Ibsen: Hedda Gabler (TNO)

Não tenho a certeza de ter visto já uma peça de Ibsen: como primeira experiência não podia ter sido muito melhor. Hedda Gabbler é seguramente uma das grandes peças da história do teatro e a produção do Théâtre du Nord-Ouest confirma essa exceção. A encenadora, Edith Garraud, está de parabéns, assim como o elenco:
Muriel Adam
Damien Boisseau
Benoît Dugas
Vincent Gauthier
Marie Hasse
Lisa Sans
Diane de Segonzac ou 
Maryvonne Pellay
Paris Théâtre du Nord Ouest 4,5/5

Disco: Spinning the Story (Mark Mclaughlin, 2005)

Este documentário toca nos pontos essenciais da história da disco music, mas de forma por vezes superficial. O mais interessante é quando se tenta definir o momento ou identificar o artista que iniciou o género, que obviamente nasceu no seio da música negra americana (soul, funk, R&B) com alguns contributos europeus mais ligados à eletrónica. A grande convidada do documentário é Gloria Gaynor, uma das rainhas da disco, mas outros grandes nomes são entrevistados: Donna Summer, Giorgio Moroder, George Clinton, Nile Rodgers. Gostaria de ver análises mais aprofundadas de um género musical que muito aprecio. Vila do Conde 3/5

Gilbert and Sullivan: Lost Chords and Discords (Caryl Brahms, 1975)

Sullivan foi o compositor britânico mais importante do seu tempo (segunda metade do séulo XIX). Assim o considerava a Rainha e também os muitos britânicos que encheram as salas onde se apresentavam as suas operetas (assinadas com o libretista Gilbert). Ainda hoje em dia estas obras são representadas no mundo inteiro, sobretudo na Grã-Bretanha. Sullivan compôs muitas canções, mesmo fora da parceria com Gilbert, que inundavam os lares britânicos. Era a música popular da época e a sua memória não se apagou. Tão populares eram as operetas de Gilbert & Sullivan, que assim que uma era criada e apresentada, várias produções piratas surgiam nos Estados Unidos. Não havia direitos de autor e a defesa que Sullivan fez de uma legislação que tivesse em conta esses direitos fez-se sentir quando essa legislação se tornou realidade. O livro está muito bem ilustrado - é a sua principal qualidade. Mas como biografia ou obra de divulgação deixa a desejar.  Depende muito de bibliografia secundária e pouco de fontes primárias. As informações sobre a criação das obras não abundam (datas e intérpretes por vezes não explicitados). Um dia lerei uma biografia mais completa de Sullivan, sem dúvida o mais interessante dos dois parceiros. E terei de rever o excelente filme de Mike Leigh, Topsy-Turvy, sobre Gilbert & Sullivan precisamente. Paris  3/5

Petite (Geneviève Brisac, 1994)

Retomando o universo feminino da infância e adolescência já presente em Les Filles, com personagens comuns, Brisac relata com o seu estilo sincopado e sugestivo, uma crise de anorexia na primeira pessoa. Paris 2/5

Les Tuche 3 (Olivier Baroux, 2018)

Nos anos 30, em Hollywood, os irmãos Marx punham o mundo de pernas para o ar. Hoje, em França, a família Tuche não faz as coisas como os costumes, o bom gosto e a televisão ditam, fazem à sua maneira, selvagem mas descomplexada. Neste terceiro filme (estrondoso sucesso em França) os Tuche vão viver para o palácio presidencial, não como empregados domésticos mas como os novos inquilinos-patrões, postos lá por voto popular. O pai Tuche foi eleito Presidente da República, e a sua ascensão é das melhores coisas do filme. Paris 2,5/5

Pacific Rim (Guillermo del Toro, 2013)

Não tinha visto este filme na estreia, mas como agora foi oportunamente recuperado pelo Cineclube Présences Extraterrestres, pude enfim vê-lo (com direito a debate e champanhe no final, olé!). Pacific Rim encena as extraordinárias batalhas entre monstros gigantes que saem do fundo do mar para arrasar a humanidade (e sobre as cinzas desta poder povoar a terra em breve) e robôs igualmente gigantes, comandados por duplas que têm de agir em uníssono. Não há outra palavra que melhor descreva as cenas de luta: espetaculares. Com o reconhecimento recente do último filme de Guillermo del Toro, este belo filme de ficção científica vai certamente conquistar o culto que merece, pelo menos entre os fãs do género. Paris 3,5/5

Roar (Noel Marshall, 1981)

Roar é um dos filmes mais insólitos de sempre. É considerado o filme mais perigoso da história do cinema, devido ao elevado número de acidentes que a equipa de filmagem sofreu às garras dos felinos protagonistas do filme. Foi escrito, realizado e interpretado por Noel Marshall, que cria felinos selvagens numa casa que é tanto dele como deles. Depois de muitos anos de afastamento, a família de Marshall (a mulher Tippi Hedren, a filha Melanie Griffith e dois  outros filhos) vai visitá-lo e acaba por viver uma experiência de terror, cercados por felinos. O filme é emocionante como filme de aventuras e cómico pelas situações criadas. Reposição em versão restaurada muito oportuna. Paris 2,5/5

Greatest Hits (Rose Royce, 2002)

Este disco permitiu-me descobrir um maravilhoso grupo de soul e R&B dos anos 70, produzido pelo grande Norman Whitfield. As canções, todas valiosas, têm aquele som sedoso típico da soul mais sensual da altura: é nas baladas que os Rose Royce se excedem. Whishing on a Star e Love Don't Live Here Anymore devem ser consideradas duas das mais belas canções da soul clássica. Paris 4/5

The Major and the Minor (Billy Wilder, 1942)

The Major and the Minor é o primeiro filme realizado por Billy Wilder, mas na altura ele já era reconhecido como um dos maiores argumentistas de Hollywood, sobretudo na dupla que formava com Charles Brackett. Os dois escreveram o argumento da Incrível Susana (título português deste filme), que contorna de forma genial os tabus não só da produção de Hollywood como da própria sociedade. Uma jovem (Ginger Rogers) larga o emprego devido ao assédio dos clientes, e decide passar por "menor" para ter desconto no bilhete de comboio que a levará de volta à sua terra. Mas ela terá de se manter menor durante mais alguns dias numa escola militar, onde vai ser assediada pelos vários batalhões. Mas por quem ela se sente atraída entre os militares é o major que ela chama de "tio" (Ray Milland). Terá de ser a menor a seduzir o major para termos direito ao final feliz obrigatório da praxe. Paris: Ecoles 21, versão restaurada 4/5

England is Mine (Mark Gill, 2017)

Salvo pelo rock, salvo pela fama. Steven (Jack Lowden), um jovem adulto absolutamente desajustado à dura e absurda realidade da vida, é apresentado neste filme não sei quantas vezes à beira do colapso, talvez para tornar a explosão que se seguiu mais expressiva e... milagrosa (um adjetivo desajustado neste universo sem deus). A explosão (The Smiths) fica para outro filme, espero. Não fosse Steven o meu ídolo Morrissey, nada disto me interessaria (não é sequer um bom filme sobre um jovem à deriva). Mas vou querer o disco das músicas deste biopic de Steven before Morrissey. Paris 3/5