Kedi (Ceyda Torun, 2016)

Um filme sobre os gatos de Istanbul. Nesta cidade antiga eles encontram um ambiente acolhedor: algumas pessoas se apegam a estes gatos de rua, e a arquitetura parece ter sido feita para a sua exploração da cidade. O filme é longo demais para o assunto tratado. PV 2,5/5

Leitura: El bandido doblemente armado (Soledad Puértolas, 1980)

El bandido doblemente armado é um romance curto que narra a relação do jovem protagonista, nunca nomeado, com a família rica Lennox. Amigo de escola de um dos filhos Lennox, o protagonista, que ambiciona ser escritor, vai passar a ser amigo de vários membros da família, ao mesmo tempo que se afasta do amigo que o introduziu neste mundo. Li em 2018 O Bandido Duplamente Armado (Bertrand, 1991) na tradução de Maria do Carmo Abreu. Salvador 3,5/5)

Leitura: Adventures in the Alaskan Skin Trade (John Hawkes, 1985)

O título do livro prepara-nos para um romance de aventuras e é isso que obtemos. A protagonista e narradora é uma mulher que chega criança ao Alasca com os pais e acaba por trabalhar num bordel. Tudo é narrado com bom humor (e talvez demasiada ligeireza ao evocar essa sua vocação) e a narrativa privilegia a figura do pai da protagonista, homem corajoso e generoso que se mete em aventuras de socorro e cultiva o amor pela mulher e a amizade acima de tudo. Sem contar, acabou por ser uma leitura ideal de verão, de grande qualidade literária. Li o romance em português: Aventuras no Comércio de Peles do Alasca (Fragmentos, 1987). Salvador, Bahia 3,5/5

Leitura: Washington Square (Henry James, 1881)

Depois de umas leituras dececionantes, tive agora direito a um tesouro. Como é o primeiro livro que leio de Henry James, a surpresa pela qualidade deste clássico foi enorme. A análise psicológica das personagens, sobretudo das femininas, é talvez o grande feito deste romance e a forma como essa análise se revela pela escrita faz parte desse mesmo feito. A protagonista, Catherine Sloper, é a vítima da frieza e do calculismo de dois homens, o seu pai, que lhe evita os pretendentes que não estejam à sua altura, e Morris Townsend, que a corteja pela fortuna que ela vai herdar. Nenhum dos três vai sair ileso da luta que se trava, mas o narrador ocupa-se sobretudo em dar-nos a ver, a sentir, a ferida que coube a Catherine, que fechará apenas com a morte. Um grande clássico. Bahia 5/5

Ópera: Don Giovanni (Mozart, 2018)

Já vi muito boas produções de Don Giovanni, como por exemplo a de Michael Haneke na Bastille, mas é sempre um prazer rever Don Giovanni de Mozart, uma das minhas óperas preferidas. Kasper Holten opta por uma solução que já vi algumas vezes no teatro: um edifício que ocupa o palco inteiro vai rodando e nele evoluem as personagens, que passam de divisão em divisão. Este dispositivo é interessante e inteligente porque lembra o jogo das escondidas: neste caso, várias mulheres seduzidas e enganadas por Don Giovanni tentam desmascará-lo levando-o à condenação fatal. 
Marc Minkowski (direção)
Orchestra of the Royal Opera House
Kasper Holten (encenação de 2014)
Luke Halls (video designs)
Cantores:
Hrachuhi Bassenz (Elvira) 
Chen Reiss (Zerlina) 
Anatoli Sivko (Masetto) 
Willis-Sørensen (Donna Anna) 
Mariusz Kwiecień (Don Giovanni) 
Ildebrando D’Arcangelo (Leporello) 
Pavol Breslik (Don Ottavio)

Pin Up Girl (Bruce Humberstone, 1944)

Vi este filme várias vezes de seguida, por vezes como filme de fundo (como a música ambiente) prestando atenção nas sequências mais engraçadas e algumas sequências musicais mais atraentes. Pin Up Girl é o típico filme feito para animar os americanos durante a guerra, os que ficavam no país, os que iam partir. Escapismo que ainda hoje comove muitos cinéfilos. A história envolve uma loira (Betty Grable) e soldados (ela fica noiva de algumas centenas) mas desenvolve-se como uma comédia romântica pois essa loira, que é secretária mas faz-se passar por cantora, tem de desfazer esse imbróglio que criou para ficar com o soldado que ama (mas que no início rejeitava). Uma história banal mas cómica, pontuada por números musicais que ninguém se atreve a fazer mais: dança sobre patins, dezenas de dançarinos em coreografias miltares (entre outras), duplas de cómicos-dançarinos, e as cantoras de charme, loiras e morenas, que se revezam e se disputam (a loira, ganha, claro). Todos se divertem e o espectador também. VC 4/5

Pin Up Girl (1944). Comédia musical em Technicolor. Realizada por Bruce Humberstone. Produzida por William LeBaron (para a Fox). Argumento de Robert Ellis, Helen Logan e Earl Baldwin, que adaptam o conto Imagine Us! (1942) de Libbie Block. Elenco: Betty Grable, John Harvey, Martha Raye, Joe E. Brownd e Charlie Spivak and His Orchestra. Música de James V. Monaco (music) e Mack Gordon (lyrics). Coreografia Hermes Pan. Estreia em Portugal: Quinhentos Noivos para uma Noiva a 5/2/1945.

