Teatro: Estúpido Cupido (2015)

O musical Estúpido Cupido estreou em 2015 no Rio de Janeiro, andou em turné, e agora voltou para mais uma temporada carioca no Teatro Vanucci, na Gávea. É um sucesso merecido. É um musical feel-good que olha com ternura, nostalgia e humor para os anos 60, quando a música brasileira, e ainda mais os jovens, imitava a música americana toda ela sacudida pela onda rock. Um grupo de ex-colegas de liceu, agora cinquentões, encontram-se numa festa revivalista, onde as antigas paixões e rivalidades adolescentes vêm à superfície, tudo regado com músicas pop da juventude da altura: Estúpido cupido, Banho de lua, Broto legal, entre outras. O musical tem poucos meios técnicos, apenas três músicos em cena e seis personagens (interpretados por onze atores), mas o talento dos intérpretes enche o palco e a plateia de alegria com situações cómicas previsíveis mas bem acabadas e canções cativantes. Um dos melhores musicais nos palcos do Rio. Teatro Vanucci 3,5/5
Texto: Flávio Marinho 
Direção: Gilberto Gawronski
Músicos: 
Anderson Ribeiro, Guilherme Forton Viotti e Pedro Mota
Elenco:
Françoise Forton (Tetê)
Andréa Dantas (Ana Maria)
Carlos Bonow (Teddy)
Mauricio Baduh (Frankie)
Maria Sita (Wanda)
Carla Diaz (Danielly)
Luísa Viotti (Tetê jovem)
Julia Guerra (Aninha jovem)
Ryene Chermont (Wanda jovem)
Mateus Penna Firme (Teddy jovem)
Ricardo Knupp (Frank jovem)

Yank! O Musical

Os irmãos David e Joseph Zellnik conceberam este musical sobre o amor no tempo de guerra, velho e querido tema das gerações afetadas pela segunda guerra mundial. Mas os Zellnik escolheram tratar o amor entre dois soldados e toda a dimensão nostálgica das anteriores versões deu lugar a aspectos mais actuais ligados aos problemas das comunidades LGBT. Então numa altura de maior conservadorismo da sociedade brasileira este ótimo espetáculo vem no momento certo. Gostei muito da versão brasileira de um original americano (Off-Broadway, 2010) que não conheço. Os brasileiros têm um dom musical infalível e isso revela-se mais uma vez nesta produção, de resto um pouco pobre de cenários e trabalho de luzes. Mas os atores cantam e dançam bem e asseguram a dimensão emocional com brilho. Fiquei comovido com a história e com a sorte dos amantes (in)felizes Stu e Mitch. Rio J., Teatro Vanucci 4/5
Libretto e Letras: David Zellnik 
Música: Joe Zellnik 
Tradução e Versões: Menelick de Carvalho e Vitor Louzada 
Direção Geral: Menelick de Carvalho 
Direção Musical: Jules Vandystadt
Elenco: 
Hugo Bonemer (Stu) 
Betto Marque (Mitch)
&
Leandro Terra, Fernanda Gabriela, Conrado Helt, Dennis Pinheiro, Leonam Moraes, André Viéri, Alain Catein, Bruno Ganem, Robson Lima e Rhuan Santos.

Tudo o Contrário 3 - A Cena Em Prol da Vida (2018)

Tudo ao Contrário - A Cena Em Prol da Vida é um show beneficente que propõe um repertório de canções retiradas de musicais brasileiros e americanos, em que os papéis originais masculinos são interpretados por mulheres e vice-versa. É uma forma de celebrar a diversidade de género (e não só) e é inspirado pelo evento anual Broadway Backwards. Várias dezenas de atores, cantores e músicos desfiam quase sempre com brilho canções em inglês e português (as minhas preferidas), temas conhecidos dos musicais, desde os anos 20 (ThT Man I Love) aos anos 2010 (ponto alto foi a apresentação pelo elenco de This is Me, recém-nomeada ao óscar). Outros musicais representados: Kinky Boots, Haispray, Música no Coração, Chicago. Belo espetáculo, em que participaram as famosas Zélia Duncan e Leila Garin. Rio de Janeiro q, Teatro Riachuelo 4/5

Expo: Charles I: King and Collector (Londres, 2018)

Charles I foi um monarca de muito má memória: provocou uma guerra civil, arruinou a monarquia (substituída temporariamente por uma república), foi por fim decapitado. Mas foi um dos maiores colecionadores de arte do seu país. Durante o seu reinado, na primeira metade do século XVII, reuniou um conjunto impressionante de obras-primas que certamente influenciou os rumos da arte no país. Teve um pintor de corte, como era costume na altura (como Velasquez em Madrid): Anthony van Dyck. A exposição está cheia de obras dele, incluindo o incrível retrato triplo de Charles I, feito para que Bernini pudesse fazer uma estátua do rei, entretanto perdida. A exposição é excelente, tanto mais que muitas das obras não são facilmente vistas pelo público, pois pertencem ao património real. Londres, Royal Academy of Arts 4,5/5

