensemble Pygmalion (orquestra e coro)
Aurélien Bory (mise en scène)

Teatro: Lettres à Nour (Rachid Benzine, 2018)

Uma jovem francesa, filha de um filósofo universitário de fé muçulmana, parte para o Iraque para se juntar aos djhiadistas. Nunca mais verá o pai, com o qual troca cartas que testemunham a evolução da sua situação até ao desenlace trágico. O texto foi escrito e é interpretado por Rachid Benzine. Paris Bouffes du Nord 2/5

Sauvage (Camille Vidal-Naquet, 2018)

Sauvage é um filme sobre um meio determinado, o da prostituição masculina de rua em Paris, mas é ainda mais justo vê-lo como um filme de personagem, que narra uma tragédia pessoal. Léo (Félix Maritaud) é um prostituto, atraente e desejado mas muito frágil num mundo de brutos. Vive perdido, entre a dependência da droga, de um colega que ama e do amor que procura em certos clientes. Muito cru na abordagem do meio da prostituição, o filme é comovente quando se foca em Léo. Paris Beaubourg 3/5

Dilili à Paris (Michel Ocelot, 2018)

Dilili é uma menina kanake, que fala um francês cuidado (aprendido com Louise Michel) e encanta a Paris da Belle Epoque com a sua distinção e personalidade. Ela e Orel, um amigo, percorrem Paris em busca dos criminosos que raptam crianças e jovens e na suas aventuras encontram as personagens carismáticas da cidade-luz: Debussy, Emma Calvé, Sarah Bernardh, Marie Curie, Louise Michel, Pasteur, Toulouse-Lautrec, Satie, o herdeiro inglês Edward, entre outros. Uma homenagem maravilhosa a Paris. Bercy 3/5

The Nun (Corin Hardy, 2018)

Gostei de The Conjuring 2 (2016), filme de fantasmas a partir do qual surge este The Nun, francamente pior. Apenas se aproveita a atmosfera criada em torno de um convento quase em ruínas na Roménia (um país sempre associado no cinema às trevas medievais) onde uma freira cometeu sucídio. O argumento é de Gary Dauberman (que também escreveu a história original com James Wan). Com Demián Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet. Paris Bercy 2/5

Voyez comme on danse (Michel Blanc, 2018)

Michel Blanc assina o seu segundo filme baseado em personagens do escritor inglês Joseph Connolly. Voyez comme on danse é uma comédia sobre uma família particularmente anormal cuja alma (Karin Viard) não quer outra coisa que atingir uma normalidade que lhe foge sempre. O filme nem sempre é tão cómico como deveria, mas o elenco é uma maravilha: Karin Viard, Carole Bouquet, Charlotte Rampling, Jean-Paul Rouve, William Lebghil, Jacques Dutronc, Guillaume Labbé e Michel Blanc. Paris Bercy 3/5

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Opera: Les Huguenots (Meyerbeer Bastille outubro de 2018)

Les Huguenots, de Meyerbeer, é um dos maiores exemplos da Grand Opéra, género francês do período do Romantismo oitocentista, que apostava nas figuras e acontecimentos históricos para enquadrar histórias românticas (e outras). Les Huguenots conta a paixão entre um protestante (Raoul de Nangis) e uma católica (Valentina) nos dias que antecederam o sangrento ataque aos protestantes conhecido por São Bartolomeu. Um dos grandes trunfos desta ópera é mesmo o argumento e o libreto (de Eugène Scribe e Émile Deschamps) assim como a própria música de Giacomo Meyerbeer. O espetáculo da Bastille é grandioso e merece tirar do esquecimento em que ficou durante décadas desta ópera tão famosa. Paris 4/5
Michele Mariotti e Łukasz Borowicz (direção musical)
Orquestra e Coro da Opéra National de Paris
Andreas Kriegenburg (mise en scène)
com
Lisette Oropesa (Marguerite de Valois), Yosep Kang (Raoul de Nangis), Ermonela Jaho (Valentina), Karine Deshayes (Urbain), Nicolas Testé (Marcel), Paul Gay (Le Comte de Saint-Bris)

Opera: La Traviata (Bastille, outubro de 2018)

La Traviata resiste a qualquer encenação menos boa ou a cantores menos inspirados. Não é o caso desta produção já conhecida da Opéra Bastille, com encenação de Benoît Jacquot, e uma violeta impecável de Aleksandra Kurzak. Paris 4/5
Giacomo Sagripanti (maestro)
Benoît Jacquot (encenador)
Orquestra e Coro da Opéra National de Paris
com 
Aleksandra Kurzak (Violetta Valéry)
Jean-François Borras (Alfredo Germont)
George Gagnidze (Giorgio Germont)
 Virginie Verrez (Flora Bervoix)
Cornelia Oncioiu (Annina)

L'Année dernière à Marienbad (Alain Resnais, 1961)

Cartaz da estreia da versão inédita restaurada
A memória e o tempo são temas caros a Resnais. Em L'Année dernière à Marienbad, um homem tenta convencer uma mulher de que eles tiveram um caso no ano anterior. Ela nega. Un puzzle que só o espectador pode resolver (como bem entender). Um dos melhores filmes da história do cinema. Com argumento e diálogos de Alain Robbe-Grillet. Elenco: Delphine Seyrig, Giorgio Albertazzi, Sacha Pitoëff, Françoise Bertin, Françoise Spira, Jean Lanier, Luce Garcia-Ville, Helena Kornel. CCVC 1993 & Paris 2018: 4/5