As canções de Pin Up Girl:
You're My Little Pin Up Girl (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes: Coro, músicos não creditados e Betty Grable dançado pelos Condos Brothers   
Time Alone Will Tell Music  (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes: June Hutton e The Stardusters com Charlie Spivak and His Orchestra

Red Robins, Bobwhites and Bluebirds Music  (James V. Monaco & Mack Gordon) Intérpretes:  Martha Raye, dançado por Gloria Nord e os Skating Vanities
   
Don't Carry Tales out of School Music  (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes: Betty Grable e coro com Charlie Spivak and His Orchestra
  
Yankee Doodle Hayride Music (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes: Martha Raye com Charlie Spivak and His Orchestra 
Dançado pelos Condos Brothers

Once Too Often (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes:  Betty Grable, Hermes Pan e Angela Blue com Charlie Spivak and His Orchestra 

The Story of the Very Merry Widow (James V. Monaco & Mack Gordon) 
Intérpretes: Betty Grable com coro

Leitura: House of Meetings (Martin Amis, 2007)

A Casa dos Encontros
Teorema, 2007 tradução de Telma Costa
Dois irmãos (melhor, meios-irmãos) encontram-se num gulag soviético e entre eles estabelece-se uma rivalidade porque um deles casou-se com uma mulher que o outro também deseja. O narrador-protagonista, um dos irmãos não identificado, passa em revista a história da vida soviética, sobretudo das vítimas do regime, a partir da segunda guerra mundial. Um balanço deprimente, outra coisa não seria de esperar. Curiosamente o outro livro que li de Martin Amis, no início deste mês, Success (1978), trata de dois meios-irmãos que disputam as mulheres a que deitam mão, em particular a irmã dos dois, que mantinha desde a infância uma relação incestuosa com o irmão e mais tarde também com o meio-irmão. Será uma obsessão de Amis esta temática dos irmãos rivais? House of Meetings é menos interessante do que Success. Por vezes, o narrador abusa da informação sobre a realidade soviética que quer transmitir atrapalhando a ficção. Mas a superioridade de Amis sobre quase todos os seus pares não está em causa. A estrutura e a escrita do romance são muito boas. VC 3/5

Interlúdio musical...com piano, trompete e orquestra

Haydn 
(Sinfonia n°82 "O Urso")

Prokofiev 
(Sinfonia n°1 "Clássica" op.25)

Shostakovich
(Concerto n°1 para piano, 
trompete e orquestra de cordas op.35)
com
Raúl da Costa (piano) 
Sérgio Pacheco (trompete)

Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música
dirigida por Martin André

20/7/18, P.Varzim: Cine-Teatro Garrett

Melinda and Melinda (Woody Allen, 2004)

Melinda e Melinda apresenta duas histórias semelhantes (mesma protagonista, Melinda, mesma situação de partida, Melinda aparece de surpresa no apartamento de uns amigos em Nova Iorque vinda da província, onde deixou marido e filhos) apresentadas sob o tom alternativo da comédia e da tragédia. Quem narra as duas histórias são dois amigos que estão a jantar num restaurante. Ficção dentro da ficção. Todo o charme de Woody Allen encontra-se aqui: o grave e o cómico, o experimental e o clássico, a presença de Woody Allen com um corpo emprestado (o de Will Ferrell, brilhante ideia). Não me canso deste universo, sempre renovado pelo incrível elenco que Woody reúne a cada filme. Monumental (Lx) 1995 & VC 3,5/5
Elenco: Radha Mitchell (Melinda), Chloë Sevigny, Jonny Lee Miller, Chiwetel Ejiofor, Will Ferrell, Amanda Peet, Steve Carell, Wallace Shawn, Larry Pine, Brooke Smith.

Aux fruits de la passion (Daniel Pennac, 1999)

Thérèse e Marie-Colbert (sim, é um homem) vão casar, mas o irmão de Thérèse opõe-se ao casamento e tudo faz para o impedir. Thérèse casa-se, perde a virgindade e os poderes de vidente, e foge do marido na noite de núpcias. O marido é encontrado morto... Daniel Pennac assina uma comédia policial rocambolesca, um folhetim (foi inicialmente publicado num jornal) pertencente à saga da tribo Malaussène, que vive em Belleville, bairro multiétnico de Paris. Aux fruits de la passion lembra mais uma série televisiva ou um filme de série B. Divertido e ligeiro. VC 2,5/5