Le Trio en mi bémol (Eric Rohmer, 1988)

Blaise Pettebone e Carine Goron
Le Trio en mi bémol é a única peça de teatro de Eric Rohmer. Paul e Adèle encontram-se, amam-se, separam-se, mas o reencontro é penoso, não há regresso possível a um estado feliz anterior. Rohmer é mestre da palavra, conhecemos isso dos seus filmes, não admira que alguns dos seus argumentos tenham originado peças de teatro. Paris: produção do Collectif Colette, encenação de Laurent Cogez, no Théâtre de l'Opprimé 3/5

Expo: Flaming June: A Masterpiece Comes Home (Leighton House Museum)

A visita que fiz ao Leighton House Museum para ver a exposição Flaming June valeu tanto pela casa em si como pela exposição propriamente dita. Frederic Leighton foi um famoso pintor vitoriano e presidente durante cerca de 20 anos da Royal Academy. Construiu uma casa mourisca em pleno Kensington londrino, que era igualmente o seu estúdio. A pequena fonte no interior da casa e os azulejos que se espalham pelas paredes da casa são um encanto. Quanto a Flaming June, trata-se do seu quadro mais famoso, e por uns meses voltou à casa onde foi pintado. Uma oportunidade única para ver um quadro que pertence a um colecionador de Puerto Rico. Flaming June é exposto com os outros cinco quadros pintados no último ano de vida de Leighton e que na época foram expostos juntos para venda. Londres

Expo: Glad to be Gay: The Struggle for Legal Equality (LSE Gallery Library, 2017)

O Sexual Offences Act de 1967 descriminalizou a homossexualidade no Reino Unido. Passam 50 anos desde esse marco na luta pela igualdade legal das diferentes orientações sexuais. Na London School of Economics, numa única sala, uma série de documentos lembram-nos os momentos dessa luta. Londres

Teatro: Nathan, der Weiser (Lessing, 1779)

Nathan, der Weiser (Nathan, o Sábio, escrita em 1779, mas encenada em Berlim em 1883), é a última peça de Lessing. Fala de um tema tão atual: o da (in)tolerância religiosa. A ação passa-se em Jerusalém, na época das Cruzadas, e põe em cena representantes das três religiões monoteístas que co-habitavam na região: cristãos, judeus e muçulmanos. A encenação de Jean-Luc Jeener poderia ser melhor, e nem todos os atores brilharam, mas mesmo assim acompanhei a história com interesse. Paris: Nathan le Sage (Théâtre du Nord Ouest, 2017) 3/5 

Silence (Martin Scorsese, 2016)

Muito académico para um filme de Scorsese, Silence é mesmo assim um bom filme sobre um momento crítico do encontro entre a Europa e o Japão. Fanatismo de um lado (os jesuítas portugueses) e terrorismo de Estado do outro (a Inquisição japonesa): entre os dois muitos cristãos japoneses, e alguns padres portugueses, passaram por um verdadeiro calvário. Paris 3/5

Gimme Danger (Jim Jarmusch, 2016)

Jim Jarmusch tem um estilo muito próprio nos seus filmes de ficção. Mas este documentário não revela esse estilo, limitando-se ao habitual cruzamento entre entrevistas feitas para o filme (sobretudo de Iggy Pop) e filmagens de arquivo de shows dos Stooges. Sem dúvida um bom documentário, cheio de revelações, pelo menos para mim que mal conheço a história e a música dos Stooges. Paris 3/5

The Pirates of Penzance, de Gilbert & Sullivan (ENO, 2017)

Mike Leigh encena esta opereta de Gilbert & Sullivan, aos quais já tinha dedicado um excelente biopic. Divertida do príncipio ao fim, ainda assim menos interessante do que as óperas em geral. Em breve verei uma opereta de Offenbach. Poderei entao comparar dois (tres) mestres da opereta da idade de ouro. Londres: English National Opera 3/5

David Hockney (Tate Britain, 2017)

Não me lembro de alguma vez ter comprado um bilhete para só poder entrar na exposicão seis horas mais tarde. Este evento tem atraído multidões que esgotam continuamente a capacidade da exposição. Conhecia mal a obra de Hockney, por isso esta foi uma oportunidade única de ter uma visão geral do que ele tem feito desde o início dos anos 60. Fiquei particularmente maravilhado com a sua obra solar feita na Califórnia nos anos 60. Sunbather, chama-se a sala/capítulo da exposição dedicada a esse período de quadros descomunais de cores soberbas. E o público de hoje reagiu como eu. Para fim de conversa, contas de merceeiro: nunca tinha pago valor semelhante para ver uma exposicão, 20 libras! Londres: Tate Britain 4/5

The Sleeping Beauty (Covent Garden, 2017)

Desta vez o título do famoso ballet de Tchaikovsky/Petipa vai em inglês porque a produção que vi hoje pertence ao Royal Ballet, de Londres. Como sempre acontece com os ballets clássicos a sala do Covent Garden tem estado esgotada, por todo o lado o fenómeno repete-se: as pessoas querem ver os clássicos. Quanto à Bela Adormecida, só me ocorre dizer que este famoso conto parece ter sido pensado como argumento de ballet, de tão natural é a sua transposição para o mundo do ballet romântico. Os três primeiros actos correspondem à história que todos conhecemos, mas o último acto faz entrar para um baile apoteótico (que festeja o casamento de Aurora) várias das personagens dos contos maravilhosos, como o Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. Londres: Covent Garden 5/5

Adriana Lecouvreur (Cilea, 1902)

Foi uma noite especial, pois pela primeira vez vi Angela Gheorgiu num palco. E nao foi num palco qualquer. Há cerca de 20 anos, Angela ficou famosa com a Traviata que apresentou no Covent Garden, dirigida por Georg Solti. Ela é uma das maiores divas líricas de hoje, e uma das raras divas cuja vida privada e (mau) feitio passam regularmente para as páginas das revistas da especialidade. Porém, a julgar pelos aplausos do público o cantor mais amado nesta produção da ópera de Cilea foi Gerald Finley. Mesmo não sendo uma produção inatacável, para mim foi uma noite perfeita. A música de Cilea é lindíssima, os intérpretes estiveram todos bem, a encenação de David McVicar é bela, legível e pertinente. O terceiro acto comeca com uma introdução instrumental muito bela que depois dá lugar à ária mais famosa da ópera cantada por Adriana, "Poveri fiori". Foi o que eu mais gostei, apesar dos outros actos serem igualmente bons. Londres, Covent Garden 5/5