Expo: Victorian Giants: The Birth of Art Photography (2018)

Esta recente exposição da National Portrait Gallery, de Londres, celebra os fotógrafos vitorianos e a sua contribuição para consagrar a fotografia como arte. Victorian Giants: The Birth of Art Photography, centra-se em quatro grandes dessa época: Julia Margaret Cameron (1815–79), Lewis Carroll (1832–98), Lady Clementina Hawarden (1822–65) e Oscar Rejlander (1813–75). Carroll é o "pai" de Alice, sem dúvida o mais famoso destes quatro nomes. Ele tirou muitas fotografias de algumas raparigas muito jovens de famílias com que ele convivia estreitamente. Uma dessas inspirou a criação de Alice. Estes fotógrafos vitorianos estavam portanto interessados em outras artes como a literatura e a pintura, tendo grande afinidade com os pré-rafaelitas. Londres 3,5/5

Messe en si mineur, de Jean-Sébastien Bach

Messe en si mineur, de Jean-Sébastien Bach
Johanna Winkel (soprano), 
Marie-Henriette Reinhold (alto), 
Sebastian Kohlhepp (tenor)
Arttu Kataja (baryton-basse)

Hans-Christoph Rademann
Orquestra e Coro do Gaechinger Cantorey Stuttgart

Brahms & Berlioz no Théâtre des Champs-Elysées

Lionel Bringuier                                 Igor Levit
Lionel Bringuier & Tonhalle-Orchester Zürich
Igor Levit (piano)
Programa: 
Brahms: Concerto pour piano n° 1, 
Berlioz: Symphonie fantastique 
Théâtre des Champs-Elysées

Fevereiros (Marcio Debellian, 2017)

Fevereiros, de Marcio Debellian, com argumento de Diana Vasconcellos e Marcio Debellian, é um documentário excelente sobre Maria Bethânia e a homenagem que lhe foi feita em 2016 pela escola de samba carioca Mangueira. Para o desfile no sambódromo, a Mangueira investigou a relação de Bethânia com as religiões que co-existem na Bahia, e em particular em Santo Amaro, terra de Bethânia e Caetano. As gravações em Santo Amaro são magníficas e os depoimentos de Bethânia e Caetano também. Amei. Paris 4/5

Teatro: Petit Eyolf (Ibsen, 1894)

Peça a peça, Ibsen torna-se num dos meus dramaturgos preferidos, a par de Tchekov ou Tennessee Williams. Petit Eyolf (1894) é um drama breve, com uma hora de duração, mas parece ter a densidade de uma grande peça de Shakespeare. Um drama familiar com uma criança doente no centro, pais atormentados não só com o filho mas com o que resta do amor do casal, um pai que projeta mudar radicalmente a sua conduta, uma mãe e esposa que revela ou sugere sentimentos e desejo nada maternais e mesmo destrutivos (as personagens femininas de Ibsen são sempre um assombro). Está de parabéns a equipa que pôs de pé esta produção do Théâtre du Nord-Ouest, com encenação de Jean-Luc Jeener, que me fez amar ainda mais Ibsen. Paris 4/5
Elenco
Benoît Rivillon (Alfred Allmers)
Laurence Hétier (Rita Allmers) 
Ezechiel Detomasi (Eyolf) 
Fanny Sutterlin (Asta Allmers)
Pierre Bes de Berc (Borgheim)
Syla de Rawsky (a mulher dos ratos)

Opera: Bartók & Poulenc por Warlikowski (Opéra de Paris)

John Relyea (Le Duc Barbe-Bleue) & Ekaterina Gubanova (Judith)
Este espetáculo que une La Voix humaine (Poulenc, 1955) a Bluebeard's Castle (Bartók, 1918), sem descontinuidade, é uma das joias da Opéra de Paris, onde foi criado em 2015. O grande mago responsável por tão ousada e satisfatória encenação é Krzysztof Warlikowski, que compreendeu bem as linhas que cosem as duas obras. O sofrimento e a solidão feminina resultantes da dependência de uma mulher face a um homem são temas que percorrem as duas breves óperas. Destacaria por isso as duas fantásticas cantoras que encarnaram Judith (Ekaterina Gubanova) e Ela (Barbara Hannigan). Muito bom. Paris, Palais Garnier 4/5
Barbara Hannigan